Oposição desde sempre, Romeu Tuma Jr. fala ao Meu Timão: 'Não faço promessas, assumo compromissos'

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Romeu Tuma Jr. falou ao Meu Timão em seu comitê no bairro do Belenzinho

Romeu Tuma Jr. falou ao Meu Timão em seu comitê no bairro do Belenzinho

Meu Timão / Larissa Lima

Com o fim do Campeonato Brasileiro e da temporada de 2017, a partir desta segunda-feira, o Meu Timão entra em campo para acompanhar de perto todos os passos da eleição à presidência do Corinthians, marcada para o dia 3 de fevereiro do próximo ano. E o pontapé inicial será o de oferecer espaço aos quatro pretendentes ao principal cargo do clube mais vencedor da década e do Século 21. As entrevistas com os quatro candidatos já foram realizadas.

CANDIDATOS AO MEU TIMÃO:
Andrés Sanchez: "Institucionalmente o Corinthians deu uma parada"
Antonio Roque Citadini: "O Corinthians é o Corinthians e basta"
Felipe Ezabella: "Clube ainda é muito dependente da receita de TV"
Paulo Garcia: "Clube precisa ter um plano diretor de dez anos"

Romeu Tuma Jr. foi o primeiro a falar de suas impressões sobre o atual momento do clube social e também de tudo que envolve o futebol profissional, além, é claro, de contar seus planos de governo para o triênio de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2021.

Considerado o opositor mais ferrenho do atual grupo político que está à frente do clube há 11 anos, o candidato garantiu que o Corinthians será mais transparente na sua gestão, afirmou com veemência que vai encarar a dívida da Arena com Odebrecht e Caixa, avisou que baterá de frente com atual parceira na venda de ingressos (OMNI), entre outras metas.

'Eu não faço promessa, assumo compromissos', avisou.

Além de Romeu Tuma Jr., a chapa Democracia Corinthiana Participativa tem Luiz Carlos Bezerra e Ilmar Schiavenato como candidatos à vice-presidentes. Na capa do site oficial, o recado aos que pretendem acompanhá-los: 'Se você também acredita que o Corinthians precisa de uma faxina, participe do nosso movimento.

Acompanhe os principais trechos da entrevista exclusiva

Romeu Tuma Jr. falou ao Meu Timão em seu comitê no bairro do Belenzinho

Romeu Tuma Jr. falou ao Meu Timão em seu comitê no Belenzinho

Meu Timão / Larissa Lima

Meu Timão: O que levou você a montar a chapa e a lutar pela presidência do Corinthians?

Romeu Tuma Jr.: Discutir projetos, não impor ideias. Como não houve essa possibilidade de união, ninguém encampou essa ideia, esse grupo se viu um pouco frustrado. Em um determinado momento, fui sondado por esse projeto e o pessoal pediu que eu encampasse essa função e levasse o projeto à frente. Me pediram para que eu fosse candidato. Eu olhei e disse: 'Se eu for candidato, não volto atrás, não tem retrocesso'. Até porque no clube tem esse problema, as pessoas saem candidatas e depois assumem um cargo, uma função, e deixam o seu eleitorado frustrado. O grupo vê essa eleição diferente por conta do modelo de Chapão (200 conselheiros eleitos pelo presidente vencedor), que acabou, e agora nós temos as chapinhas (de 25 conselheiros cada, com as oito mais bem votadas eleitas). O sócio vai votar efetivamente no seu representante, aquele que representará suas ideias, suas propostas, seus anseios. Não vai ser mais aquele Chapão que acaba sendo uma massa de manobra, um voto de cabresto. Queremos esclarecer o sócio e comparar projetos e ideias.

Muita gente reclama da falta de transparência dos números e cifras. É possível melhorar isso?

