Chicão, Seu Messias e a história do 'campeão secreto' da Libertadores de 2012 pelo Corinthians

Chicão, Seu Messias e a história do 'campeão secreto' da Libertadores de 2012 pelo Corinthians

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Registro de Chicão no vestiário da Bombonera antes da primeira final

Registro de Chicão no vestiário da Bombonera antes da primeira final

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Há exatos cinco anos, o Corinthians se consagrava vencedor da Libertadores pela primeira e até aqui única vez na história, fato pra lá de conhecido entre os milhões de torcedores alvinegros espalhados mundo afora. O que a maioria não sabe é que havia um 12º jogador "em campo" pelo Timão naquelas finais contra o Boca Juniors.

Trata-se de Seu Messias, o "campeão secreto" da Libertadores de 2012 pelo Corinthians.

Seu Messias era avô de um dos mais importantes jogadores daquele Corinthians: Chicão, um dos poucos atletas da geração campeã da Libertadores que àquela altura já possuía a alcunha de ídolo da Fiel. O ex-zagueiro disputou as partidas decisivas contra o Boca Juniors com o peso nas costas do recém-falecimento do senhor que, mais do que avô, era um amigo.

"Tem vários momentos especiais, né? A gente lembra muito da defesa do Cássio (contra o Vasco). Contra o Cruz Azul eu lembro de ter tirado uma bola embaixo do gol aos 45 do segundo tempo. Mas as finais é que foram muito especiais para mim", lembrou Chicão, em entrevista sobre os cinco anos do título da Libertadores concedida ao Meu Timão.

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"Na segunda-feira, quando viajamos para a Argentina, meu avô (Seu Messias) faleceu. E ele acompanhava futebol sempre. Fiz questão de falar que aquele troféu, se viesse, seria para ele, porque ele acompanhou toda minha carreira e não estaria presente nesta conquista. Cheguei na Argentina e recebi a notícia. Ou eu jogava ou voltava para o velório. Então aquele jogo foi muito especial para mim, difícil esquecer", acrescentou.

Ao receber a notícia, Chicão decidiu permanecer com a delegação corinthiana em Buenos Aires, concentrado para o jogo de ida das finais. Em um primeiro momento, o então camisa 3 do Timão compartilhou a dor que estava sentindo apenas com seu companheiro de quarto, o ex-lateral e hoje gerente de futebol Alessandro Nunes.

"Foi a primeira pessoa para quem eu contei. Depois contei para o Edu (Gaspar), o Tite. Todos me deram forças para eu superar esse momento e entrar no jogo, porque sabíamos que era muito importante mesmo o jogo. Levei para aquele lado de que, se a gente conquistasse o título, ele faria parte também né", comentou.

Chicão jogou no Corinthians de 2008 a 2013

Chicão jogou no Corinthians de 2008 a 2013

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Quis o destino que Seu Messias, que sempre gostou de acompanhar tudo sobre futebol, assistisse de um lugar para lá de especial à maior conquista do neto. Uma espécie de camarote no estilo sofrido corinthiano, como sintetizou o próprio ex-camisa 3 do Timão:

"Ele morava com meus pais, que estavam cuidando dele. Meu pai assinava os canais para ele assistir aos jogos na televisão. Minha relação era mais do que uma relação de neto e avô. Era uma relação de amigos. E graças a Deus veio a recompensa com o título da Libertadores depois, no melhor estilo sofrido corinthiano, pagando os preços de tudo pra ser campeão."

Confira trechos da entrevista de Chicão ao Meu Timão

Aniversário de cinco anos do título da Libertadores. O que essa data significa para você?
Significa muito. Dever cumprido de quem passou no clube e conquistou o que o pessoal esperava. Um sentimento de alegria. Pena que passa muito rápido isso, já vamos aí para cinco anos de uma data muito especial, que o corinthiano tem que comemorar muito. O time entrou pra história, campeão invicto. É um momento especial que não podemos deixar passar, então é uma alegria enorme poder comemorar esse aniversário de cinco anos.

