Danilo: 'Futebol não é só correria. Precisa ter quem pense'

Danilo: 'Futebol não é só correria. Precisa ter quem pense'

Artilheiro do Corinthians na temporada com quatro gols, o meia Danilo vive sua consolidação como titular. Herói mais uma vez na Libertadores, o camisa 20 chama a responsabilidade nos jogos decisivos. Em uma conversa franca com o MARCA BRASIL, responde aos críticos que pegam no seu pé por sua ‘lentidão’, mostra sua tranquilidade e vive até a expectativa de um dia ganhar a primeira chance com a camisa da seleção brasileira.

MARCA BRASIL: Você deixou o Pacaembu como herói em mais um jogo decisivo. Como tem sido isso?
Danilo: Nestes jogos decisivos, o time vai precisar de todo mundo. Ainda bem que estou fazendo os gols neles. Sei que tem muita coisa pela frente. Preciso continuar meu trabalho da mesma maneira, com os pés no chão e ajudando sempre o time.

Ano passado, você era o garçom do time com muitas assistências. Agora virou o matador. Mudou sua forma de jogar?
Não mudou nada, mas as oportunidades estão surgindo mais. Estou chegando ali como homem surpresa e a bola vem sobrando. É continuar procurando essa sequência. Espero fazer ainda mais gols.

Você atravessa seu melhor momento com a camisa do Corinthians?
Acredito que o melhor momento está sempre por vir. Sei que o futebol tem muitos altos e baixos. Procuro sempre me cobrar muito, treinar bastante e espero ter momentos melhores ainda pela frente.

Sempre houve questionamentos sobre sua titularidade. O que mudou, já que você se firmou?
Isso aconteceu aos poucos. Tive um bom início, fiz uma pré-temporada muito boa. Me preparei bem, principalmente no físico. Estou me sentindo bem. Como sou um jogador alto e que usa a força, preciso estar bem na parte física senão complica um pouco. Venho bem neste ano e espero continuar neste ritmo positivo.

Você tem feito gols de cabeça e ajudado a defesa nos escanteios. A participação nas bolas aéreas é uma arma que o Tite te pediu?
Ele pede para eu participar. Principalmente, pela minha estatura. Em todos os times que joguei, os técnicos exploraram isso. Sempre foi um ponto forte, principalmente lá atrás para ajudar na marcação e no ataque, para fazer gols. Além da estatura, tenho boa impulsão.

O Corinthians é líder do grupo na Libertadores. O que precisa fazer a mais para brigar pelo título?
Tem muita coisa pela frente. O objetivo é classificar em primeiro na chave, depois tem o mata-mata, precisa saber jogar. Vamos ter partidas fora de casa que não se pode perder de forma alguma. Temos que saber jogar na parte defensiva. Já estamos treinando e nos preparando para isso. Tem dado certo nos últimos jogos.

Dizem que o time tem cara de Libertadores. O que simboliza isso?
Essa vontade, o jeito que vem jogando. Um entra, outro sai e mantém o mesmo ritmo, a mesma qualidade e vontade. Não tem vaidade, todo mundo respeita. Para ganhar a Libertadores precisa ter este espírito.

Você foi campeão da Libertadores e do Mundial, em 2005, pelo São Paulo. Essa experiência ajuda agora?
É importante. Não só eu, como o Alex também já ganhou. Tem jogadores experientes e, nestes jogos, a tranquilidade vai sempre nos ajudar.

O planejamento é voltar para o Japão, onde você jogou por 3 anos, com a camisa do Corinthians?
Futebol tem que viver o momento. Futebol ninguém sabe, tem que encaminhar até lá...

O Muricy Ramalho e o Tite sempre elogiaram sua inteligência tática. Você sabe ‘ler o jogo’?
Por onde eu passei, sempre fui visto desta forma. Jogando tanto por dentro, por fora, até como atacante, que já joguei. Eu acho que é um senso de posicionamento que procuro ter. Para o treinador é fundamental. Você acaba correndo menos. Quem não tem o senso de marcação, corre muito errado. Como sou bem rodado, corro com mais inteligência..

E como foi se adaptar ao futebol japonês, baseado na correria?
A adaptação foi muito boa. O Kashiwa não ganhava nada há seis anos. Tinha muita pressão. Fomos campeões em três anos. Foi uma passagem que ficou marcada. Acostumei lá, minha família adorou o Japão.


Mas não questionavam que você era lento, como fazem no Brasil?
Realmente, lá é só correria, mas no futebol só correria não resolve, precisa de alguém que pense, que segura a bola. E lá minha presença foi fundamental para o time ir bem.

Como vê a permanência do Neymar e Ganso no futebol brasileiro?
A qualidade deles é muito acima dos outros. Se sair, a visibilidade será maior por causa dos times como Real Madrid e Barcelona. E vai ser bem melhor para o Brasil. Mas isso é de cada um. Se eles acham melhor ficar, estão certos na decisão. Mas se fosse eu, sairia.

E a troca de comando na CBF? Se envolve ou pensa neste tipo de questão?
Procuro pensar só em futebol, não adianta falar nada pois não vai mudar. Torcer para que as pessoas façam um bom trabalho e melhorem o que precisa no futebol.

Seleção brasileira: você ainda pensa em ser chamado pelo Mano?
Seleção é difícil. Tem muitos jogadores da minha posição de alto nível. Lógico que gostaria de ter sido convocado. A realidade é meu clube, vou fazer a minha parte. Seleção é o sonho de qualquer jogador, mas não é uma coisa que fico obcecado. Meu objetivo maior é fazer um bom trabalho no meu clube e se for chamado, vou ficar muito feliz. Uma convocação será bem-vinda.

Você conheceu a estrutura do Japão, que fez uma Copa. Acha que o Brasil está no caminho certo?
Esperamos que sim, tem tudo para fazer uma boa Copa. Precisa se dedicar para ficar marcado. Não é todo dia que vai ter um evento deste porte. Precisa fazer direito pela história do Brasil no futebol.

Já traça planos para sua aposentadoria?
É difícil prever. Não tenho nada certo, ainda penso em jogar. No futuro penso nisso.

Fonte: Marca Brasil

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