Infância na Vila Ema, ex-atleta, discípulo de Tite: a história de Carille, campeão paulista de 2017

Infância na Vila Ema, ex-atleta, discípulo de Tite: a história de Carille, campeão paulista de 2017

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Carille é campeão do primeiro estadual que disputou como treinador

Carille é campeão do primeiro estadual que disputou como treinador

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O título de campeão paulista de 2017, conquistado pelo Corinthians neste domingo, sobre a Ponte Preta, tem importância especial para o técnico Fábio Carille. Ex-auxiliar do Timão e promovido a treinador no fim de 2016, após a demissão de Oswaldo de Oliveira, o filho do seu Joaquim e da dona Wanda celebra o primeiro troféu da ainda curta carreira, mas não a primeira vitória ao longo de seus 43 anos.

Fábio Luiz Carille de Araújo nasceu em 26 de setembro de 1973, em São Paulo, e cresceu no bairro da Vila Ema, zona leste da capital. Menino humilde, de fala mansa e longe das confusões em que crianças costumeiramente se metem, não demorou a escolher o que queria para o futuro: ser jogador profissional.

Ainda assim, Fabinho, como era chamado por familiares e amigos de infância, viu a vida tomar novo rumo aos doze anos. Isso porque o já adolescente precisou se mudar para Sertãozinho, município do interior paulista de cerca de 120 mil habitantes, e se afastar do futebol.

O temor pela mudança, com o passar dos anos, se transformou em pontapé inicial na carreira de Carille. Na região de Ribeirão Preto, foi office boy, trabalhou em uma usina de açúcar e etanol e se formou no curso de mecânico geral do Senai. Conciliou a profissão de torneiro mecânico com os treinamentos pelo Sertãozinho Futebol Clube, principal equipe da cidade, até 1994, aos 19 anos, quando foi negociado com o XV de Novembro de Jaú.

Carille, então, rodou por diversas equipes do Brasil, entre elas Portuguesa, o próprio Corinthians (disputou somente dois jogos, em 1997), Coritiba, Paraná Clube, Juventus e Monte Azul. Foi meio-campista, atuou por sete anos como lateral-esquerdo e se firmou na função de zagueiro nas sete temporadas restantes. Em 2007, porém, o veterano do Grêmio Barueri, a essa altura casado com Marina e pai da Isabela – ele também tem Leonardo, de sete anos –, decidiu colocar fim à trajetória como atleta, estudar e alçar voos maiores.

Nova rotina: o campo pelo banco de reservas

Carille e Mano Menezes, durante treino no início de 2009

Carille e Mano Menezes, durante treino no início de 2009

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Em 2009, Fábio foi convidado por Mano Menezes, com quem havia trabalhado no Grêmio, e Sidnei Lobo, assistente, a integrar a comissão técnica permanente do Corinthians. Assim, o ex-zagueiro, no futuro, teria a possibilidade de ascender ao cargo de treinador, fosse no Parque São Jorge ou em outra agremiação.

Carille observa arremate de Ronaldo Fenômeno, com quem trabalhou no Timão

Carille observa arremate de Ronaldo Fenômeno, com quem trabalhou no Timão

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

A troca de informações com Mano e Sidnei, contudo, terminou na temporada seguinte, na qual o comandante alvinegro assumiu a Seleção Brasileira. A saída já prevista do técnico abriu caminho para Andrés Sanchez acertar a contratação de Tite, que viria a ganhar seis títulos à frente do clube. Auxiliado, é claro, por Carille, um dos responsáveis pelo setor defensivo dos times campeões da Copa Libertadores, do Mundial de Clubes de 2012 e dos Campeonatos Brasileiros de 2011 e 2015.

Ao lado de Tite, Carille se aperfeiçoou e confirmou aquilo que havia projetado nos últimos anos de atleta: seu futuro estava no banco de reservas, mas não como auxiliar.

O torcedor corinthiano conhece de cor e salteado a trajetória de Carille a partir de 2016. Sem Tite, que também galgou à Seleção, o clube buscou em Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira uma ideia de jogo presente em casa, mas que, num primeiro momento, permaneceu jogada de lado.

Com “Fabinho” no comando, o Corinthians soma mais de 62% de aproveitamento dos pontos. E ainda que ostente bons números, além do título de campeão paulista, ele prefere manter a humildade de quem soube aproveitar os ensinamentos que a vida lhe deu. “Eu sou assim. Não adianta ser o que não é. O aprendizado que trago com Tite sempre ouvi muito. Ouvi muito aqui 'Fábio é bonzinho, não grita'. O Tite também é assim. O tempo com o Tite me mostrou que você também pode chegar assim. Eu sou assim e acho que é a grande marca do meu trabalho o dia a dia, nos bastidores, saber levar vestiário, ambiente”, disse Carille em entrevista coletiva na semana passada.

Recado do professor

Tite e Carille: criador e criatura

Tite e Carille: criador e criatura

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

A pedido do Meu Timão, Tite deixou uma mensagem para o antigo companheiro de trabalho antes da decisão do Campeonato Paulista. O treinador do Brasil foi sucinto: “Por méritos próprios (ele poder ser campeão paulista). Merece o reconhecimento! É um ser humano de caráter e princípios éticos, com ricas experiências como ex-atleta associadas a ambição e humildade na busca de conhecimento e evolução. Merece! Este é Fábio Carille”.

Veja mais em: Fábio Carille, Tite e Campeonato Paulista.

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