Mãe de Júlio César revela que filho ia jogar escondido

Mãe de Júlio César revela que filho ia jogar escondido

Durante o ano, o goleiro Júlio César precisou se dividir entre Corinthians e o hospital, já que sua mãe viveu vários problemas de saúde. Recuperada, Dona Carmen apareceu ao lado do filho nas premiações dos melhores do Brasileirão e, ao lado da esposa do goleiro, Simone, mostrou seu orgulho do filhão. Depois, em um bate-papo com o MARCA BRASIL, lembrou dos tempos de criança do camisa 1 do Timão.

'Ele sempre foi uma criança tranquila, nunca deu muito trabalho. Só gostava muito de bola. Ele enchia a bexiga e saía chutando. Logo percebi que a paixão dele era bola e bicicleta', comentou Dona Carmen.

A paixão pela bola começou a virar coisa séria quando Júlio César passou a jogar no Guapira, clube da Zona Norte da capital. O problema era que ele só tinha 10 anos e a mãe não podia levá-lo até o campo. 'Eu não queria que ele jogasse e brigava muito. Ele escapava e ia com os amigos. Eu ficava louca, mas aí deixava. Eu não gostava que ele fosse jogar porque o clube era longe de casa e ele era muito pequeno', explicou a mãe, que ainda se preocupava com a insistência. 'Mesmo quando caía uma tempestade, ele continuava no campo.'

Separada do pai de Júlio César, Dona Carmen sempre precisou cuidar de tudo na casa. De olho nos estudos, não deixava de cobrar empenho. 'Ele pedia mais ajuda em matemática para a avó, mas nunca tirou notas ruins. O problema dele era a bola', ressaltou.

Um problema que Dona Carmen admite, virou solução. Mas a história de glórias que teve seu principal capítulo na conquista do pentacampeonato, quase não teve início. Quando Júlio César tinha 15 anos, sua mãe pediu para ele largar o futebol e arranjar um emprego para ajudar no orçamento da família.

'Eu falei que ele ia ter que largar pois eu era separada e precisava dele. Tinha que trabalhar. Dei mais seis meses, senão infelizmente ia ter que desistir, pois não tínhamos condição financeira. Aí ele fez um jogo com o Corinthians e foi chamado', destacou.

A partir daí, o sofrimento de Dona Carmen mudou. Ao invés de se preocupar com a parte financeira e o futuro de Júlio César, ela passou a sofrer com as críticas da imprensa. A cada comentário negativo sobre uma atuação do filho, ela se remói por dentro.

'Você não faz nem ideia de como eu fico, é muito difícil', comentou Dona Carmen, que procura não falar sobre isso com o ‘orgulho da mamãe’. 'Procuro não conversar sobre essas coisas, sei que elas vem e no jogo seguinte modifica. A esposa dele apoia muito nesta hora.Eu fico muito magoada. Eu tenho vontade de pegar esses críticos e... Preciso me segurar (risos)', concluiu.

Mãe dá nota 100 para o goleiro e mil para o filho

Depois da partida contra o Ceará, em Fortaleza, quando Júlio César foi um dos melhores em campo, Dona Carmen mandou uma mensagem no celular do filho. A mãe dizia que ele era o maior orgulho e o melhor goleiro do mundo. Tudo isso tem um motivo.

'O Júlio me orgulha no dia a dia. Tem pouco ser humano como ele. Aconteceu aquilo no jogo do América-MG (falha no gol) e teve aquelas conversas erradas da imprensa. Aí no jogo do Ceará, ele mostrou o goleiro que é, não aquele engano do América. Para mim, ele nunca falha, não comete erros', explicou a mãe do corintiano.

E por este motivo, ela não economiza na hora de dar uma nota para o camisa 1. 'Para o filho, eu dou mil, para o goleiro eu dou nota 100. Como goleiro, ele precisa continuar como está. Como filho, ele poderia ser lixeiro que seria mil. Sou mãe.'

Como não poderia deixar de ser, Júlio César mostrou porque é o orgulho de Dona Carmen. Ao falar da mãe, ele logo dedicou o título e lembrou de todas as dificuldades.

'Esse título tem muito dela. Ela passou por momentos difíceis e tenho que dedicar por toda gratidão que tenho', enfatizou o goleiro do Timão.

Júlio César entregava marmitex para ajudar a mãe

Antes do sucesso no time profissional do Corinthians, Júlio César dividiu seu tempo entre o campo de futebol e o trabalho em casa. Para ajudar na renda familiar, o goleiro auxiliava sua mãe na entrega de marmitex.

'Eu e a minha irmã sempre ajudávamos a minha mãe que vendia marmitex. A gente ajudava ela a entregar e cobrar dos clientes', comentou o camisa 1 corintiano, que lembrou de um fato marcante.

'Para você ter uma noção, quando a gente foi campeão da Copa São Paulo de 2004, na segunda-feira, um dia depois da conquista, enquanto todos estavam comemorando, eu acordei cedo para entregar as 'marmitinhas' para ajudar em casa', disse.

Confirmando a história contada por Dona Carmen, o goleiro não esquece o ultimato da mãe. 'Quando eu fiz 15 anos, ela me disse que eu tinha que parar de jogar bola para trabalhar. Ela pediu para eu trabalhar para ajudar mais em casa, porque a gente vivia em um aperto muito grande. Pedi para tentar mais um ano e ela deixou depois de eu insistir muito', destacou o pentacampeão.

Apesar de todas as dificuldades, Júlio César sempre sentiu o apoio da mãe, mesmo com as cobranças por ajuda em casa. 'Mesmo com tantas dificuldades, ela me dava bastante apoio. Mas ela não podia me acompanhar muito por causa do trabalho', concluiu.

Reportagem de André Pires e Felipe Piccoli.

Fonte: Marca Brasil

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