Sem dúvida. Estou há 22 anos na oposição e bato nisso constantemente. Eu fui um sujeito que trabalhei na vida pública durante a minha trajetória profissional. Sempre fui cobrado pela imprensa, pelas pessoas que trabalho, no núcleo social. Precisei prestar conta no Tribunal de Contas, no Ministério Público, prestar conta para a Corregedoria. Para um trabalho com transparência, você precisa prestar contas. E o clube não tem feito isso, por isso somos tão incisivo, por isso cobramos tanto do Conselho. Esse é o modelo de administração que você tem que exercer. Quem não quer esse encargo não tem que se propor a administrar nada.

O Corinthians não tem nenhuma transparência. O presidente, inclusive, sofreu um processo de impeachment justamente por isso, por não apresentar contratos ao órgão fiscalizador, que é o Conselho Deliberativo. Hoje, isso é agravante. Você tem a legislação que exige isso, tem o Profut, a Lei Pelé, que exige absolutamente transparência em tudo. O torcedor está certo em reclamar, nós conselheiros reclamamos duramente disso. Não teria cabimento eu ser candidato e praticar aquilo que eu prego no dia a dia de maneira diferente.

É óbvio que nós vamos ter transparência, só assim você consegue possibilitar novos parceiros, com empresas sérias, que queiram se associar ao Corinthians, que queiram patrocinar o Corinthians. Nós vamos colocar de cara uma diretoria de compliance (conjunto de disciplinas para fazer cumprir normas e regulamentos) com auditoria independente. Só assim você consegue ter uma empresa, uma marca forte hoje tem dia. Que traga credibilidade para os investidores.

Nós temos que ter transparência absoluta no orçamento. O orçamento do Corinthians é uma coisa monstruosamente escondida, não acompanha nem o que é estabelecido pela Lei Pelé. Nós temos que ter um orçamento participativo, dividido por área. Cada esporte, cada área administrativa com seu recurso. Se colocar isso na internet, o diretor vai ser fiscalizado pela própria sociedade corinthiana, de como ele executa o orçamento, se o recurso está sendo bem executado, se as obras estão sendo realizadas, se o time está sendo montado.

Queremos credibilidade para atrair novos investidores, de alto calibre. Patrocinadores que venham agregar a marca, não uma camisa como se fosse um outdoor ambulante com patrocinadores que não agregam nada. O Corinthians fica promovendo marcas que não têm nenhum tipo de conhecimento por parte do público.

O que pensa sobre o atual momento financeiro do clube?

Primeiro: essa situação (atual grupo político) pegou o Corinthians e se dizia quebrado com uma dívida de 40 milhões de reais. Hoje nós temos uma dívida aparentemente de R$ 400 milhões, digo assim porque é uma caixa preta, a gente nunca sabe o que acontece, se (a dívida) está maquiada ou não. Agora temos que ter um projeto para tentar sanar. Você primeiro tem que acabar com os intermediários, com os dutos onde o dinheiro do Corinthians é desviado. No Corinthians hoje tudo que é feito tem um intermediário ganhando dinheiro. É ingresso para intermediário, é Fiel Torcedor, passe de atleta, categoria de base com 80% de passe na mão de empresário. É preciso acabar com essa fonte, que desvia recurso do Corinthians. Só isso e você já tem uma arrecadação garantida. É deixar de gastar mal, deixar de gastar recursos com aqueles que vivem do Corinthians.

Segundo, você precisa ter uma relação de credibilidade. Com isso, eu posso atrair efetivamente grandes parceiros, que hoje deixam de investir no clube porque não sabem para onde vai esse dinheiro. Se não tem um compliance, regras claras, prestação de contas, as pessoas não investem dinheiro. Você não aposta em outras categorias, só no futebol, se fecham as fontes de receita. É preciso apostar no esporte olímpico, no basquete... o Corinthians já foi campeão mundial de basquete. Hoje não tem nem basquete profissional. São fontes de receita que nós vamos buscar.

