Corinthians mostra o seu lado elite com a equipe de polo

Corinthians mostra o seu lado elite com a equipe de polo

O Corinthians sempre foi apontado como um clube popular, mas não é formado apenas por "maloqueiros sofredores", como a maioria dos torcedores costuma orgulhosamente de se identificar. Uma prova disso é que será o primeiro do Brasil com um time de futebol a ter também uma equipe de polo. A iniciativa é de Felipe Rodrigues, que convenceu o vice-presidente corintiano, Luís Paulo Rosenberg, a permitir o uso da marca do clube na temporada que começou neste fim de semana com a Copa Vogue e mais dois anos.

Para Rodrigues não há nenhum conflito em aliar o Corinthians ao polo, um esporte considerado de elite por exigir que seus competidores possuam pelo menos quatro cavalos, que competem em uma área equivalente a quatro campos de futebol. "Pesquisas promovidas pelo clube apontaram que 20% dos 30 milhões de corintianos são da classe A", argumenta.

O próprio Rodrigues mostra ser capaz de aliar duas tradições. "Jogo polo mas também sou corintiano, maloqueiro e sofredor", garante, lembrando dos tempos de futsal no clube.

Euphly Jales Neto, integrante da equipe e também corintiano quando o assunto é futebol, admite que o esporte não é dos mais baratos mas nem por isso inacessível. "O custo inicial não é muito diferente ao que um piloto desembolsa, por exemplo para competir no kart." A maioria das competições, segundo Rodrigues, é aberta ao público, bastando um prévio credenciamento para a entrada nas arenas. Além disso, ao contrário do golfe, do tênis e do hipismo, outros esportes associados à elite, manifestações da torcida, como batucadas, são permitidas. "Só não pode rojão porque isso assusta os cavalos", explica.

O time de polo importou o modelo desenvolvido por Rosenberg para o futebol - trazer um grande atleta para associá-lo à imagem da equipe. O bicampeão mundial e atual técnico da seleção brasileira, Calão Mello, foi contratado para o papel de "Ronaldo" desse grupo que vai defender o Corinthians com a ajuda de cavalos. Para se ter uma noção de seu prestígio, o jogador foi convidado a integrar a equipe do príncipe britânico Harry em sua passagem pelo Brasil há algumas semanas.

A iniciativa de aliar um atleta top à marca Corinthians no polo já apresenta seus primeiros resultados. Rodrigues conta que o time conseguiu um patrocinador de material esportivo e em breve será possível comprar camisas, tacos e outros produtos com o logo do clube.

Ele também diz que a receptividade dos atletas do polo à iniciativa também tem sido boa. O Corinthians já tem duas equipes, uma de baixo e outra de médio handicap (os atletas são classificados conforme seus resultados) compostas por torcedores do time do Parque São Jorge os quais treinarão na Sociedade Hípica Paulista ou no CT de Calão, em Avaré (SP). A meta é evoluir e, com o tempo, ter uma equipe de alto handicap para torneios internacionais.

Calão conta que tinha propostas de outras equipes para a temporada e se surpreendeu quando foi convidado a defender o Corinthians. "Faz a gente pensar: 'Uau! O que é isso? Mas sabia que era uma coisa bacana. As pessoas envolvidas, em especial o Felipe, são pessoas sérias." O técnico/jogador sabe que sua responsabilidade aumentou ao comandar um time que pode ajudar a popularizar o polo, e tem trabalhado muito. "É um tiro de canhão que precisa muita pontaria porque é um esporte tradicional, que envolve muitas famílias e que está se profissionalizando."

Corinthians mostra o seu lado elite com a equipe de polo

Fonte: Valéria Zukeran - Estadão

Enviado por: Genilson

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