Início no futsal, ídolos e apoio da mãe: Guilherme Arana fala sobre seus 11 anos de Timão

Início no futsal, ídolos e apoio da mãe: Guilherme Arana fala sobre seus 11 anos de Timão

Guilherme Arana é patrocinado pela Nike, que também é parceira do Timão

Guilherme Arana é patrocinado pela Nike, que também é parceira do Timão

Foto: Divulgação / Nike

O Corinthians tem aproveitado melhor os seus jogadores revelados nas categorias de base nos últimos meses. Um dos destaques é o lateral-esquerdo, Guilherme Arana. O jovem chegou a ser titular da equipe enquanto Uendel estava machucado e não decepcionou.

O que pouca gente sabe é que o jogador não chegou ao clube para atuar no campo. Há 11 anos no Timão, Arana foi contratado, inicialmente, para atuar no futsal alvinegro. Morador da Zona Leste de São Paulo, aos oito anos, o jovem foi descoberto por um técnico do Timão durante uma partida do Juventus da Mooca, time que atuava, no Campeonato Metropolitano de Salão.

"Eu fiz um grande jogo, me destaquei e o treinador do Corinthians me chamou, dizendo que eles iam me observar, pra jogar pelo clube. Esse treinador do salão era o mesmo do campo. Fiquei no salão e aos oitos anos eu fui convidado para ir para o campo", lembrou o lateral, em entrevista ao Meu Timão, após a divulgação de uma nova linha de chuteiras da Nike, parceira do atleta e do Corinthians, chamada Nike FutebolX.

"Aceitei na hora, porque a gente vê na televisão futebol de campo, se inspira. Hoje já faz 11 anos que eu estou no Corinthians. Tenho muito a agradecer ao Corinthians, porque me proporcionou coisas maravilhosas que eu nunca achei que ia ter", completou.

A rotina do jogador era pesada. Arana treinava no período da tarde para o time de futebol de campo e a noite para o futsal. A prática, que não é tão comum, pode acabar ressurgindo no clube. O diretor das categorias de base, Fausto Bittar Filho, está estudando a unificação das categorias de base de futsal e futebol de campo para 2017.

Em determinado momento, porém, o lateral precisou escolher entre os dois esportes. "Bom, minhas características são de um jogador de campo, eu gosto de dar um tapa na bola na frente e sair correndo, é difícil fazer isso no salão, dar um tapa lá na frente e sair correndo atrás da bola. Aí eu também já estava cansado, escola de manhã, treino de campo à tarde, de noite salão, já não aguentava mais", explicou Arana.

A escolha, até agora, foi a certa. Em 2014, com apenas 16 anos, foi promovido ao elenco profissional do Corinthians pelo técnico Mano Menezes. Pouco aproveitado, ele seguiu fazer um intercâmbio entre base e profissional até ser emprestado, em maio de 2015, para o Atlético-PR. Com a saída de Fábio Santos, o técnico Tite pediu o retorno de Arana, que fez sua estreia no profissional em agosto do mesmo ano. De lá para cá, já são 29 partidas com a camisa do Corinthians.

Confira mais da entrevista de Guilherme Arana

O que você trouxe do futebol de salão para o campo?

Marcação. Eu não sabia marcar. Salão se não marca você não sabe jogar, por que quatro contra quatro, se você não for esperto, ficar indo atrás de um cara só, está ferrado né? Porque vai ficar atrás da triangulação só. A parte da marcação, abaixar, a parte de dar o facão, que é o bote, foi o salão que me ajudou muito nisso, na parte defensiva.

Você pensou em desistir em algum momento?

Teve uma vez que eu comentei com a minha mãe que não estava aguentando mais, mas ela não deixou não, Ela falou: “Agora que você já passou por tudo isso, não pode abandonar, tem que continuar”. Por isso que hoje em dia, se você não tem uma família boa, você não vai pra frente. Você vê muitos casos de grandes promessas que se perdem por dinheiro e amigos. Foi na época do Sub-13, que eu comecei a ir pro banco, ai você já vai desmotivado pro treino. E futebol é assim, não é sempre que você vai estar no time titular. Uma hora vai aparecer uma oportunidade e você vai aproveitar, como agora. Apareceu uma oportunidade pra mim e eu estou desenvolvendo meu trabalho. Resumindo, se você tem uma família boa, não só no mundo do futebol, você consegue fazer coisas melhores na sua profissão.

Sua mãe foi sua maior incentivadora?

Minha mãe faz parte de tudo que vem acontecendo aqui agora. Eu venho de uma família humilde, nunca passei necessidade, mas às vezes o jogo era às sete da manhã e eu tinha que sair as cinco de casa, pegar três ônibus lotados. E ela estava sempre comigo, pra lá e pra cá, as vezes faltava coisa dentro de casa. Mãe é mãe, você sabe né? Queria o melhor para o filho, ia no mercado comprava coisa, queria uma chuteira boa, ela arrumava um jeito de comprar. Então, eu devo muito à ela, tudo que está acontecendo hoje, quando eu entro em campo eu relembro os momentos que eu passei.

Como foi a sensação quando soube que iria para o profissional?

Eu estava em um campeonato e meu empresário falou “Tenho uma noticia pra dar pra você”, ai ele me ligou e falou “Acabando o campeonato, você vai pro profissional”. Eu falei “não sei, não sei se é verdade, às vezes ele só ta falando isso pra eu ir bem e ai arrumar um clube ai”. Fui pra final contra o Santos, e depois do jogo, o treinador veio “parabéns, você consegui chegar no profissional, e amanhã você pode se apresentar lá no parque ecológico, o CT”. A ficha não caiu, eu não consegui dormir. “Eu vou chegar lá, vou ver aqueles caras que eu só via na TV, como o Gil. Como os caras devem ser, como deve ser o vestiário. Julio Cesar, goleiro, Romarinho, Sheik, Guerrero”. E eu nunca tinha ido pra lá, fazer um treino. Quando eu ia fazer um treino, eu ia com os caras que não iam pro jogo, ou seja, eu nunca via Guerrero, Sheik, esses caras.

Qual seu ídolo no futebol?

Então, é Roberto Carlos. Mas tinha um auxiliar, que está na Seleção hoje, o Sylvinho, lateral esquerdo, sabe? Então, ele era auxiliar, subiu em 2014, na época no Mano Menezes. Esse cara é sensacional! Se você vê as histórias que ele conta, o jeito que ele treina, o jeito que ele ensina. Hoje ele está, não sei com que idade ele está hoje (Nota da redação: Sylvinho tem 42 anos), mas você vê ele inteiro, cruzando bola, sempre chegava em mim, eu era da mesma posição, dava conselho, falava pra eu fazer treino especifico. O engraçado é que essa semana eu peguei uns vídeos dele no Youtube, porque eu gosto de ver pessoas mais velhas, que já passaram por essa experiência, e vi os vídeos dele. Como ele batia na bola, como ele passava a bola, a hora certa de marcar, de ficar na linha, posicionamento no escanteio, ai eu fiquei observando, observando todas as conversas que ele passava quando ele ia nos programas. Esse cara me deu um foco pra eu seguir adiante na minha carreira profissional.

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