Truco, faltas e amor corintiano: saiba história de Neto e seu pupilo Alex

Truco, faltas e amor corintiano: saiba história de Neto e seu pupilo Alex

Por Meu Timão

Dono de Libertadores e Mundial de Clubes, Alex sabe que precisa de um Brasileiro

Dono de Libertadores e Mundial de Clubes, Alex sabe que precisa de um Brasileiro

Foto: Satiro Sodré/AGIF/Gazeta Press

A passagem de Neto pela direção do Guarani em 2001 foi muito mais marcante para o clube do que se pode imaginar. A ligação quase umbilical com o Brinco de Ouro da Princesa fez com que ele participasse de questões das mais diversas, de extracampo e de gramado. Aos 34 anos, tinha entusiasmo para, por exemplo, grudar no pé de Alex. Hoje um dos destaques do Corinthians, líder do Campeonato Brasileiro, o meia deve muito de seu sucesso àquele que foi o primeiro padrinho no futebol.

Neto soube do talento de Alex que, cedido pelo Guarani à Pirassununguense, do interior paulista, cumpria mais um daqueles empréstimos protocolares. Ouviu o olheiro Donizete, solicitou seu retorno, ficou encantando pela batida de canhota na bola e passou a exigir dele um empenho quase militar: era necessário chegar cedo a treinamentos e exercitar, com faltas e escanteios, aquele que sempre foi o maior talento de Alex.

A relação profissional virou amizade, a ponto de ambos se reunirem para partidas de truco em Campinas, por exemplo. Em comum, desde ali, a paixão pelo Corinthians. Alex conta nesta entrevista exclusiva ao Terra que, em 1993, chorou como criança que era pela derrota, de 12 de junho, que encerrou o maior jejum da história do Palmeiras. Neto estava em campo.

Hoje, é Alex quem está em campo para tentar reescrever a história. Aos 29 anos, é a contratação mais cara do Corinthians desde Tevez (R$ 14 milhões) e o homem de quem Tite espera ser o craque do time. Se não é ainda um jogador que garanta 20 pontos ou 30 pontos para a equipe na Série A, brilhou em momentos cruciais, como nos empates fora de casa contra Vasco e sobretudo Internacional, entre outros. Campeão do mundo pelo time colorado em 2006, ainda falta a ele um Brasileiro. Há chances de pintar no domingo.

Confira a entrevista exclusiva com Alex na íntegra:

Terra - Você chegou com o campeonato começando, demorou a conquistar um espaço e se machucou duas vezes, o que também prejudicou. Como é para você entrar e sair do time em tantas ocasiões e não ser titular sempre?
Alex - Sem problemas e vejo de uma forma natural. Você chega, espera o seu momento, se adapta ao trabalho no dia a dia e venho trabalhando. Aos poucos, você se adequa às características e vai exercendo uma função. Não é nada fora do normal, para mim até agora é tranquilo. Estou feliz porque cada vez mais consigo me encontrar bem, me sinto cada vez mais à vontade e o pessoal também à vontade comigo.

Terra - O que você encontrou de mais difícil para uma boa adaptação ao Brasil no retorno?
Alex - Muda o trabalho do dia a dia, os jogos são mais difíceis e você tem a questão de chegar em um grupo novo, se habituar, ver a maneira que cada um gosta de jogar. São coisas naturais e todo mundo passa por uma adaptação.

Terra - Pela direita, pela esquerda, como armador ou como centroavante? Você atuou nas quatro funções, mas em qual prefere?
Alex - Ali do meio para a frente, com liberdade de chegada, tendo essa liberdade de movimentos. Quando atua aberto, você tem um esforço físico diferente. Para as minhas características, tenho que estar centralizado para dar um passe, para finalizar uma bola. Acho que é da maneira que venho jogando agora e é como fui contratado. Como tenho uma versatilidade, pude ajudar em outras funções. Acredito que é isso positivo.

Terra - Você iniciou a carreira como lateral e foi quase como atacante que se tornou um jogador decisivo no Inter em 2008. É exagero atribuir isso ao Tite?
Alex - Olha, cara. Exagero? Acho que não. Na verdade, foi da maneira que fui descoberto com o Abel (Braga) em 2008. Ele me colocou nessa função e o Tite falou 'não vou mexer no que está dando certo'. Eu jogava com bastante liberdade, num 4-3-3, com liberdade para jogar.

