De Santa Izabel ao mundo: campeão da Copinha recorda início, revela frustração e mira saída

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Marquinhos comemora golaço sobre o Coritiba, ainda na terceira fase da Taça São Paulo

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Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Assim que o Meu Timão revelou os jogadores do Sub-20 que seriam promovidos ao elenco profissional do Corinthians, na noite da última quarta-feira, um nome, em especial, foi lembrado por boa parte da torcida nas redes sociais: Marquinhos, camisa 11 da equipe que ergueu o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2017 há pouco mais de uma semana.

Marquinhos conversou com a reportagem no dia posterior à conquista no Pacaembu, justamente quando completou 20 anos, idade limite para sua categoria. Apesar da euforia pela vitória emocionante diante do modesto Batatais-SP, o garoto falou sobre tudo: dos primeiros chutes a gol em Santa Izabel do Pará, município situado na região metropolitana da capital Belém, da mudança para São Paulo e da transição para o Corinthians. Mais do que isso, revelou ter quase desistido da chance de atuar no Timão ao, logo em sua chegada, acabar parando no Flamengo de Guarulhos-SP, time que detinha parceria com o clube alvinegro.

“Falei: 'Não, não quero mais jogar bola, acho que vou ficar por aqui mesmo, quem sabe ficar aqui no Paysandu mesmo'. Mas a minha mãe me apoiou muito, falou: 'Vai lá, tenta, se você se destacar, você vai voltar!'. E foi o que aconteceu (...)”, recorda o jovem paraense.

Entre outros assuntos, Marquinhos reconheceu que uma promoção ao grupo comandado por Fábio Carille no momento seria difícil, apesar de possível. E que caso a chance não viesse agora – como, de fato, ocorreu –, que ele recebesse oportunidades para amadurecer em outras equipes, trajetória seguida por Pedro Henrique, Yago, Guilherme Arana, Marciel, Maycon, Claudinho e tantas outras pratas da casa.

Atacante abraça Pedrinho e Mantuan, companheiros promovidos nesta semana

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Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Confira a entrevista com Marquinhos na íntegra

Meu Timão: Antes de falar de Copa São Paulo, queria que você contasse do seu início no futebol. Você é de Santa Izabel do Pará, certo? Onde começou a jogar?

Marquinhos: Eu comecei no Brasiliense-PA, que é um time aqui da cidade de Santa Izabel. O treinador desse time me ajudou muito, o Alex, ele me levava sempre para fazer testes quando era mais novo, e eu acabei ficando no Castanhal-PA, um time maiorzinho daqui. Aí fui me destacando, acabei sendo campeão paraense pelo Castanhal e fui artilheiro do campeonato. No outro ano (em 2011) já fui pro Paysandu. Me destaquei também no Paysandu, fiquei pouco tempo e já apareceu uma oportunidade no Santos. Mas aconteceu um problema lá no Santos, um negócio de empresário...

O que houve?

Foi um problema com o cara que me levou, Manuel Maria, um ex-jogador, não fiquei sabendo direito. Não deu muito certo e tive que voltar para o Paysandu, fiquei mais um tempo e fui jogar a A3 no Noroeste daí de São Paulo. Joguei um pouco a A3, me destaquei e fui pra Portuguesa, cheguei a subir para o profissional da Portuguesa, e foi aí que um diretor do Corinthians, o Agnello, foi lá, a gente conversou e eu acertei de ir para o Corinthians.

Você chegou ao Corinthians em 2014 depois de passar por alguns clubes de menor expressão. Como foi essa adaptação?

No começo fiquei como todo menino de longe fica. Mas depois que eu conheci mais o clube, fiquei mais tranquilo. Sou um cara muito tranquilo e ficou tudo de boa.

Veio sozinho para São Paulo?

Foi, sempre fui sozinho para os lugares assim. Primeiro fiquei morando perto do Flamengo de Guarulhos em um apartamento que eu dividia com um amigo. Agora que eu voltei para o Corinthians, estou morando no Tatuapé, sozinho.

Como foi esse seu período no Flamengo? Te surpreendeu, num primeiro momento, jogar lá e não no Corinthians?

