Rivellino evita polêmica, mas vê quê de corinthiano em Kleber

Rivellino evita polêmica, mas vê quê de corinthiano em Kleber

Amar um time de futebol não é coisa que se escolha, nem que se explique. Muitas vezes, as crianças adotam o time do pai como clube de coração e, geralmente, são paixões para a vida toda. Os torcedores vira-casacas são coisa rara, mas, quando o garoto entra para o futebol, a camisa de infância fica de lado, escondida no fundo do guarda-roupa. No caso do ex-meia Rivellino, que se consagrou no Corinthians, a tão querida camisa do Palmeiras não ficou nem mesmo dentro de casa. O craque é um vira-casaca assumido.

O “Reizinho do Parque São Jorge”, aliás, tem uma história que guarda leve semelhança à do palmeirense Kleber. Na última segunda-feira, vazou na internet uma ficha de inscrição do atacante, ainda garoto, na Gaviões da Fiel. Embora não confirme sua ligação com o Timão, o Gladiador já admitiu outras vezes que seu pai era corintiano e que o ídolo alvinegro Neto o inspirava. Rivellino evita entrar na polêmica, mas enxerga em Kleber características de um bom corintiano.

- Não sei se ele é ou foi corintiano, mas, antes de tudo, Kleber é um profissional. Ele tem de fazer seu papel, que é honrar a camisa do Palmeiras. O Gladiador é guerreiro, se entrega, cai, levanta, tromba. Se for analisar bem, Kleber tem todas as características do Corinthians (risos).

Ao contrário de Kleber, porém, a relação de Rivellino com seu time de infância é, com certeza, coisa do passado. Um obstáculo no caminho do “Patada Atômica” com o Palmeiras causou uma decepção que deu fim ao amor que vinha do berço.

- Eu era palmeirense, nunca neguei. Mudei porque fui tentar treinar no Palmeiras e fui recebido de uma maneira que foi uma decepção na minha vida. O Corinthians virou minha casa e se tornou minha segunda família.
O rancor com o Alviverde é coisa do passado, mas quando jogam Corinthians e Palmeiras, torço pelo Timão, sem dúvida. Se outro time vence o Palmeiras, fico contente também (risos)"
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Antes de se tornar o “Reizinho do Parque”, Rivellino tentou por três vezes passar pelas peneiras do Palmeiras. No entanto, o jogador foi recebido com muito descaso. O craque achou que o treinador não prestava atenção nos garotos que tentavam ingresso na equipe do Palestra Itália. O Corinthians, por outro lado, o recebeu de braços abertos e, em troca, ganhou um ídolo e um torcedor.

- No Palmeiras, o treinador me colocou em um grupo e nos falou que nem sabia se íamos treinar. E eu tinha sido convidado por um dirigente, não pedi para treinar. Não é porque era o Rivellino, mas, vai me desculpar, eu era diferente. Ficou um ressentimento. No Corinthians eu nem fiz peneira. No primeiro dia em que entrei lá, virei corintiano de coração por conta da recepção que tive.

Rivellino conta que o lateral Mendes, que era o capitão do juvenil naquela época, de imediato o levou para conhecer todo mundo. Ele se sentiu como um daqueles caras que são contratados a peso de ouro. Foi o que faltava para o jogador virar a casaca de uma vez. Com o Palmeiras, só sobraram mágoas, tanto que Rivellino tinha um prazer ainda maior em jogar contra o time de sua infância.

- O rancor com o Alviverde é coisa do passado, mas quando jogam Corinthians e Palmeiras, torço pelo Timão, sem dúvida nenhuma. Se outro time vence o Palmeiras, fico contente também (risos). O Alviverde não me diz mais nada.
Rivellino e pássaro (Foto: Marcos Guerra)Rivellino cita Ronaldo como exemplo de craque que
sempre honrou outras camisas (Foto: Marcos Guerra)

Às vésperas de mais um clássico entre Corinthians e Palmeiras, Rivellino se diz confiante para o confronto “enroscado”, apesar de o seu time de infância ter Kleber como referência. Rivellino ressalta as diferenças entre as duas histórias e aponta Ronaldo e a si mesmo como exemplos de que é possível deixar o time do coração de lado quando se entra em campo.

- Meu caso é um pouco diferente, porque Kleber nunca foi jogar no Corinthians. Dá para separar as coisas. Eu, por exemplo, saí do Corinthians, fui para o Fluminense e joguei a mesma coisa. Até fiz três gols contra o Timão no meu reencontro com a camisa do Tricolor. O Ronaldo também, sempre disse que tinha admiração pelo Flamengo, mas veio para o Corinthians e adorou tanto que ele mora em São Paulo e tem as coisas dele tudo aqui. O Kleber tem de fazer o papel dele, que é honrar a camisa do Palmeiras.
Só tenho a agradecer ao Corinthians. Se fosse depender do Palmeiras, não seria campeão do mundo em 70"
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Rivellino rasga elogios ao Gladiador, mas não acredita que Kleber “jogue com a camisa do Corinthians por baixo da palmeirense”. Coisa de que já foi acusado. Na final do Paulistão de 1974, ele foi considerado pela imprensa como o responsável pela derrota por 1 a 0 diante do Palmeiras. As críticas foram tão pesadas que o craque se viu em uma situação de ter de deixar aquilo que chamava de casa. Justamente a antiga paixão pelo Palmeiras foi pivô da saída do meia do Timão. Depois de 37 anos e de lavar a roupa suja, Rivellino não guarda mais rancor dessa separação.

- Na época até disseramdisseram que eu joguei com a camisa por baixo, depois vieram me pedir desculpas. Sempre dormi tranquilo. Minha consciência está leve porque sei que cumpri meu dever. Só tenho a agradecer ao Corinthians, porque, se eu fosse depender do Palmeiras, não seria campeão do mundo em 1970. Disputei duas Copas do Mundo jogando pelo Corinthians. O Timão me deu tudo.

Desde que pendurou as chuteiras, Rivellino foi dirigente de clube de futebol e comentarista. Sem conseguir deixar os campos, agora ele divide seu tempo entre seus 16 pássaros e uma rede de escolinhas de futebol. As crianças até pedem para o “Tio Riva” ensinar seus truques. Ele tenta passar seus conhecimentos, mas não acredita que comanda uma “fábrica de Rivellinos”, já que, para o “Reizinho do Parque”, craque já nasce com o dom.

- Não se cria um jogador. Isso não existe. Ninguém me ensinou a jogar bola. Isso é um dom, é uma coisa com a qual se nasce. Dá até para jogar, ser útil, mas o craque não se forma. Pena que não dá para eu jogar mais. Deus podia ter “me alongado” um pouco mais, para ter o prazer de jogar uns 30 anos – lamentou o ex-jogador, que ainda troca alguns passes com as crianças, mas raramente encara as peladas.

Vira-casaca, Rivellino evita polêmica, mas vê quê de corintiano em Kleber

Fonte: .globo.com

Enviado por: marcos

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