Nosso marketing é praticamente inexistente. Temos uma empresa que faz o licenciamento, que é intermediária e arrecada mais do que o próprio clube. Montar uma diretoria de licenciamento dentro do marketing será uma medida imediata que tomaremos. O Corinthians vai ter uma arrecadação muito grande e ainda vai baratear o produto para o consumidor. Secar as contas para terceiros é um jeito de sanar o problema que temos de caixa. A marca precisa ser bem gerida, precisa ter profissionais nas áreas para que possa render dinheiro.

Temos que ter uma visão macro, visão estratégica que planeja o orçamento do clube para daqui cinco ou dez anos. É isso que não acontece. O Corinthians precisa de uma administração que pense no clube como uma nação. Nós, corinthianos, costumamos falar que o Corinthians é uma nação, então precisamos de uma gestão que o administre dessa maneira. Que crie não uma diretoria, mas um ministério. As pessoas tem que ter responsabilidade para administrar o Corinthians e é o que nós vamos fazer.

Sobre a base, como vê a atual situação nas categorias inferiores? Qual percentual mínimo que o clube deve ter dos garotos?

Eu não faço promessa, assumo compromissos. Primeiro: vou criar um superintendência de futebol, que administrará o futebol profissional, a formação, o feminino e o master, que será uma forma de arrecadação de renda e de respeitar nossos ex-atletas que fizeram história. Vamos criar um time master profissionalizado, com pagamento aos atletas. Vamos contratar ex-atletas como olheiros para atuar na base. No futebol feminino, da mesma forma, desde a categoria de base até o profissional.

Falar numa base do Corinthians 100% do clube é falácia. Todo atleta que crescer no Corinthians vai ser 100% do Corinthians, mas eventualmente você pode trazer algum atleta que já tenha seus direitos amarrados a outro clube. Porém terá de ser no mínimo 80% do Corinthians. Na minha administração, menos de 80% não veste a camisa do Corinthians. É preferível não ter o jogador do que entregar para terceiros. Eu já fiz isso quando eu era vice-presidente de futebol entre 1994 e 1995.

Agora, você tem que criar uma estrutura para a categoria de base. Hoje, o Corinthians joga a Copa São Paulo e ganha várias vezes, mas é uma time que não é nosso. Vai buscar jogadores, pega emprestado, monta um time, joga a Copinha, mas os jogadores não ficam no clube. Precisamos promover uma integração como o do Cifac, hoje está só vinculado ao futebol masculino, nós vamos mudar o nome do Cifac. Será o Centro de Integração e Formação de Atletas com Cidadania Feminino e Masculino. O filho do sócio praticará o esporte em qualquer categoria, basquete, futebol de salão, vôlei, futebol... se essa criança quiser se profissionalizar no esporte que lhe é adequada, vai subir para a categoria de base do esporte. No caso do futebol, nasce no Corinthians o que vai ser chamado de “maternidade do atleta corinthiano”. Então, ele já fica com 100% do passe para a gente. Se nosso olheiro identificar em outro clube e quiser vie para cá, só com 80% dos direitos para o Corinthians. Se não vier, paciência.

Romeu Tuma Jr. quer minimizar os gastos com os emprestados

Romeu Tuma Jr. quer minimizar os gastos com os jogadores emprestados

Meu Timão / Larissa Lima

Como minimizar o gasto com atletas emprestados que tanto oneram o clube durante uma temporada?

