Antropólogo diz ter sido espancado por PM durante comemoração da vitória do Corinthians

Antropólogo diz ter sido espancado por PM durante comemoração da vitória do Corinthians

Por Meu Timão

O antropólogo e estudante de pós-graduação da USP (Universidade de São Paulo), Danilo Paiva Ramos, relata ter sido espancado por um policial militar, durante uma comemoração de torcedores do Corinthians, no último domingo (4), na avenida Paulista. Ele também relatou que chegou a procurar o sargento que acompanhava a operação policial na via, mas o oficial afirmou que não conhecia o PM agressor.

No último domingo, após sair na estação Trianon-Masp do Metrô, o antropólogo diz ter parado por cinco minutos para ver a festa que um grupo fazia na calçada. Foi quando um cordão de policiais se formou atrás dele e um PM começou a agredi-lo. Ramos recebeu golpes nas mãos e na barriga e também ouviu palavrões do PM.

- O que mais me assombrou foi perceber, enquanto era espancado, o sorriso e o olhar do policial que mostravam um prazer maior a cada bofetada. E foi com espanto que vi o prazer e ódio que cresciam nos rostos dos policiais à medida que investiam contra qualquer pessoa que, naquele momento, estivesse com uma camiseta do Corinthians comemorando na calçada, pacificamente, a vitória do campeonato.

O antropólogo relata ter perguntado o nome do agressor, mas novamente foi agredido. Depois de conseguir escapar do bloqueio da PM, ele procurou um sargento da Polícia Militar e relatou o que havia acontecido.

- Ainda sendo coagido pelos policiais, fui conversar com o sargento que liderava o grupo. Comuniquei a ele que havia sido espancado por um de seus policiais e que queria saber a razão disso e o nome de meu agressor. Ele pediu que eu apontasse o oficial e eu o identifiquei. O 3º Sgt Luiz disse que não sabia quem era o policial que continuava a espancar e a coagir as pessoas.

Ramos conta ainda que memorizou a identificação do sargento Luiz e foi a uma delegacia próxima à casa dele para registrar um boletim de ocorrência. O delegado que estava de plantão, segundo o relato do antropólogo, duvidou do relato da vítima.

- Quando contei ao delegado minha intenção de fazer um boletim de ocorrência por ter sido espancado por um PM, ele alterou seu tom de voz. Falando alto e gesticulando fortemente, afirmou que um policial “não batia por nada” e perguntava repetidamente o que eu tinha feito. Afirmei que iria a outra delegacia, pois naquela não me sentia seguro. Somente, então, o delegado começou a tratar-me como vítima.

O estudante de pós-graduação da USP fez exame de corpo e afirmou que irá à Corregedoria da Polícia Militar para fazer uma queixa.

A reportagem do R7 procurou a Polícia Militar, que não se pronunciou até a publicação dessa reportagem. Já a Secretaria de Segurança Pública informou que a delegada titular do 78° DP (Jardins), Victória Lobo Guimarães, disse que não irá se pronunciar sobre a conduta do delegado de plantão que atendeu à ocorrência, Marcelo da Silva Zompero.

O caso foi registrado como abuso de autoridade e é investigado pela Polícia Civil.

Fonte: R7

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