Opositor vê Andrés como um 'diabo' que tem Gobbi como seu fantoche

Opositor vê Andrés como um 'diabo' que tem Gobbi como seu fantoche

Paulo Garcia tenta pela terceira eleição consecutiva ser escolhido presidente do Corinthians. Antes do pleito deste sábado, ele conversou com o iG sobre sua campanha e usou como estratégia para assumir o cargo que foi de Andrés Sanchez nos últimos quatro anos um discurso que põe em dúvida os avanços financeiros da gestão do atual diretor de seleções da CBF. O clube diz que fechou 2011 com R$ 290 milhões de receita.

Ele questionou os balancetes e orçamentos do clube que apontam números positivos nos últimos três anos e disse que acredita que o Corinthians deve impostos. Para não jogar 'a sujeira para baixo do tapete', ele quer ser vencer Mário Gobbi, candidato de Andrés. 'Ele (Gobbi) é só um fantoche que não história no clube', disse Garcia.

Nesta entrevista, Garcia disse que Sanchez o chamou para integrar sua chapa nestas eleições há seis meses. Ele negou o convite alegando que não poderia acobertar o que chama de administração 'financeiramente questionável'. 'Não posso vender minha alma ao diabo', disse, Garcia, na entrevista realizada há uma semana na sua sala na matriz da Kalunga, empresa que patrocinou o Corinthians entre 1983 e 1995.

Quais os problemas das contas do Corinthians?
Paulo Garcia: Até um dono de boteco de esquina que olhar os orçamentos sabe que tem falhas. E isso não é colocado às claras. Tudo é superficial e ninguém tem a verdadeira relação de receita, gastos e despesas. Jogam tudo para outras despesas. Com o Gobbi vai continuar assim. Ele é só um fantoche, um ventríloquo do Andrés. Um dia essa conta vai chegar.

(Nota da redação) Em balanço que será divulgado nesta sexta-feira, o Corinthians afirma que o clube arrecadou R$ 290 milhões em 2011. A dívida chega a R$ 175 milhões.No orçamento de 2011, o clube divulga discriminados os gastos no último ano, mas R$ 47 milhões são colocados na categoria 'outras despesas', sem detalhamento, que é o que questiona Garcia)

O senhor diz que existem falhas na contabilidade do clube. Poderia fazer uma revolução se conseguisse provar isso tudo. Por que não leva isso a público?
Garcia: Eu não quero que o Corinthians volte para as páginas policiais. Isso não é saudável. Acaba muito mais prejudicando do que ajudando. Eu falo com Andrés, ele me liga, fala comigo. Há seis meses ele veio falar comigo e disse que se eu ficasse com ele, ele me apoiaria. Eu disse que não. Não daria as costas para os meus amigos vendendo minha alma para o diabo. O futebol tem muita gente se aproveitando, tem o Ricardo Teixeira que está há mil anos na CBF. No Corinthians está do mesmo jeito. Nada vai mudar com o Gobbi, um cara que chegou no clube outro dia, que não tem história.

Se o senhor assumir o clube vai fazer uma geral nos contratos para mostrar se houve irregularidades nas contas? Pretende publicar o que achar de errado?
Garcia: Não, não. Não vai ter caça às bruxas. A gente tem que olhar para frente, não no retrovisor. Se não vou fazer uma administração só para ficar afinando o pessoal que estava lá. Então, não. Tem que fazer uma coisa olhando para frente. O que passou, passou. Não vou ficar com revanchismo, fazendo papel de polícia. Eles garantem que os impostos estão em dia e que o Corinthians não tem dívida trabalhista e eu acho que tem. Eles estão ocultado isso de alguma forma. E se eles estiverem ocultando isso, eu tenho lavrada uma ata do conselho com a gravação com eles dizendo que não porque eu não quero ter surpresa. Vamos esperar a eleição passar.

