Leandro, Fabinho e Loss: trio que dá sustentação a Carille no CT do Corinthians fala ao Meu Timão

Leandro, Fabinho e Loss: trio que dá sustentação a Carille no CT do Corinthians fala ao Meu Timão

Leandro da Silva, Fabinho e Osmar Loss, auxiliares de Fábio Carille no Corinthians

Leandro da Silva, Fabinho e Osmar Loss, auxiliares de Fábio Carille no Corinthians

Foto: Meu Timão

Fábio Carille está na boca do povo. O título paulista, a liderança isolada no Brasileirão, a invencibilidade de 20 jogos... tudo isso faz do treinador do Corinthians, neste momento, um dos nomes mais comentados do futebol nacional. Mas o trabalho não é só dele. Três homens dão suporte e sustentação ao comandante. Um trio que é pouco falado, mas que vem tendo um papel fundamental na condução do dia a dia do Centro de Treinamento Joaquim Grava.

Trata-se de Osmar Loss, Leandro da Silva e Fabinho, que foram elogiados pelo goleiro Cássio fora dos microfones, durante um bate-papo informal. "Todos nós gostamos muito da maneira que eles conduzem o nosso trabalho, vocês falam pouco deles, mas nos ajudam demais", disse o goleiro, multicampeão pelo Corinthians. A reportagem do Meu Timão, então, foi ouvir os três auxiliares, para que os mesmos pudessem contar um pouco da rotina de treinar e comandar os atuais jogadores.

Loss foi promovido após o título da Copinha, em mais uma ótima campanha com a equipe sub-20 do Timão no principal torneio da categoria. Leandro da Silva, também conhecido como Cuquinha, é conhecido de Carille há muito anos, e foi trazido no início deste ano. O ex-volante, por sua vez, chegou mais recentemente, com a intenção de fazer um estágio no clube onde teve duas passagens (2001/04 e 2008/09), com 247 jogos, 17 gols e cinco títulos (Liga Rio-São Paulo-02, Copa do Brasil-02, Paulista-03, Copa do Brasil-09 e Paulista-09).

Auxiliares conversam com o repórter Rodrigo Vessoni, do Meu Timão

Leandro da Silva, Fabinho e Osmar Loss, auxiliares de Fábio Carille no Corinthians, conversam com o repórter Rodrigo Vessoni, do Meu Timão

Meu Timão

Durante uma entrevista de cerca de 40 minutos, os três auxiliares falaram dos treinamentos que são planejados para grupos diferentes dentro do próprio elenco, dos cuidados extracampo dos jovens promovidos à equipe profissional diante de tudo de bom e ruim que isso proporciona, além da relação com Carille, as tomadas de decisões em conjunto, entre outros assuntos. Veja abaixo:

Cássio falou muito bem da postura e do trabalho de vocês no dia a dia do CT. Como recebem esse elogio de um dos jogadores mais experientes e vitoriosos do atual elenco?

Osmar Loss - É gratificante ouvir, principalmente vindo de um jogador que está fazendo uma temporada brilhante. Receber elogios dos jogadores é o que a gente mais gostaria de receber, de quem recebe o nosso trabalho. E a gente fica muito satisfeito. Na verdade, a gente reproduz uma filosofia que já vinha do Tite, quem implementou essa ideia, da forma que a gente trabalha, da interatividade que temos com os atletas, é do Fábio (Carille), que já trabalhou com o Tite.

Como não deixar a semana chata? Como programar treinos diferentes todos os dias para os jogadores? Como isso é trabalhado para a semana?

Leandro da Silva - A gente tem uma preocupação que o atleta tenha diversificação do trabalho, para que não fique cansativo, para que o atleta possa ter um desempenho motivacional. É claro que, em determinados momentos, a repetição é importante. Temos sempre essa preocupação de oferecer aos jogadores essa diversificação sem deixar os objetivos de lado, e a resposta tem sido boa.

Você, Fabinho, que fez história como volante no clube, como está sendo esse início?

Fabinho - Está sendo gratificante voltar a conviver com os atletas, mas com o próprio Osmar e o Leandro, que já têm uma rodagem. Receber elogios de jogadores consagrados, como o Cássio, é gratificante. Dá ainda mais motivação para trabalhar. Ter a chance de ver a forma e o dinamismo que eles trabalham é gratificante.

A programação é feita para a semana ou mensal?