No começo eu fiquei bastante triste, né? Até demorei pra me reapresentar no Sub-20, era meu primeiro ano e, quando soube que ia para o Flamengo, fiquei um pouco mais em casa, devido a ficar triste. Falei: 'Não, não quero mais jogar bola, acho que vou ficar por aqui mesmo, quem sabe ficar aqui no Paysandu mesmo'. Mas a minha mãe me apoiou muito, falou: 'Vai lá, tenta, se você se destacar, você vai voltar!'. E foi o que aconteceu, no primeiro ano eu não fui muito bem, fiquei nessa história de ficar muito triste, mas no segundo ano botei na minha cabeça que tinha que ser melhor. Foi quando acabei fazendo 14 gols no Campeonato Paulista, me destaquei bastante e o professor Osmar Loss gostou e me chamou para voltar para o Corinthians.

Titular em todos os nove triunfos, Marquinhos pertence ao Timão até o fim de 2018

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Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Qual a participação da sua mãe na sua carreira?

Ah, nossa... Ela tem participação em tudo, cara, é uma mãe espetacular! É uma pessoa que me dá muita força, sempre quando eu pensei em desistir, ela me deu força porque também jogou futebol, então entende como é que é.

Qual o nome dela?

Ana Zilda. Ela jogou na Tuna Luso-PA, um time de futebol feminino daqui.

E você é filho único?

Não, tenho mais dois (irmãos), uma menina e um menino. São mais novos.

Bacana! Mudando um pouco de assunto, muitos torcedores elencavam outros jogadores como possíveis destaques da Copinha, e você surpreendeu boa parte da torcida com atuações regulares, aquele jogador de ataque que faz o “trabalho sujo” pro técnico, de muita marcação... Você também vê assim?

Para mim, é tranquilo. O professor Osmar Loss chegou no início do campeonato e falou que ia ser assim, que os meninos já estavam mais conhecidos, que eu estava chegando agora, mas que teria minha oportunidade e ia aproveitar no momento certo. E foi o que aconteceu. Não fiquei nem um pouco triste, muito pelo contrário, fiquei muito feliz por poder ajudar os meus amigos e de estar realizando um sonho também, que era ser campeão da Copa São Paulo, já que era meu último ano.

Como foi o momento em que você soube que iniciaria a Copinha como titular?

Eu tinha ido pro sul já como titular, na Copa RS (também chamada de Copa Internacional Ipiranga). Eu me preparei mais fisicamente antes de começar a Copa São Paulo, porque mentalmente eu estava muito preparado e, fisicamente, não tanto. Estava precisando muito, então me doei muito, me cobrei muito e graças a Deus deu certo.

Um jogo que acredito ter sido especial para você foi contra o Coritiba, pela terceira fase. Você arranca do meio de campo, corta dois marcadores, bate de esquerda, e ali o Corinthians vence por 2 a 1...

Foi um jogo inesquecível, o primeiro jogo que eu realmente decidi para o Corinthians, que eu ajudei de verdade. Foi muito especial ver a felicidade da minha mãe me ligando depois de um jogo, me dando os parabéns. Então foi realmente inesquecível.

Como foi esse bate-papo com ela?

Ela falou que era pra manter, que estava muito feliz, que tinha orgulho, então só de ela ter falado isso fiquei muito feliz. Acho que uma das grandes coisas para eu manter isso (as boas atuações) foram essas ligações dela antes e depois do jogo.

Chega a final da Copa São Paulo, contra um Batatais inferior tecnicamente, mas que daria o sangue no campo. Você participa dos dois gols, primeiro com um cruzamento pro Carlinhos, e depois ele devolve a assistência para você, que marca o gol do título. Gosto especial por ter participado dos dois lances?

Nossa, muito! Só Deus sabe o quanto eu tô feliz, o quanto valeu todo o trabalho, todo o esforço que eu fiz durante muitos anos, durante toda a vida. A gente não se prepara em dois, três meses para uma competição. É como o Mantuan falava nas nossas rodas, a gente tava ali se preparando há uma vida inteira. Participar de dois gols em uma final de Taça São Paulo, com aquele Pacaembu quase lotado, foi demais! Fiquei muito feliz, estou muito feliz até agora, não deu pra cair a ficha (risos).