Sempre fui um lateral que marcava o necessário, vamos dizer. Lógico que o forte sempre foi o apoio, a condição física era para isso e tive bom resultado também. Caía pro meio, treinava pro meio, a qualidade era maior naturalmente. Começava na lateral, apertava e ia para o meio. Fui intercalando essas posições.

Alex atuava entre D'Alessandro e Nilmar, quase como atacante, no Internacional de 2008, único time brasileiro campeão da Sul-Americana. O trabalho se iniciou com Abel, mas decolou mesmo após a chegada de Tite

Terra - Você acredita que os treinadores do Brasil estão taticamente mais preparados atualmente em relação ao seu início no futebol?
Alex - Acho que os treinadores continuam entendendo. É óbvio que a troca de informações traz um conteúdo maior, mas os jogadores começam a perceber que a disciplina tática é muito mais do que importante. Antes, era tudo mais técnico, muito mais lento, cadenciado, pelo ritmo que tinha. Hoje, se não tiver boa parte tática, não vence e não consegue jogar. Isso vem de muito jogador que saiu, voltou e conhece, de treinadores fazendo intercâmbio fora também. A gente melhorou muita coisa.

Terra - Se esse time for campeão, como ele será lembrado? Daqui 10 anos, quando falarem desse time do Corinthians, o que vai passar na cabeça das pessoas?
Alex - É um time como time, com conjunto forte, com disciplina tática quase de europeu. Um time guerreiro, que não desiste nunca e por isso virou tantos jogos. É praticamente o mesmo time que fez um campeonato muito bom em 2010, da mesma forma, e acabou não vencendo no final. Com exceções, trocou alguns jogadores, mas a característica continua a mesma para contar nas histórias. É disciplinado, consciente, sabe o que tem que fazer, é sabedor das limitações, sem craques, mas acaba se adaptando.

O Corinthians é o líder de vitórias de virada no Brasileiro. São seis até aqui.

Terra - Esse time é nervoso demais? Tem muita pressa com a bola?
Alex - Isso é do conjunto. Queira ou não, mudam alguns jogadores, você vai amadurecendo, pegando isso para melhorar e saber enfrentar todas as situações de jogo da mesma forma. No momento bom, se consegue exercer com tranquilidade porque está confiante. Foi assim no início do campeonato, saiu perdendo do Vasco e continua na mesma batida para virar. No momento ruim se perde um pouco. Faz parte do amadurecimento de equipe.

Terra - O Tite concedeu uma entrevista ao Estado de S. Paulo e concordou que esse é um time sem craques, mas disse que você poderia ter assumido esse papel. Você acha que ainda pode assumir nos jogos finais e em 2012?
Alex - Não sei, falar em craque...posso ser importante, decisivo, em alguns jogos não se consegue ser. Falar é diferente de fazer, tem que procurar fazer, independente de ter uma denominação diferente, você será algo pelo que você fez. Não gosto de falar de mim, do que posso fazer.

Terra - Saber gerir bem o grupo é uma qualidade do Tite?
Alex - Ele tem essa característica positiva porque também é aberto a ouvir, não é o cara que não aceita informação. São muitas pessoas para ele controlar sozinho, você naturalmente passa uma informação. Se ele for surdo, não vai colher alguma coisa que você quer passar para ele. É a grande característica dele. Ele tem a liderança dele, mas é aberto e de repente você traz o grupo para ele colocar na balança o que é importante.

Terra - Isso se reflete também dentro de campo?
Alex - Isso reflete, sim. Você gostando do comandante, é mais fácil de trabalhar, de ouvir o que ele te pede, de acreditar no que ele pede e é o mais importante. Você às vezes não acredita não é porque não quer, mas porque tem gente que é cansativo. Às vezes o fato de o grupo enxergar, querer passar algo e ele (treinador) não vê. Já ouvi conversas e participei de grupos que acaba não dando esse resultado positivo.

Terra - Como surgiu sua relação com o Neto? Se compara muito vocês dois e já é algo de longa data.
Alex - Continuo tendo um contato amistoso desde a época do Guarani, de Inter e de Rússia também. Não só porque me ajudou, mas porque tivemos contato, fui na casa dele jogar truco e ali começou uma amizade. Quando cheguei no Guarani, fui emprestado para a Pirassununguense porque fizeram uma parceria e tinha muitos jovens, então tinham que se desfazer.

