Tite revela em entrevista: 'Não consigo parar de pensar na Libertadores'

Tite revela em entrevista: 'Não consigo parar de pensar na Libertadores'

Tite está ansioso para o jogo contra o Santos

Tite está ansioso para o jogo contra o Santos

A fala serena e o olhar fixo nos olhos do repórter foram umas das características de Tite no bate-papo exclusivo com o MARCA BRASIL. Nos mais de 25 minutos de conversa, o técnico corintiano deixou de lado a elegância e a oratória. Só precisou, porém, se conter para não transparecer a enorme confiança na conquista da Libertadores. A naturalidade que se expressa sobre qualquer tema é a mesma que acredita que está preparado para levar o Timão ao topo da América. Confira:

MARCA BRASIL: É a melhor fase da sua carreira?
Tite: Vejo momentos parecidos, como o com o Grêmio, quando cheguei à semifinal da Libertadores (2002), perdendo nos pênaltis (para o Olimpia-PAR). Jogava com o sistema 3-5-2 muito móvel, que encantava e jogava como poucos. E também o momento com o Internacional, quando fui campeão invicto do Gauchão e da Sul-Americana (2008), além de ter sido o time que mais fez gols no Brasil naquele ano. Foram momentos também muito marcantes na minha carreira. Porém, o título do Campeonato Brasileiro, do ano passado, e o atual momento na Libertadores do Corinthians trazem uma visibilidade maior. Essa visibilidade é o que o Corinthians dá, que São Paulo traz e o que os 35 milhões de corintianos nos passam. Isso é o que me faz sentir um momento profissional diferente aos que eu já vivi antes.

O que precisou mudar e aperfeiçoar para viver esse momento marcante?
A naturalidade da sétima Libertadores, duas como atleta e cinco como técnico, me deu essa chance. Com tudo isso que passei e vivi na disputa dessa competição, fui virando mais cascudo. Me sinto mais preparado.

Por sentir-se ‘cascudo’, chegou a hora de Tite ser campeão da Libertadores?
Tomara que sim (pausa). Espero e quero muito.

Além da conquista da Libertadores, o que projeta para sua carreira? Sonha com a seleção brasileira?
Aprendi no futebol que o futuro é muito desenhado em cima do que acontece no presente. O bom trabalho que você desenvolve, o título que você conquista e o reconhecimento público do seu trabalho vão abrir perspectivas. Por isso, fico focado no hoje. Tem vezes que você cria expectativas altas e elas não surgem.

Você sempre fala aos seus jogadores para tomarem cuidado e não pensarem que são ‘o cara da vez’. Mas como você faz para não acreditar que é ‘o cara’?
Já passei por esses momentos da vaidade. Falo isso para os atletas: ‘as experiências que estão vivendo, eu já passei’. Hoje, sou um cara mais elaborado. Quando falo que time campeão precisa do roupeiro, do segurança e de todos que estão ao redor não faço isso por demagogia. Eu sei que o trabalho funciona quando a engrenagem está toda junta.

Você é ‘o cara’ quando o assunto é tática? Estudou muito para conseguir fazer a diferença com mudanças táticas? E enxerga esse Corinthians como padrão tático hoje?
Vejo isso sim (o Corinthians como padrão tático). Tática é uma coisa que me fascina. Estudei muito para isso, procurei muito, virei comentarista, fui assistir jogos na Itália, li livros didáticos, fui participar de cursos, fui ouvir, fui prestar atenção e fui encher o saco do Luiz Felipe (Scolari, o Felipão) para saber como ele fazia trabalho tático. Não sei se sou o técnico que mais sabe de tática, mas quero ser. Eu gosto de passar uma orientação ao jogador quando entra no plano tático. Gosto que alguém que me argumente e conteste o meu esquema. Isso tudo me fascina muito.

Quando você ganha um jogo, com a ciência que o seu plano tático foi superior ao do rival...
(Interrompe a pergunta) Dá um tesão (risos). Volto para casa e tomo uma ‘caipira’ com a minha mulher. Dou um afago nela e digo: ‘tu vais ter que me aguentar a noite inteira’. A parceira é para esses momentos. Mas na medida que eu me cobro bastante, a alegria e a decepção aparecem da mesma forma.

Seu time chegou ao auge do que deseja e imagina no plano tático?
Ainda está criando alternativas para jogar sem um pivô. Mais do que não ter um atacante de área, é ter jogadores que chegam até ela. É diferente da Seleção, que caso não tenha o Pato bem, busca o Hulk ou outro. No clube, você tem que ajustar ao melhor momento de uma equipe. E esses ajustes ainda são necessários no time.

Você sente que tem o grupo na mão?
(Pausa longa) O mais importante é quando existe o comando da direção e da presidência. Aí isso passa pelo técnico e irradia para os jogadores. Caso não tenha o fortalecimento na hierarquia, tudo fica fragilizado. O atleta e o ser humano respeitam duas coisas: conduta pessoal e conhecimento profissional. Se no primeiro erro de um jogador eu o culpo, no outro erro, os demais verão que na próxima vez estarão em risco. Quando arde no deles, eles colocam no do outro. Assumo a minha parcela de responsabilidade e assumo tudo.