Quando você colocou a medalha de campeão no peito e ergueu o troféu, o que veio na sua cabeça? Teve alguma dificuldade que você usou como superação?

É como eu já falei em outras entrevistas. Eu já cheguei a passar fome em alguns lugares que eu fui, como Noroeste... Quando estava subindo no pódio, até comentei com o Pedrinho, falei: 'Pô, há três anos eu tava passando fome e hoje tô sendo campeão da Taça São Paulo pelo Corinthians, o maior time do Brasil'. Então, acho que esse foi um momento que marcou muito.

A gente pôde ver a união de vocês durante a Copinha pelas redes sociais, até fazendo palhaçada... Essa parceria, você considera ter sido fundamental pra chegar no dia 25 e ser campeão?

Com certeza, foi fundamental. Eu, particularmente, não tinha feito parte de um grupo tão unido. Já tinha feito parte de grupos unidos, como no Flamengo, que chegou até uma semifinal do Paulista e estava muito unido, mas esse foi muito mesmo. Não via ninguém brigando com ninguém, todo mundo falando de Deus. Acho que esse foi um grupo em que trabalhei que esteve mais unido durante uma competição e foi muito forte por conta disso, com certeza.

E quem era seu parceiro no elenco, aquele cara que, quando a situação apertava, era ele quem você procurava?

Pedrinho! A gente é muito junto.

Não dá pra fugir do assunto “time profissional”. Mas eu queria inverter a pergunta: você acha que subir hoje ao elenco principal e, como muitos que lá estão, não receber oportunidades é a melhor opção? Acredita que a criação de uma categoria Sub-23 seria o melhor caminho pra você do que chegar no profissional e não ser utilizado pelo Carille?

Se caso eu não for aproveitado no profissional agora, eu queria ser emprestado, ter outra rodagem e, quem sabe, voltar ao clube. Meu sonho é jogar no profissional, não vou esconder isso. Sei que hoje está muito difícil de realmente subir, então quem sabe tendo uma rodagem aqui, uma rodagem ali, e no futuro voltar para o Corinthians como um jogador já feito, preparado pra vestir a camisa pra ser titular realmente.

Rolou esse papo entre vocês, jogadores, de como seria jogar no profissional?

Sempre rola, né? Eles sempre conversam com a gente, a gente pergunta também as curiosidades, de como é isso e aquilo, sempre rola esses papos com o Del'Amore, com o Carlinhos. Quando queremos saber alguma coisa, a gente pergunta, eles já estiveram lá e sabem como é.

Como está a situação do seu contrato?

Eu renovei agora, em dezembro do ano passado, por dois anos. Então vai até dezembro de 2018. 50% (dos direitos econômicos) do Corinthians, o resto pertence a outro time, o Tapajós.

Você se inspira em alguém para se tornar profissional de vez? Até tem um cara no Corinthians que é da sua terra, né?

Sim, o Giovanni (Augusto), é um cara fantástico como pessoa, como jogador, me inspiro muito nele. Já falei em outras entrevistas que ele é um cara admirado, não só com a bola, dentro de campo, mas fora também, é um cara super humilde, muito parecido comigo, quem me conhece sabe que eu sou muito humilde. Então, me inspiro muito nele, sim.

Para acabar, caso você não continue no futebol, sua vida tome um rumo diferente, tem algum outro plano em mente? Já iniciou uma faculdade?

Cara... (pausa). Meu tio que convivia muito comigo disse uma vez assim: 'Ou tu vai estudar, ou vai jogar bola!'. Eu tentei fazer as duas coisas, fiz até o terceiro ano da escola, ainda não comecei a faculdade, tenho até vontade, mas hoje em dia não penso em fazer outra coisa. Estou me dedicando totalmente ao futebol. Por enquanto, meu foco é futebol.

Veja mais em: Copinha e Base do Corinthians.

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