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Odebrecht fez 'pedido secreto' de R$ 350 milhões à Caixa durante construção da Arena Corinthians

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Por Meu Timão

Obras da Arena Corinthians são investigadas pela Polícia Federal desde o início do ano

Obras da Arena Corinthians são investigadas pela Polícia Federal desde o início do ano

Foto: Reprodução

A Arena Corinthians voltou a aparecer nos noticiários por suspeitas de irregularidades e atitudes suspeitas tomadas pela Odebrecht durante as obras do estádio. Em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo neste domingo, foi revelado um socorro dado pela Caixa Econômica Federal à construtora no valor de R$ 350 milhões.

Em 2014, pressionada com a falta de recursos e a necessidade de concluir ao menos as obras exigidas pela Fifa para que o estádio pudesse sediar a Copa do Mundo, a Odebrecht emitiu debêntures (espécies de títulos de créditos lançados ao mercado) na casa de R$ 350 milhões. Sem garantias que pudessem ser aceitas por outros bancos, a construtora, por meio de seu presidente, Marcelo Odebrecht (preso há mais de um ano em Curitiba e condenado a 19 anos de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro), convenceu a Caixa a compras tais papéis e, na prática, emprestar os R$ 350 milhões. O prazo para o pagamento ainda é desconhecido, mas a reportagem sugere que seja 2021.

Ex-presidente do Corinthians e homem-forte por trás da construção da Arena, Andrés Sanchez confirmou o socorro dado pelo banco à construtora. Ele, no entanto, apesar de ser uma das poucas pessoas cientes de todos os números do estádio, não quis entrar em detalhes sobre o tema, haja vista que o clube teria ficado de fora desta operação financeira (e sigilosa).

Fato é que o fundo de investimento da Arena vem encontrando dificuldade para pagar as contas do estádio. Os R$ 400 milhões emprestados junto ao BNDES, que começaram a ser pagos em julho do ano passado (em parcelas mensais de R$ 5 milhões), deixaram de ser pagos em março de 2016 sob tentativas do Corinthians de ampliar o período de carência. Em relação a tal dívida, vale destacar que o anúncio dos naming rights segue atrasado (em quase cinco anos já) e a arrecadação da bilheteria está em processo de involução.

Ainda há os R$ 420 milhões de CIDs (certificados de incentivo ao desenvolvimento) que o clube vai encontrando bastante dificuldade em receber. Os certificados são parte de um acordo entre a Prefeitura de São Paulo e o Corinthians, e são comumente emitidos para incentivar empresas a investirem em empreendimentos que fomentam regiões da cidade em desenvolvimento. Até novembro do ano passado, haviam sido arrecadados pouco mais de R$ 16 milhões por meio de tais papéis. Segundo Andrés, o valor já chega a R$ 26 milhões. A Odebrecht seria, até então, a única empresa compradora dos CIDs da Arena.

Vale ainda lembrar que esta não é a primeira vez que a Arena Corinthians aparece nas páginas dos jornais sob suspeita de irregularidades em sua construção. Em março deste ano, vieram à tona resultados de uma investigação da Lava Jato que apontaram que as obras do estádio foram viabilizadas com pagamento de propina pela construtora Odebrecht.

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