Meu Timão vai a Curitiba na caravana da Gaviões; veja passo a passo das oito horas de viagem

Meu Timão vai a Curitiba na caravana da Gaviões; veja passo a passo das oito horas de viagem

Reportagem acompanhou caravana de uniformizada do Timão rumo a Curitiba

Reportagem acompanhou caravana de uniformizada do Timão rumo a Curitiba

Foto: Rodrigo Vessoni/Meu Timão

O convite para o Meu Timão participar de uma caravana da maior torcida organizada do Corinthians já estava na mesa há algum tempo. Na manhã de segunda-feira, fui lembrado do mesmo por Danilo Augusto, dono do site. Que veio junto das perguntas: "O que acha de ir para Curitiba? Topa?". Um telefone aqui, outro ali, a confirmação que o convite seguia de pé e... tudo certo: quarta-feira, 7h30, na quadra da uniformizada no bairro do Bom Retiro, Zona Oeste da capital paulista.

Passei pelo portão da quadra no horário combinado. Naquele momento, apesar da manhã estar apenas começando, alguns torcedores já estavam no aguardo da saída dos ônibus, marcada inicialmente para as 8h. Fui orientado a procurar a sala da tesouraria, onde um dos responsáveis pela caravana poderia me ajudar com mais informações.

Do outro lado da mesa Fábio, diretor de caravana. Fantasma, como é chamado pelos amigos - ter apelido para facilitar a comunicação é tradição numa torcida organizada -, me explica que a saída deve demorar um pouco, pede para eu sentar e aguardar. Aproveito, então, para carregar meus dois celulares, já que viriam ao menos seis horas de estrada pela frente, sem qualquer perspectiva de ver uma simples tomada.

Os torcedores que chegam para comprar suas passagens - R$ 70 (sócio em dia), R$ 80 (sócio em atraso) e R$ 90 (não-sócio) -, são orientados a ter paciência, já que o início da caravana deve acontecer por volta das 10h. Alguns, em tom de brincadeira, reclamam da marcação para duas antes. A resposta é automática: "Se marca 10h, saímos 13h e não chegamos na hora do jogo". Todos sabem disso. É assim desde sempre. Mas ninguém perde a chance de brincar com a liderança.

Torcedores chegaram à quadra da Gaviões logo pela manhã

Torcedores chegaram à quadra da Gaviões logo pela manhã

Rodrigo Vessoni/Meu Timão

O papo principal é a postura da diretoria do Atlético Paranaense, que obriga a compra dos ingressos de forma individual, com todos os dados cadastrais e ainda a necessidade de acessar a Arena da Baixada com biometria (identificação por meio da digital dos dedos). "Tinha que comprar o ingresso bem antes, muita gente não vai na caravana porque não sabia dessa burocracia. É o futebol de hoje...", lamentou um dos torcedores. "Eu nem sabia como comprar pela internet, um amigo que me ajudou", explicou outro. "Precisa imprimir o voucher da compra?", questiona um terceiro.

A burocracia imposta pelo Atlético Paranaense, exclusiva em todo o país, atrapalhou. Mas não foi capaz de evitar que dois ônibus partissem rumo a Curitiba. O horário? Quase 11h, três horas após o divulgado. Ainda em São Paulo, uma rápida parada num posto de gasolina para comprar gelo, fundamental para complementar as caixas de cerveja que já estavam no ônibus.

Antes de pegar estrada, organizada parou em posto de gasolina para comprar gelo

Antes de cair na estrada, organizada parou em posto de gasolina para comprar gelo

Rodrigo Vessoni/Meu Timão

Começa a viagem com previsão mínima para sete horas. Entre os 45 passageiros, mulheres, um cadeirante e um deficiente visual. Alguns já iniciam a soneca, outros preferem fazer o tempo passar com a popular resenha. Os assuntos? A possibilidade do título do Corinthians, caravanas antigas com todos os obstáculos e problemas e o Dérbi do último domingo que, na visão de todos, foi vencido mais pela arquibancada do que no campo.

