Rosenberg sobre o estádio do Corinthians: 'Não queremos construir outro Engenhão'

Rosenberg sobre o estádio do Corinthians: 'Não queremos construir outro Engenhão'

Por Meu Timão

Rosenberg projeta ganhar até R$ 2 milhões por ano por camarotes

Rosenberg projeta ganhar até R$ 2 milhões por ano por camarotes

Foto: Tom Dib

O corintiano não vê a hora de, no dia 4, contra o arquirrival Palmeiras, comemorar o título brasileiro no estádio que adotou como seu: o Pacaembu. Porém, com mais de 15% das obras em Itaquera já concluídas, o torcedor intensifica o sonho de, daqui a poucos anos, poder acompanhar as conquistas em seu próprio estádio.

Em entrevista exclusiva ao LANCENET!, antes da vitória do Timão por 1 a 0 contra o Ceará, em Fortaleza, o diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg falou sobre o andamento das obras no local e sobre as perspectivas do marketing para o futuro próximo. Confira:

LANCENET!: Você vê as obras com qual grau de otimismo?
R: É uma fonte de alegria inesgotável. O clima dentro da obra é incrível, os trabalhadores assumiram aquilo como se fosse a casa deles. O tratamento que recebem é ímpar. Começa com café da manhã, assistem a palestras, o aniversariante do dia é homenageado, enfim, é um clima que contribui para essa velocidade que vemos. Mais uma vez, o Corinthians dá exemplo de ética, de como se trata fornecedores, trabalhadores. Esse estádio será um marco no futebol brasileiro.

LANCENET!: A obra tem superexposição na mídia. Ajuda ou atrapalha?
R: O site da Odebrecht tem imagens e informações dos quatro estádios: São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Salvador. Os outros três têm entre nove e 14 mil acessos/dia. O nosso tem 490 mil. Tudo na Fiel é de proporções gigantescas. A Odebrecht entendeu que ?aqui é Corinthians? e que é preciso ser transparente.

LANCENET!: Sobre a venda de camarotes, já dá para falar em valores?
R: Faremos a venda de uma forma democrática, por meio de leilão. Não há um dia que alguém não me pergunta sobre os aluguéis. Fizemos uma estimativa conservadora para encaixar na questão do pagamento do empréstimo junto ao BNDES. Não dá para chegar em menos de R$ 120 milhões ou R$ 140 milhões por ano de receita. Temos de pagar um financiamento em 12 anos. A prestação é na casa de R$ 40 milhões e o juros de 10%, estamos bastante confortáveis. Não temos um exemplo do que é o tratamento de um estádio tão moderno (no Brasil) e também não sei quanto vai pesar negativamente o fator distância. O imponderável é a paixão da Fiel. Não me assustaria se o aluguel fosse R$ 2 milhões/ano.

LANCENET!: O estádio terá cadeiras cativas? A venda será igual?
R: Você vende cativa quando tem problema no financiamento, quando a necessidade de gerar dinheiro faz com que você tenha que antecipar receitas. Não temos esse problema. Vamos começar a pagar o empréstimo com a obra terminada, com receita. Não faz sentido eu vender cativa. O que faremos é dar chance ao torcedor de comprar ingresso para o ano todo. Para facilitar, criaremos um esquema de reserva. Se em um determinado fim de semana ele viajar e não puder ir, revendemos o ingresso dele, cobramos uma taxa e damos um crédito a ele. Como se faz na Europa. É bom porque garante a lotação no ano inteiro, mais o esquema da revenda, você tem 120% de receita. O cidadão tem a vantagem de pagar um preço prefixado independentemente de ir à fase final da Libertadores ou do Paulista.

LANCENET!: Estádio novo será sinônimo de ingresso mais caro?
R: O Corinthians é o clube que tem maior participação na classe A. Sem dúvida, esse pessoal vai pagar caro para ir aos jogos. Mas não vamos nos esquecer da nossa base. O Corinthians faz o vídeo de um jogo, mas quem faz o áudio é a torcida organizada. Ela será tratada com muito carinho. Não será mais caro do que em 2012, com alguma correção da inflação. Nenhuma chance de a gente não lotar as populares com preços razoáveis.

LANCENET!: Os entraves já acabaram?
R: Tivemos problemas naturais para uma obra de 200 mil metros quadrados. Vamos manter um controle de custo dessa obra. Teremos uma força-tarefa para garantir a qualidade do projeto. Temos um exemplo e um fantasma que é o Engenhão. A última coisa que a gente quer é construir um outro Engenhão, que tem uma obra gigantesca, mas que por falta de visão de marketing durante a construção, está se tornando um elefante branco perigoso.

LANCENET!: E o naming rights? Qual o plano para a venda do nome?
R: Temos calma. Antes da designação formal da Fifa que teríamos a abertura da Copa, nem divulgamos nada. Existem interessados que nos procuram. Algumas agências de publicidade consideram o nosso estádio como o melhor produto para marketing. Quanto mais perto chegarmos a um número que seja espelho do que temos de pagar de financiamento, mais tranquila fica a situação financeira do clube. Trabalharemos com serenidade.

Fonte: Lancenet

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