É evidente que a comissão técnica tem que começar a definir os atletas que devem jogar no seu clube, devem jogar no seu time. Dentro de alguns parâmetros. Não dá para você contratar demasiado e é o que acontece no Corinthians. Interferência de terceiros, empresários que obrigam a comissão técnica a engolir certos jogadores. Aí, você fica com um jogador ganhando 500 mil por mês sem jogar. Pior que isso, empresta para outros clubes e fica pagando salário. É uma renda que podia estar sendo investida no basquete, no vôlei, para manter um time de ponta e você precisa usar barriga de aluguel. Não vamos permitir, vai acabar. Certamente isso está beneficiando alguém, menos o Corinthians. Se for montar um plantel, a comissão técnica tem que discutir com a diretoria para que ache alguns parâmetros e eu traga aqueles jogadores que vão cumprir as posições. É assim que tem que se trabalhar, não dá pra contratar a rodo. Evidente, contratar cinco, quatro ou seis jogadores, alguém pode não dar certo e isso faz parte. Isso não vai mudar, futebol é assim. Agora, se traz 40 atletas, é evidente que você está fazendo um trabalho que não está sendo honesto.

Como resolver a dívida da Arena com a Caixa e a Odebrecht? O que é possível ser feito?

A Arena é do Corinthians, até o terreno é nosso. Nós só precisamos limpar o que tem na frente. Quero criar uma superintendência para cuidar da gestão da Arena. Nós precisamos enfrentar dois grandes problemas: a questão da Odebrecht e a questão da Caixa. Até para que o Corinthians se livre dessas pseudo parcerias e possa fazer uma gestão lucrativa para o clube, para que possa ser rentável. Hoje ela é absolutamente deficitária, o clube não arrecada nada. Pelo contrário: os recursos do sistema social são investidos na Arena para poder pagar porque a conta nunca fecha.

Para resolver o problema da Odebrecht, nós temos duas saídas, uma mais radical e outra um pouco menos. Entregar a CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento emitidos pela Prefeitura) para a Odebecht. Dizem que nós devemos para a Odebrecht, mas a construtora deixou de entregar obras importantes, fez obras mal feitas, nos causou danos morais por obras que não foram finalizadas e o Corinthians deixou de arrecadar muita grana com isso, além de ser colocado nas páginas policiais. O próprio dono da Odebrecht confessou em delação que o estádio iria custar R$ 350 milhões. Ora, se custou R$ 2 bilhões, ele que explique essa diferença. Para onde foi esse dinheiro? Essa é uma saída.

A outra é chegar na Caixa e negociar o valor. O empréstimo foi de R$ 400 milhões? Não vamos pagar isso. Nós podemos pagar 150, 200 milhões fazendo um acordo e ter cinco anos de carência no mínimo para começar a pagar isso. Todos os estádios que sediaram a Copa tiveram essa carência, o Corinthians não teve isso. Temos essa carência, pagamos um valor anual e, durante esse período, se faz a gestão do estádio, com aquilo que está sendo arrecadado pelo clube. Homologa esses valores para a Lava Jato, para não correr o risco de amanhã alguém querer sequestrar o estádio por conta das delações e desvios que foram delatados, e o leve a leilão. O Corinthians é vítima nessa história.

Outra forma: a Odebrecht já usou uma parte da dívida. Hoje a dívida parece, não podemos dizer com perfeição os números, que gira em torno de R$ 300 milhões. Você pega a CIDs, leva na Caixa e fala: 'Está aqui o empréstimo, o seu problema com a Odebrecht vocês resolvem'. A Odebrecht confessou que desviou recurso, falaram que iria custar R$ 350 milhões e gastaram R$ 2 bilhões, o problema é da Caixa e da Odebrecht. Se a Caixa aceitar, deposita em juízo. Está resolvido. A Arena é nossa, porque no papel ela não é nossa, e trazemos esse contrato com naming rights. Porque não adianta criar uma ilusão que vai encontrar um parceiro e entregar todo o recurso para a Caixa. Só vai transferir o problema. Vamos ficar sem arrecadar e nós precisamos arrecadar, até porque a renda foi construída de uma forma sem se pensar. Ela tem um custo alto de manutenção, você não tem uma placa de energia solar por exemplo. São coisas que precisam ser revistas, nós vimos na auditoria e eu contestei isso na auditoria. O estádio não tem segurança 100%, talvez seja necessário fazer obras lá e se gasta para isso. Não vou deixar a torcida correr riscos. São coisas que precisam ser pensadas e eu só tenho essas duas saídas: tirar a Odebrecht e a Caixa do negócio; e o Corinthians fazer a própria gestão do estádio.