Quem compara o Corinthians de 2007 com o de agora vê que o clube passou a ser mais respeitado e até por isso é natural que o Gobbi seja favorito nas eleições. Por que o senhor acha que pode vencê-lo?
Garcia: Ele não está preparado. Não tem história no clube. Eu tenho uma história como empresário de sucesso, tenho contatos com bancos, empresas, sou conhecido no mercado e tenho uma credibilidade para negociar patrocínios que ele não tem. Ele vai ser apenas um fantoche, um ventríloquo do Andrés. (Leia a resposta de Gobbi para esta crítica dada em entrevista ao iG)

A rejeição ao Gobbi no clube é grande. Talvez por isso o senhor acredite que tem mais chances de vencer essas eleições? Seria mais difícil se fosse outro candidato mais popular?
Garcia: Eu sou mais bem preparado do que qualquer outro. Poderia vencer quem quer que fosse candidato. Não tenho nada contra o Gobbi, mas me julgo mais preparado que ele.

O senhor critica a base do clube, diz que não revelou jogadores nos últimos anos e que pretende mudar esse quadro. Mas Miguel Marques e Silva (desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo), que chegou a ser indicado a ser vice na sua chapa foi diretor da base até o final de 2010. Ele não tem certa culpa, então?
Garcia: Eu não concordo. Não é porque ele está junto comigo, não. Eu não concordo porque ele é mais competente na parte jurídica. É por isso que eu quero profissionalizar e colocar cada um na sua área. Então o que aconteceu com o Miguel na minha opinião foi isso. Vários garotos que eram para ser revelados, que disputaram a Copa São Paulo, sumiram porque estavam na mão de empresários. Aquele que se destacava acaba saindo. Vários foram assim. O clube contratou dezenas de jogadores e muitos o clube continua pagando mesmo jogando em outro lugar.

O candidato que vencer essas eleições assumirá ao lado de 200 conselheiros indicados por ele? A situação aprovou essa decisão que pode acabar com a oposição no clube. O que pensa disso?
Garcia: A mudança foi eleitoreira. Essa mudança cria uma ditadura. O presidente elegendo 200 conselheiros, sem nenhuma oposição é a maior prova disso. Isso é para eles se perpetuarem no poder. O conselho fica nulo e só diz amém. Isso não é sadio. Só vão dar tapinhas nas costas. Vamos criar um bando de aduladores.

Em vídeo de 2008 divulgado pela situação, o senhor fala que deve ser o conselho e não os sócios que deveriam votar para presidente...
Garcia: Naquele momento o (ex-presidente Alberto) Dualib estava saindo. Era um momento de transição e todos os momentos de transição são perigosos. Então o que acontece. Quem é sócio, quem está dentro do clube, sabe quem é quem. E naquele primeiro instante você tinha de eleger o conselho e de dentro do conselho viria o presidente. Porque isso? Para não acontecer o que vai acontecer agora. Com chapa de 200 fechados com o presidente. É por isso. Ali você teria um filtro.

Mas não é mais democrático ter voto direto dos sócios para presidente?
Garcia: Sabe do que sou favorável? Ter mais sócio e abrir mais o clube. O Corinthians tem 30 milhões de torcedores, mas no fim só uns 3 mil votam. Isso é pouco. O clube é uma coisa, o futebol é outra. Com 3 mil para definir, é muito pouco.

Mas como abrir para mais gente?
Garcia: O Corinthians já teve mais de 100 mil sócios, mas com os condomínios hoje com piscina, quadra, lazer, ninguém vai mais para o clube. O clube hoje está abandonado e não pode ser assim. Investindo no clube, mais torcedores poderão se associar e consequentemente, votar.

O novo estatuto acaba com a reeleição para presidente e o senhor é contra. Por quê?
Garcia: Até o presidente da República pode ser repetido. Ninguém consegue ser onipresente, onipotente e onisciente. E três, quatro anos é pouco. Por isso tem que haver um profissional competente em todas as áreas.

Já tem nomes para as diversas diretorias caso eleito?
Garcia: Não é hora de falar disso ainda. Primeiro é preciso vencer a eleição.

Vencendo, o que fará primeiro?
Garcia: Não se pode mexer em muita coisa. Domingo tem clássico e viagem para a Libertadores. Tem que seguir tudo do jeito como está.

O senhor gosta do Tite?
Garcia: Ele é um bom técnico e tem mostrado que tem o grupo na mão. Isso é importante. Não tem porque mudar nada por enquanto. Mas como disse, vamos ganhar as eleições primeiro.

As informações são do repórter Bruno Winckler, do iG

Fonte: Marca Brasil

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