Osmar Loss - Já temos uma rotina bem estabelecida, o que muda é quando temos jogos no meio de semana e quando não temos. Com a semana cheia, podemos fazer treinos aquisitivos, que são treinos para fazer melhorar, para evoluir tecnicamente. Quando tem jogos no meio da semana, os titulares praticamente não treinam isso. Eles treinam estratégia, organização, o que muda é ter jogo no meio da semana ou não. Não muda o objetivo, muda o tipo de treino.

Antigamente havia treinos físicos, sem bola. Hoje em dia, não. Até início de pré-temporada já tem bola. Ter a bola é importante para que o jogador tenha prazer de treinar?

Osmar Loss - Futebol vem evoluindo, e a gente vem nessa batida. O Parreira sempre fala que o futebol vai evoluir mil anos na estratégia, na tática, mas continuará sendo resolvido numa ação técnica. A gente tem esse foco de complementar, sem com a bola.

Agora serão várias semanas com jogos quarta e domingo. Como agirão?

Leandro da Silva - Serão sete jogos em sequência, podendo ainda entrar jogos pela Copa Sul-Americana. Temos uma preocupação com aqueles que não jogam, com aqueles que vão para o jogo e não entram, pois acabam não treinando na véspera nem no dia do jogo. Tentamos fazer com que os treinos sejam iguais aos dos jogadores que vêm atuando.

Como se trabalha com aqueles que não jogam com frequência?

Fabinho - O grupo é qualificado, você vê empenho a todo instante. Nós entendemos essa necessidade de trabalhar com o pessoal do G2, como a gente chama. A comissão técnica já vem com a cabeça preparada e o feedback está sendo positivo. Eles têm consciência que a qualquer momento um reserva pode virar titular. Quando o profissionalismo é grande, fica mais fácil de trabalhar.

E os jogadores que sequer são relacionados? Como fazer para motivar aqueles que não fazem parte dos planos do Carille?

Leandro da Silva - Eu acredito muito no tratamento em igualdade, tratamos todos da forma igual. O atleta não se sente diminuído em momento algum. Isso motiva. Todos os que estão no grupo fazem parte dele, a gente procura deixá-los assim. Claro, na véspera do jogo, o atleta não se vê na lista (dos relacionados) e pode vir mais desmotivado no outro dia, por vir mais pra baixo. Mas a gente tenta motivá-lo, mostrando que ele pode vir a conquistar seu espaço.

O elenco tem vários jovens. São jogadores que têm vontade lá em cima, mas muitas vezes tem que dar uma segurada neles para evitar empolgação. Como é essa relação no dia a dia?

Osmar Loss - Efetivamente, esses meninos que subiram agora, por mais que tenham a mesma idade de Maycon e Arana, jogavam juntos, merecem um cuidado, mas isso é em qualquer clube que promove jovens. O Corinthians este ano, nas mãos do Carille, colocou muitos no plantel profissional. E não apenas como figuras decorativas, eles estão participando dos treinos e dos jogos. A minutagem da base, de acordo com o Footstats, era uma das maiores entre os clubes brasileiros. O controle em campo é fácil de ser feito, mas externamente temos de ter um cuidado grande. Mas pelo fato de podermos ter esse dia a dia com liberdade que o Fábio (Carille) dá, de encostar no jogador, e a confiança deles e conviver com a gente desde a base, tudo isso faz com que a gente possa direcioná-los para um caminho que eles evitem os problemas que possam vir acontecer. A gente diz o seguinte: aplicamos quatro horas de orientação e durante 20 horas a gente não sabe o que acontece, depende muito do comportamento de cada um. A diferença efetiva dos meninos que estavam na base e que estão aqui no profissional é o nível de cobrança externa. Na base, a cobrança vem dos treinadores e da diretoria. No profissional vem da imprensa, da torcida. É muito mais complexo e difícil administrar tudo isso. Na base, o treinador tem noção exata da carga da cobrança, a torcida não tem, é emocional, é paixão pura. A gente fala para eles sempre isso: vocês estão sempre trabalhando para a paixão do torcedor, tanto para o bem quanto para o mal. E a gente tem visto uma maturidade grande dos meninos, um respeito das decisões que estão sendo tomadas, uma busca de espaço, sabendo que ele ainda tem uma etapa para ser cumprida, que ele não está pronto. O processo no Brasil é dado fim aos 20 anos, mas ele continua. Quem foi atleta sabe que, com 27, 28 anos... sempre se está aprendendo com um treinador, um colega de trabalho. Está amadurecendo.

Eles passam a ter facilidades... ganham coisas o tempo todo, oferecerem as coisas, é fácil deslumbrar, não?