Arena é um sucesso de público nos jogos do Corinthians. Acha que outros eventos são necessários?

Sem dúvida, tem que ter um projeto disso. Precisa regularizar a situação do estacionamento, o Corinthians tinha uma organizadora que sequer estava regularizada para isso. O estacionamento não está licenciado para funcionar 24 horas, nós temos um metrô ali perto e ele poderia funcionar durante a semana. O Corinthians precisa de uma empresa que cuide disso, por uma taxa pequena, ou o próprio clube tem que fazer essa gestão. Você fazer um museu na Arena. Nós temos o Memorial do Parque São Jorge... por que não podemos fazer isso estilo Madame Tussaud (museu de cera)?. Faria um belo tour, que viraria um ponto de turismo nacional e internacional. Todo mundo que viaja para o exterior vai ao estádio do Barcelona, que não tem nada para ver, só tem o campo. Imagina um museu no estádio do Corinthians, nós temos uma grande área, dá pra fazer muita coisa ali, até shopping dá para fazer. Então, tem muito recurso, muita coisa que dá para fazer para agregar renda ao estádio. Precisamos ter o estádio sob nossa administração, é isso que precisamos fazer. Com cabeças pensantes na área de marketing você consegue atrair esses investidores.

Sobre a venda de ingressos... o que pensa sobre o Fiel Torcedor? É possível melhorar?

Eu acho que é muito mal gerida. O programa do Fiel do Torcedor é seletivo, é caro, não tem uma política de ingresso. Quem definiu os valores acho que foram até a Odebrecht e a Caixa. O Corinthians não tem a maleabilidade de mexer no valor. Se tem jogo, quem compra é quem está no Fiel Torcedor. E quem não está não compra, o que aliás é um programa de fidelidade que você paga. Programa de fidelidade todo mundo tem, até empresa aérea, mas você não paga. Você tem que pagar o mais barato, porque tirando a torcida organizada, tem que pagar R$ 40 por jogo só para ver o Campeonato Brasileiro. São 19 jogos, vamos colocar uma média 20, são R$ 800 e mais anuidade, são R$ 1.200. É um programa elitizado. Se quiser comprar um jogo do Corinthians amanhã não consegue, tem que estar em dia com o seu plano pagando dois, três anos, ou você volta para a fila. O sócio do Corinthians não tem direito a comprar ingresso, ele não é incluso automaticamente no Fiel Torcedor. Quem vai ao estádio do Corinthians hoje é só uma camada elitizada, e essa administradora do programa fica com quase 50% do recurso. É mais uma renda que o clube não recebe, é um absurdo, nós precisamos rever a política do ingresso. Socializar o acesso à Arena, mexer nos preços dos ingressos dependendo das partidas. Tem jogo que tem que custar mais caro. É um espetáculo, tem jogo que é mais barato e jogo que é mais caro. Tem que atrair o público conforme o desempenho da equipe, conforme o campeonato.

E sobre a OMNI, o que pensa da empresa que administra o Fiel Torcedor?

É uma relação promíscua, criaram essa empresa para administrar tudo que aparece pela frente. Estacionamento, quem administra? Bota a Omni. Fiel Torcedor? Dá para a Omni. Eu vou tirar isso do Corinthians, vou rever todos os contratos, vou contratar uma das quatro maiores empresa de auditoria para rever todos os contratos. Nós precisamos rever isso com transparência. Só uma big four para atuar no Corinthians. Aquilo que for mal, vai ter que descartar. Aquilo que der prejuízo, vamos correr atrás desse dinheiro. O que for bom, que eu não acredito que haja muito, nós vamos manter. O resto vamos renegociar. Mas de cara eu te falo: a Omni tem que sair. Ela é prejudicial ao clube. O próprio presidente atual dizia no conselho que era um contrato maléfico, mas continuou reformando, dando espaço, abrindo novas perspectivas. Eu não entendo isso. Eles tinham que realizar algumas melhorias, algumas garantias, que eu não acredito que tenham feito. Vamos descartar isso.