A primeira parada aconteceu na cidade de Juquiá (SP), a cerca de 160km da capital paulista. Assim que os ônibus pararam, os funcionários isolaram a entrada com a intenção de minimizar o fluxo dentro do estabelecimento. "Isso é normal para nós. Uma fama ruim construída ao longo dos anos, por preconceito e também por culpa de todas as torcidas do Brasil", explicou Rodrigo Azevedo, o Diguinho, presidente da Gaviões.

Local da primeira parada da caravana

Juquiá: local da primeira parada da Gaviões

Rodrigo Vessoni/Meu Timão

Um funcionário explica que o prato feito do dia, a R$ 12,90, não será possível de ser feito para os todos os torcedores. "Eles têm condição de fazer uns 20 marmitex, temos de nos acertar aqui", gritou um dos líderes. Alguns salgados ali, outros lanches ali... e todos deram um jeito para forrar o estômago, assim como eu fiz com meu misto quente.

O tempo e os quilômetros passavam, as conversas sobre a equipe, a elitização dos estádios e o último Dérbi ajudavam a chegar cada vez mais perto da Arena da Baixada. Fantasma segue trocando mensagens com um dos comandantes da Polícia Rodoviária do Paraná. "Eles vão parar os ônibus daqui a pouco e farão a revista. Normal. Faz parte", explicou.

E o momento chegou. A cerca de 60km de Curitiba, um grande aparato policial esperava por nós. Carros e policiais bem armados pararam os dois ônibus. Na sequência, fizeram o retorno dos veículos no pedágio para chegar ao posto policial. Fantasma desce antes e conversa com o comandante. Fica acordado que as quatro mulheres e eu, repórter, seremos os primeiros a descer. Combinou-se também que o cadeirante, que estava na primeira fileira, poderia permanecer dentro para ser revistado.

Fila indiana dos homens, na qual fui inserido, e três fileiras são formadas, como se todos estivessem num quartel do exército. Rosto virado para o mato, cabeça baixa, mão para trás. "Se colaborarem, será rápido. Se tiver palhaçada, haverá consequências", grita um dos policiais. A revista começa e de forma minuciosa. Cada pedaço das bolsas, todos os bolsos das calças e blusas... nada passa despercebido. O clima é tenso, mas o trabalho segue. Ninguém fala nada nem contesta. Apenas eu, que faço questão de me apresentar ao comandante, mostrando meu RG e carteirinha da Associação dos Crônicas Esportivos do Estado de São Paulo.

Revista policial na beira da estrada: rotina para integrantes de uniformizadas

Revista policial na beira da estrada: rotina para integrantes de uniformizadas

Rodrigo Vessoni/Meu Timão

O comandante, então, me pergunta que horas começará a partida - já havia perguntado antes a um torcedor contra quem seria. Eu respondo que iniciará às 21h. Ele, automaticamente, olha para o relógio. A preocupação é tentar não atrapalhar a chegada ao estádio, já que o GPS ainda aponta cerca de 60km até o palco do jogo. Fim da inspeção. Converso rapidamente com o comandante, que explica ser um procedimento normal. No ônibus, como não poderia ser diferente, a conversa fica no entorno da revista. "Foi suave. Desta vez, a coisa foi bem tranquila", diz um. "Já tivemos outras situações bem mais difíceis", relata outro. O papo rola solto enquanto os integrantes do segundo ônibus vivem a mesma situação do lado de fora. Cerca de uma hora depois, partimos rumo a Curitiba. À frente, a mesma polícia fazendo a escolta...

Já na capital do Paraná, os ônibus chamam atenção de curiosos, a pé ou de carro. Alguns filmam a passagem dos veículos. Outros gritam. Enfim, o setor visitante da Arena da Baixada. Fim da viagem de oito horas de São Paulo até Curitiba. Muita coisa? Cansativo? Não para esses torcedores, que farão isso para o Rio de Janeiro contra o Flamengo e Pernambuco contra o Sport. Se vale a pena? Para eles vale. E muito. O que alguns chamam de loucura, eles chamam de amor ao Sport Club Corinthians Paulista.

Caravana chegou à capital paranaense no início da noite

Caravana chegou à capital paranaense no início da noite

Rodrigo Vessoni/Meu Timão

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