Osmar Loss - Jogador de futebol é mais exposto, de fato a gente tem um cuidado como se fosse qualquer área. Um jovem quando passa de um salário de 1X para 20X vai mudar alguma coisa na vida dele. Mas temos a experiência de orientar, de mostrar que muitos estouram e voltam para a base, de encostar no cara e falar o que vai acontecer ali na frente. A gente sabe que aparecerá gente oferecendo facilidades, esmola demais o santo desconfia. O cuidado temos todos os dias, a gente conhece os jogadores pelo jeito de se comportar, a gente percebe: tem uma mudança de comportamento, vamos ficar espertos ali, vamos investigar. Vamos descobrir o que é, pode ser deslumbrado, mas pode ser problema familiar. Cara é sempre alegre e aparece pra baixo? Algo errado tem ali. Esse feeling precisa ser preventivo, não pode deixar ser maior do que a gente possa resolveu.

Fábio Carille está iniciando como treinador. Caminhar junto dele, tentando crescer junto, ajuda de alguma maneira?

Leandro da Silva - Ajuda o fato de ele ter sido auxiliar por muito tempo. Eu também trabalho como auxiliar há um tempo. Você vai filtrando o que vai passar para frente e o que deixará de lado, o Fábio entende o futebol como integração, ouvindo o que a gente tem para falar. E o que ele achar que realmente ajudará, colocar em prática. Nós temos ideias parecidas, a troca de informação auxilia a conquistar algo bom. Então, é mais fácil ter pessoas para ouvir do que fazer do teu jeito sem se abrir. Fábio ouve muito, é muito aberto. Todos os dias trocamos ideia, mudamos uma coisa ou outra.

Osmar Loss - Mais do que o fato de ele estar começando, de ele ouvir ou não, é mais a característica da pessoa. O Fábio sabe o que ele quer, nossas opiniões só fortalecem a tomada de decisão dele, seja aceitando a opinião, seja divergindo. Se uma pessoa não sabe o que ela quer, as opiniões possam atrapalhar. O Fábio é claro: ele motiva a gente a fazer esse debate, ele sabe que é através disso vamos crescer como equipe, como comissão técnica. É o que me deixa mais satisfeito de estar vivendo tudo isso aqui.

O Carille diz que é do mesmo jeito, sempre calmo diante de qualquer situação, dentro ou fora do vestiário. Isso facilita para os auxiliares?

Leandro da Silva - É muito positiva e pessoal, cada um tem uma maneira de agir dentro de uma pressão. Fábio não faz teatro, ele não vai abrir os braços para chamar atenção. Estamos falando de Corinthians, onde o estádio está sempre cheio. Não adianta ele querer gritar que ninguém vai ouvir. Eu tenho o perfil parecido com o dele, ele não faz imagem, ele é muito transparente.

O Corinthians não tem expulsões em jogos oficiais e média de apenas dois amarelos por jogo. Por que um número tão baixo?

Leandro da Silva - Essa questão disciplinar tem a ver com o comportamento, não apenas durante o jogo. Pelo convívio diário, pelo trabalho que desenvolvem no dia a dia, eles sabem o que querem. Atletas que têm objetivo. Isso é um espelho do time. Facilita, tem uma continuidade de um time, mexe muito pouco, eles têm esse cuidado, esse interesse.

Osmar Loss - Competitivo e leal, de comportamento também. Mas principalmente de uma grande organização (tática) defensiva, nosso time está sempre muito próximo, estamos ajustados e evitamos dar carrinhos desnecessários, pouco botamos a bunda no chão para dar um carrinho. É importante saber que não podemos cartões bobos, mas dentro de uma organização de jogo que inibe uma falta, uma travada que possa gerar o cartão.

O título paulista não era esperado. Para vocês, do dia a dia, também foi surpresa?

Osmar Loss - Todas as respostas que demos ajuda a explicar. Desde os primeiros treinos do ano, implantamos uma ideia de futebol, os atletas compraram a ideia, e todos os dias que vamos ao CT trabalhamos em cima de uma filosofia. E nós nos tornamos campeões paulistas em cima dessa filosofia de jogo. O Fábio desenhou uma forma de jogar e trabalhamos todos os dias para que essa forma desse certo. Esse foi o grande porquê de levantarmos o troféu.

E a perspectiva para o Brasileirão?

Fabinho - Pelo título paulista, e por ser o campeonato mais forte do país, pelo comprometimento dos jogadores, não temos outro objetivo a pensar que não seja o título. A gente acredita muito nisso. Vamos trabalhar em cima disso.

Veja mais em: Fábio Carille, Osmar Loss e Campeonato Brasileiro.

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