Chicão, à esquerda, durante entrega do troféu

Chicão, à esquerda, durante entrega do troféu

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Antes de o Corinthians ser campeão da Libertadores, havia feito campanha de destaque em 2010. O que você lembra daquela competição, marcada pela eliminação para o Flamengo? Há quem diga que foi uma das derrotas mais injustas do Corinthians no século...
Diria o mesmo. Uma das derrotas mais injustas que teve. Pelo fato de ter jogado muito no Pacaembu, o goleiro do Flamengo pegou uma falta minha, outra bateu no canto dele e passou do lado, aos 46 minutos do segundo tempo. Então 2010 serviu de aprendizado para 2012. Chegamos mais maduros em 2012. Mas não tenho dúvida que 2010 fizemos uma campanha excelente, se classificando em primeiro. Futebol tem dessas, você se classifica com a melhor campanha, pega o time com a pior campanha e acaba eliminado. Mas me lembro até hoje de a torcida levantando e aplaudindo o time depois do jogo, a torcida viu que a gente lutou, batalhou.

Depois de 2012, mais precisamente em 2013, você também estava no Corinthians em outra eliminação doída demais, contra o Boca Juniors, com Carlos Amarilla. Qual o tamanho do baque naquela ocasião, que freou a possibilidade do bicampeonato da Libertadores?
Difícil, porque o que aconteceu foi que o time jogou muito, vinha muito bem, lutando e infelizmente por erro de árbitro a equipe acabou desclassificada. Isso dói até hoje, saber que poderíamos ter conquistado o bicampeoanto e, por um erro de uma pessoa, você acaba sendo eliminado. Infelizmente faz parte do futebol, mas ficou um sentimento de tristeza.

Talvez o lance mais marcante envolvendo Chicão e Libertadores de 2012 tenha sido sua tentativa de salvar o gol do Boca Juniors no jogo de ida, na Bombonera. Como foi o lance? O que pensou ali na hora que espalmou a bola?
Foi um lance muito rápido, né? Veio à cabeça aquela coisa de não poder tomar o gol. Não podia tomar o gol, aí coloquei a mão na bola. Mas foi um lance muito rápido, não tinha o que fazer ali. Ou deixava a bola entrar ou fazia ali aquilo que eu fiz. É a vontade de ganhar, né? Tive de tomar uma decisão rápida, certa ou errada (risos). Mas graças a Deus deu tudo certo, conseguimos empatar e conquistar o título no Pacaembu.

Se a tentativa de salvar o gol desse certo, você teria sido expulso. Não se importaria de ficar suspenso e perder o jogo de volta no Pacaembu?
Naquele momento nem pensei nisso. Pensei em não tomar o gol. A vontade era tanto de vencer ali que não estava nem pensando no segundo jogo. Foi uma coisa muito natural. Depois, com o tempo passando, você começa a pensar no que fez, né? Mas as coisas aconteceram como tinham de acontecer, dando certo para eu jogar o segundo jogo no Pacaembu. Não sei como seria o sentimento de ficar fora do jogo no Pacaembu (risos)

Depois do gol, como foi sentir a explosão da torcida do Boca Juniors ali na arquibancada atrás das redes? O que sentiu naquele momento? Medo de ver o Corinthians morrer na praia?
Em momento algum nosso time se abalou com isso. Era um time calejado, experiente. Tivemos tranquilidade para empatar o jogo. Depois, em casa, vocês viram o que aconteceu. O Corinthians foi muito superior à equipe do Boca. Nosso time estava muito maduro, muito concentrado, como o Tite falava. Sempre mantivemos a calma. Se a gente tivesse entrado em desespero poderíamos ter tomado três, quatro e aí teria ficado difícil.

Você, àquela altura, era um dos jogadores com mais tempo de casa no Corinthians. De que forma isso te ajudou? Isso serviu para você ajudar outros jogadores também?
A gente passava tranquilidade, né? Já havia passado por muita coisa no clube. Existia a cobrança, então sabíamos da importância do título, entrar para a história do clube. Dificilmente isso vai ser apagado, né? Está escrito lá, ninguém apaga. Tentávamos passar isso para todos lá. Isso de poder entrar para a história do clube.

Cinco anos depois, já caiu a ficha, já dá pra ter noção do que significou a conquista da Libertadores pelo Corinthians? Ser titular naquela conquista...
Hoje dá pra ter mais noção. Sou reconhecido por esse título, pelo Mundial... Mas a Libertadores é o que marcou, né? Eu sou um privilegiado por estar no lugar certo e na hora certa e conquistar esse título e entrar para a história do clube. É uma coisa que vai para o resto da vida.

Gostaria de fazer uma consideração final?
Queria aproveitar o espaço aí para mandar um abraço para o torcedor e mandar parabéns pelo aniversário de cinco anos da Libertadores.

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