Terra - O que você aprendeu com ele?
Alex - E aí eu cheguei ao Guarani e ele se identificou comigo, pela minha maneira de ser e de jogar, e acabou dando toques. Começamos uma relação profissional e aí passou para uma grande amizade. Ele me fazia chegar antes dos treinos para cobrar escanteios, bater faltas, mostrava as fotos dele da época em que jogava. Era um contato bacana.

Terra - A chegada ao Corinthians fortaleceu a relação de vocês? Ele serve de inspiração?
Alex - Já era forte, não vou dizer que fortaleceu. Para ele, como torcedor e como quem quer o melhor para mim, ficou feliz da vida também comigo no Corinthians. E eu fiquei feliz pela felicidade dele, por acontecer isso com a gente. Mas é difícil copiar as pessoas. Ele inspira e se eu puder colher o mínimo que ele fez, que foram muitas coisas boas, vai ser importante para a minha carreira.

Terra - Você tem muitos títulos importantes, como Libertadores e Mundial. Que peso teria o título brasileiro no currículo?
Alex - Quero ter esse conhecimento. A gente imagina, é grandioso e tal, todo mundo falaque é muito mais do que se pensa porque é no Corinthians. Tomara que a gente seja campeão e possa ter essa noção. Não tenho Brasileiro ainda e espero poder conquistar o primeiro.

Terra - Você conhece o caminho da Libertadores. O Corinthians está pronto para brigar pelo título?
Alex - Cada vez que tem grupo bom, de qualidade, dessa forma, com grandes opções, com a condição de acrescentar peças importantes e a chance de continuidade, a possibilidade de ficar uma equipe madura é muito grande. Mas não é só colocar no papel. Você tem uma pressão grande por 38 rodadas e, se consegue um título como esse, cria uma bagagem importante.

Terra - Vamos rapidinho. Um treinador marcante?
Alex - Muricy, Abel, Tite, Joel Santana, o seu Pepe...

Terra - Um companheiro?
Alex - Fiz algumas amizades. Com o Edinho, o Nilmar, o Paulo André agora em um contato curto, o Rubens Cardoso...

Terra - Um gol inesquecível?
Alex - Marcante? Pela importância, vou colocar o da semifinal da Libertadores (2006) contra o Libertad, porque foi muito importante para mim e em um momento importante. Também tenho que colocar o gol contra o Ceará (já no Corinthians), que foi uma libertação para mim, pela maneira que foi.

Terra - Um marcador duro de enfrentar?
Alex - Eu não queria jogar contra o Ralf (risos). Treinar contra ele já é complicado.

Terra - Um sonho?Alex - Conquistar títulos, fazer uma história positiva no Corinthians.

Terra - Qual a última vez em que chorou ou uma vez marcante que chorou por futebol?
Alex - De tristeza, chorei quando o Corinthians perdeu o título paulista para o Palmeiras, em 1993. Tinha a vantagem do primeiro jogo e perdeu. Já chorei de alegria também. Sou meio chorão mesmo.

Terra - Qual o momento mais marcante do Brasileiro?
Alex - Todo o campeonato é muito especial. Mas o momento em que se dividiu para a gente começar uma reação, foi contra o São Paulo. Uma mudança de atitude, de ãnimo. Se a gente perdesse, ficaria muito ruim. O empate foi uma vitória.

Fonte: Terra

Veja Mais:

  • Universidade Brasil firmou acordo com Corinthians para primeiro jogo da final estadual

    Corinthians anuncia patrocínio pontual para final do Paulistão; veja como fica a camiseta

    ver detalhes
  • Alan Mineiro não volta ao Corinthians em 2017

    Corinthians empresta Alan Mineiro para quarto clube diferente em menos de um ano

    ver detalhes
  • Corinthians encerrou preparação contra a Ponte Preta

    Clima bom, susto de Pablo e escalação do Corinthians: o último treino antes da Ponte Preta

    ver detalhes
  • Casuals foi derrotado nos pênaltis neste sábado; próxima temporada só em agosto

    Nos pênaltis, Corinthian-Casuals perde final e adia sonho de subir de divisão

    ver detalhes

Comente a notícia:

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!

  • 1000 caracteres restantes