E por isso, não fica muito sobrecarregado?
Fico, mas por isso que tenho uma comissão técnica e uma direção ao meu lado para diluir tudo isso. Mas, é claro, que tudo fica centralizado na figura do técnico. Em termos de mídia, sou um cara tímido e até peço, de vez em quando, para ficar fora de uma entrevista coletiva. Eu me preparei para tudo isso. Por ser professor de educação física, tenho o conhecimento para conversar em planos técnicos, mas também para, em alguns momentos, falar para os atletas: ‘atropela o cara, raspa a bunda no chão, cara...’ O tal do cascudo é saber absorver bem a visibilidade que o Corinthians te empresta.

Você tem noção da visibilidade que o título da Libertadores pode te dar?
Não.

Te assusta?
Não.

Está preparado?
Estou. E vou dizer o motivo. Não me assusta porque não procuro medir o quanto de visibilidade terei, e, sim, que curtirei ao lado da minha família, dos meus filhos, no Sul, juntos com meus amigos, com o gari que aparecer na minha frente e com o torcedor que me abraçar na rua. Essa vaidade de aparecer e colocar a faixa, eu não tenho.

O presidente do Santos, Luis Alvaro Ribeiro, disse que vê a semifinal brasileira como a final antecipada da Libertadores. Concorda?
Concordo. E talvez o time que esteja mais próximo do Corinthians e Santos é a Universidad do Chile, porque foi campeã da Copa Sul-Americana, no ano passado, e vem apresentando um futebol mais convincente. O Corinthians, por ter sido campeão brasileiro, e o Santos, pela conquista da Libertadores, enfrentam o maior grau de dificuldade. Por isso, concordo (que os dois fazem a final antecipada). E não pela camisa e pelo histórico. A Universidad do Chile está mais preparada do que o Boca Juniors.

Você disse que vê o Corinthians muito preparado para a conquista da Libertadores. Caso isso não aconteça, será uma das maiores decepções da sua carreira, por acreditar, pelo time que montou, que esse é o grande momento?
O Corinthians tem ainda um estágio para se fortalecer para ganhar a Libertadores. E esses jogos, contra o Santos, vão servir para isso. Uma equipe se forma campeã. E nem propriamente apenas os jogos contra o Santos trarão essa força necessária. Os jogos contra o Figueirense (dia 7, pelo Brasileirão) e Grêmio (dia 10) vão dar essa preparação para a equipe crescer ainda mais. E eu não gosto de avaliar se será uma decepção. Eu gosto terminar o trabalho e depois avaliar o conjunto todo. E que o trabalho termine com o título (risos).

Você fala que não quer viver uma sensação menor que a final este ano, por já ter experimentado o gosto da semifinal com o Grêmio. Mas, por tudo que já viveu nessa disputa, o que passou pelo Corinthians foi diferente dos outros anos?
Foi, principalmente em termos de emoção. Eu me vi no dia depois ao do jogo contra o Vasco (vitória por 1 a 0, pela quartas de final da Libertadores), passando orientação aos meus jogadores de trás do alambrado. Isso foi uma coisa de louco. Aquele momento me remeteu quando estava dirigindo o Grêmio, na decisão de pênaltis (na semifinal da Libertadores, de 2002, contra o Olimpia). Quando a gente bateu o pênalti e o goleiro deles defendeu. Depois quando eles bateram e o árbitro mandou o lance voltar (na volta, foi gol do Olimpia), eu pensei: ‘não é possível’. São momentos de Libertadores, que ficam marcados.

Percebo que você não consegue parar de pensar na Libertadores...
Não consigo. Eu administro, mas não dá para esquecer. Não dá para parar de pensar. Até porque é impossível, pois de tantas entrevistas que a gente dá e com as pessoas perguntando sobre isso na rua, fica muito complicado (risos).

E não sai da sua cabeça o Corinthians campeão?
Vamos chegar até a final primeiro.

Mudando de assunto, está gostando da seleção brasileira?
Vou repetir a ideia do Mano, que me parece, no momento, a mais importante. Agora é o momento de montar uma estrutura que ela começa a se consolidar. Agora é a construção dessa equipe, que vejo encaminhada para ir bem na Olimpíada e depois na Copa de 2014.

Dia 8 de junho, começa a Eurocopa. O Tite vê quem como favorito?
Espanha e Alemanha. E fico na expectativa para ver o que a Holanda pode apresentar. A compactação do time da Alemanha é uma coisa fascinante. A Espanha é o grande exemplo, que tem posse de bola e sabe agredir na hora certa. A Alemanha quer sempre vencer, a adrenalina dela é surpreendente. Quando vejo a seleção alemã, fico encantado pelo que ela apresenta na agressividade e na marcação.

Por que Brasil está atrás da Alemanha e da Espanha?
Pela geração e pela formação dos atletas. O que o Mano está fazendo agora é o mesmo que a Alemanha fez há quatro anos e está dando resultado agora.

Fonte: Marca Brasil

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