O que pensa sobre os sócios-torcedores com direito a voto?

Eu acho que tem que deixar com o sócio. Primeiro porque o sócio-torcedor é um programa que está muito mal elaborado, não temos controle e tem que ser reformulado. Segundo porque o sócio do Corinthians não é sócio-torcedor. Terceiro que o sócio tá mal cuidado, não tem benefício no clube. Nós precisamos aumentar o número de eleitores, mas aumentar os associados. Criaram as regras para manter esse eleitorado pequeno e se garantir na eleição. O sócio do Corinthians paga uma mensalidade familiar de R$ 160, se vai na academia ele paga mais R$ 70, se vai na piscina ele gasta mais R$ 10 de exame médio e assim sucessivamente. Ele gasta quase R$ 500 por mês se for o sócio familiar.

O clube não tem atração para criança, para mulher, não tem atração nenhuma. As pessoas ficam bravas, mas eu falo a verdade: o Corinthians hoje virou clube de bairro, sem nenhuma atração, só dá para fazer churrasco. Você vai no final de semana só tem família com caixa de isopor, carne e cerveja, porque se comprar cerveja lá dentro é mais caro. O sócio não tem benefício, o Parque São Jorge tá sujo, mal cuidado, as paredes sujas, não tem papel higiênico no banheiro. A gente reclamou na imprensa, eles foram lá e colocaram papel higiênico e saboneteira. Não tem lugar para trocar fralda no banheiro, não tem espaço para família, não tem espaço para a mulher cuidar de filho. Não existe acompanhamento para as crianças brincarem no parquinho. Se chover? Esquece, não tem jeito.

É mais barato ir no Ibirapuera. O sócio paga uma taxa alta, não estamos tendo êxito com os sócios. A academia então, não tem nenhum professor que acompanhe a mulher, tá correndo na esteira e não tem ninguém para falar que tem que ser assim ou assado. Não tem espaço para futebol de salão, não tem mais nada. Assim que eu ganhar, a primeira coisa que vou fazer é colocar um prefeito no Parque São Jorge. Alguém para cuidar, um zelador, que cuide de cada calçada deslocada, cuidar de tudo, para ter um canal de comunicação para você reclamar das coisas. Hoje você vai reclamar e 'fala com o financeiro, fala com o departamento social, fala com a administração'. O presidente não frequenta o clube. Tem que ter um prefeito para cuidar e o presidente tem que prestigiar o sócio, fazer melhorias, cuidar da quadra. Ninguém pensa no associado.

Acha que é possível fazer algo com a Fazendinha?

Temos um projeto para fazer uma Arena pequena lá para mandar jogos do futebol feminino, para mandar jogos da base, do master, para futebol americano. Dá pra fazer muita coisa, festa eventos, esportes, pista de atletismo. Nós vamos revitalizar, aquilo é muito importante. Inclusive o estacionamento, nós vamos fazer um estacionamento subterrâneo na Fazendinha, nós temos um problema de vaga. Os carros têm que parar na rua e pagar para um flanelinha. O Corinthians perdeu aquela rua da frente por conta disso. A Fazendinha é nossa joia da coroa, não podemos deixar ela lá. É um estádio que cabe quase 20 mil pessoas. Para ficar tranquilo, de 15 a 18 mil pessoas. Não pode deixar aquilo a Deus dará. Pode fazer eventos de final de semana, trazer atletas, porque o profissional se distanciou do clube. Tem que reaproximar. O sócio gosta de ver nosso atleta e isso ajuda a reforçar nossa marca. O atleta que não pode jogar no final de semana, tem que ir no clube. Atender as famílias, os jovens, dar autógrafo, participar de evento. Trazer atletas de master para lançamento de livros. Eventos que contam a história do clube, o Corinthians vive de sua história. Arrecada, faz renda. Tem muita coisa que o Corinthians pode fazer para fazer recurso, fazer caixa, gerar dinheiro. Você precisa de boas ideias e boa vontade.

