Timão cancela contrato com startup de meio de pagamentos de acionista citado na Lava Jato

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Acordo com Vector pretendia melhorar sistema de pagamento do Fiel Torcedor

Acordo com Vector pretendia melhorar sistema de pagamento do Fiel Torcedor

Reprodução / Estadão

O Corinthians rescindiu o contrato que mantinha com a Vector Serviços de Pagamentos. O acordo, datado de outubro de 2015, foi firmado após o clube abrir uma concorrência para modernizar o serviço de pagamentos online do Fiel Torcedor, programa alvinegro de fidelização que conta com mais de 132 mil associados.

Embora o acordo tenha sido rompido recentemente, a decisão não teve relação com as denúncias do site UOL, que durante esta semana, ligaram o nome de um dos ex-acionistas da empresa à operação Lava Jato. Ao Meu Timão, o clube esclareceu a situação do contrato e os motivos que levaram ao fim do acordo.

“Começamos a negociar e abrimos uma concorrência e a Vector, que já atuava com outras empresas como meio de pagamento, nos ofereceu uma taxa mais interessante que o PayPal e o PagSeguro, e um up front na mesma ordem que o PayPal”, detalhou Gustavo Herbetta, superintendente de marketing do Corinthians.

A investida da diretoria corinthiana era simples: estimular a concorrência diante do PagSeguro, então intermediador comercial da plataforma do Fiel Torcedor, em troca de maior tecnologia e benefícios ao torcedor. “A gente não tinha um contrato e, portanto, queríamos que o clube, não a Omni, tivesse a decisão sobre esse caminho, porque quem havia decidido alguns anos atrás qual seria o meio de pagamento era a Omni”, diz. “Ficamos entre PayPal e Vector, e escolhemos a Vector. Um up front interessante pro clube e uma taxa pro usuário muito mais interessante que o PagSeguro aplicada naquela ocasião”, justifica.

Entretanto, passados alguns meses, o acordo avalizado pelo Corinthians não foi colocado em prática nem pela Omni, tampouco pela Vector. Herbetta afirma que a celebração da conquista do hexacampeonato brasileiro, bem como o avanço da comercialização dos naming rights (direitos de nome) da Arena Corinthians – a base de dados do Fiel Torcedor estava incluída nas tratativas –, fizeram com que o negócio, antes acertado, declinasse.

“Esse contrato ficou engavetado, não foi ativado. Quando a gente deu atenção pra esse contrato novamente? Há um mês e meio, a PayPal me procurou de novo e falou: ‘olha, vi que vocês não mudaram o PagSeguro, vi que aquela empresa para quem perdemos a concorrência não ativou, vocês desejam conversar de novo?’”, recorda o dirigente, que voltou a intermediar a contratação de um novo meio de pagamento para o Fiel Torcedor após recuo na venda dos naming rights.

“’É um dinheiro importante para o clube, uma propriedade nossa, vamos falar com o PayPal de novo?’. E aí a gente foi e rescindiu o contrato com a Vector, garante Herbetta.

Ex-sócio citado na Lava Jato

A Vector Serviços de Pagamentos tem como principal representante Michael Gruen, conselheiro gestor da Apollo Sports Capital, patrocinadora da camisa corinthiana desde setembro. Além dele, de acordo com o site UOL, a startup tinha, até 3 de maio de 2016, o empresário português Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira como um dos sócios.

A publicação destacou o fato de Vieira ser co-réu da Operação Lava Jato desde 2014, quando fora acusado de lavar dinheiro ao lado do doleiro Alberto Youssef, preso em março daquele ano, em valor superior a 3 milhões de dólares. Segundo a publicação, o empresário também seria o representante do Café Bom Dia, marca estampada no uniforme alvinegro nas últimas partidas.

Para Herbetta, contudo, os elos entre Apollo, sua parceira e o Timão não são prejudiciais. “Não é problema do Corinthians. O Corinthians precisa checar os órgãos que regulam a categoria na qual os patrocinadores atuam, se a empresa está regulada para atuar, e nesse caso a Apollo está regulada pela Junta Comercial, pela CVM e pelo Banco Central. Não é o Corinthians que diz se ele pode atuar ou não. A empresa está regulada para atuar”, rechaça.

“Se acionistas querem aparecer ou não... Eu não sei quem são os acionistas da Nike, da Special Dog ou da Tim. Ninguém sabe. Tem um acionista que foi citado na Operação Lava Jato e retirado por falta de provas pelo juiz Sérgio Moro... A gente vai se posicionar porque não dá pra trabalhar dessa forma”, garante o superintende.

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