O que pensa sobre o departamento de futebol profissional? O que pode ser melhorado no CT?

Fui vice-presidente de futebol entre 94 e 95, desde lá a gente está disputando títulos. Acho que só não disputou entre 2006 e 2007, quando Andrés assumiu e deixou o time cair, já que o Corinthians não estava na zona de rebaixamento, deixaram cair para falar que ia subir. O Corinthians disputa título desde então e a gente vai continuar fazendo isso, vamos continuar ganhando títulos. É a vida do Corinthians, e não tem presidente que assume e não vai ganhar campeonato. Montar grandes times, isso é o que a gente tem que fazer e vai continuar fazendo. O Corinthians não pode esquecer é das outras modalidades, que já levaram muitos títulos e que podem trazer renda, aumentar ainda mais nossa torcida e fazer a marca ficar conhecida no mundo todo.

Mas eu quero uma superintendência de futebol, com um administrador geral para tudo, para cuidar de que toda a área de futebol tenha a mesma estrutura e planejamento de metas. Agora, obviamente, tenho que ter um gerente remunerado nessas categorias e a comissão técnica, que tenha um plano de carreira interno, que pense no planejamento tático do Corinthians. Não pode a diretoria intervir. O Corinthians é blindado, e se a diretoria não atrapalhar, ele flui.

Você pega essa própria diretoria, com todos os defeitos e com tudo que tem feito de errado no clube, o Corinthians continua ganhando. Muito mais por competência da comissão técnica e da blindagem que tem lá, do que da própria diretoria. Carille foi descartado lá atrás. Tem nove anos de clube e ninguém viu, deixaram passar quatro treinadores antes dele. Tá aí, vencedor, muito estudioso. Nós vamos manter isso, melhorar a infraestrutura, dar apoio e estabilidade para o nosso futebol. Ter sorteio da Sul-Americana, com todo o respeito que ele merece, mas mandar o chefe da segurança para acompanhar é brincadeira. O Corinthians é uma instituição importante, você tem que mostrar que tem força e que não vai aceitar qualquer coisa para as federações. Lá atrás, em 94, eu já brigava e já me mostrava presente. Denunciava o que achava errado e a torcida passou a respeitar, pela presença. Quem vai e está fazendo as coisas. Vamos dar esse respaldo político e administrativo.

Por fim, qual recado daria para o torcedor do Corinthians?

Queria dizer que nosso objetivo é fazer do Corinthians um gigante. Administrar o Corinthians comandando o clube, não mandando no clube. Aliás, eu sou um dos únicos que vem da vida pública para a vida privada do Corinthians. Não vou usar o Corinthians de escada para a vida política, porque não preciso, já fui político. Quero que confiem no nosso projeto e, mais do que isso, não adianta reclamar do que está acontecendo no Corinthians, como está acontecendo com o Brasil, se a gente não se propuser a buscar efetivamente a mudança. Procure se atualizar, procure regularizar seu título - aqueles associados que não estão regularizados com o clube -, para votar. Independentemente de quem, vá e vote. Para que amanhã a gente não reclame do que está acontecendo no clube. Se a gente exercer nosso direito de voto ou mudança, ao menos a gente não vai chorar o leite derramado. Conte comigo, procure meu site, nosso projeto é aberto e procura ideias. É um projeto com o associado, como o comandante do Corinthians precisa administrar o clube. Queremos comandar o Corinthians e, para isso, eu preciso da sua ajuda e ver a sua ideia. Um grande abraço e obrigado.

Veja mais em: Eleições no Corinthians.

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