Rosenberg: 'A revolução do Corinthians não tem mais volta'

Rosenberg: 'A revolução do Corinthians não tem mais volta'

Filho de imigrantes russos, paulistano legítimo, três irmãos, quatro filhos e um sonho que estará realizado em pouco mais de um ano: ver a inauguração da Arena Corinthians. Se fosse preciso resumir a vida de Luis Paulo Rosenberg, este seria seu menor texto. Mas há mais, muito mais para falar deste corintiano doente, que viu o primeiro título do seu Timão em 1957, sofreu no Morumbi com o gol de Basílio e engrossou as fileiras de fiéis na invasão do Maracanã. Brincalhão e sempre com um sorriso estampado no rosto, apenas uma coisa o tira do sério: ser chamado de são-paulino. 'São-paulino, eu? Aqui ó!', reage o marqueteiro que transformou o sonho do presidente Andrés em realidade: viabiliozar o estádio próprio do Timão.

Marca Brasil: Fala-se que o senhor é o grande responsável pela realização do sonho de construir o estádio...
Luis Paulo Rosemberg: Não...o Andres foi quem o pegou e me colocou trabalhando na questão desde o primeiro dia, me deu força política e liberdade de atuação ilimitada. Não existe um executivo que possa ser mais importante do que o tomador de decisões que lhe delegou a implementação. Hoje eu estava comentando, a gente tá num momento de contratação volumosa de ar-condiconado, fachada do prédio...nunca recebi uma pressão, uma indicação, uma insinuação que não fosse ‘faça o que for melhor para o Corinthians’. O próprio pessoal envolvido na obra se surpreende com isso. Nem edifício, que a construtora faz sozinha, é tão blindado quanto esta obra. Ainda mais que ela tem uma estrutura financeira e jurídica extremamente complexa. Mas que o fato de ser do  mercado ajudou, ajudou. O que faz o estádio é a vontade política. Se naquela hora da proposta mais barata, que apareceu na imprensa, o presidente não peita e me banca, a gente estaria num mesmo esquema que o Palmeiras. O Mário (Gobbi, atual presidente) é a mesma coisa que o Andrés. Agora é mais operação, design, concepção. E ele deixou comigo. Para mim, o estádio é acima de tudo uma comprovação de um estado de maturidade gerencial a que chegou o Corinthians, absolutamente insólito para a experiência brasileira. Vai ser um negócio de outro mundo.

MB: O que projeta para o Corinthians com o estádio?
LPR: É um aporte de recursos fantástico. Se hoje a gente tem receita nos estádios, ganhando mais do que qualquer clube, botando pra dentro uns R$ 30 milhões, o estádio vai colocar fácil, fácil R$ 100 milhões, entre bilheteria e publicidade. E olha isso é uma estimativa conservadora. Para mim, o benchmark (exemplo a ser seguido, na lingugaem publicitária) do Corinthians é o Barcelona. Eu tenho uma torcida, antes de me internacionalizar, do tamanho da dele, tenho uma lealdade que nenhum outro time tem, nem o Flamengo. A torcida deles pode até curtir o Flamengo melhor do que nós, mas o sentimento de nação é que é peculiar e único. Você quer ver? Quarta, Corinthians e São Paulo estavam em uma semifinal. O Corintians teve 42 pontos de audiência, e o São Paulo, quatro. Quem põe o nome na minha camisa sabe de seu retorno. Agora, imagina com o orgulho da casa própria e o melhor estádio do Mundo...

MB: Recentemente, o senhor foi acusado de ser sãopaulino após ter chamado o time de medíocre...
LPR: O que acho incrivel é o seguinte. Imagine um são-paulino que tenha visto o Corinthians em 1954, tenha ido na invasão, estar no Morumbi em 77, no Rio em 2000? Nunca precisei ser cartola para ser corintiano. Mas tudo bem. Tô num debate com o presidente do Santos, num auditório de alto coturno, com maioria corintiana. Acha que eu ia dizer que meu time era medíocre? O que eu disse foi: ‘O Santos acha que tem um time de astros e o Corinthians é mediocre. Só que o meu time ganhou em dezembro passado o Brasileiro, e o time dos gênios levou um vareio do Barcelona’. Era uma ironia.

MB: Deu vontade de abandonar tudo?
LPR: Não, me considero um servo da Fiel. Não tem outra razão para eu aceitar uma gelada destas. É um trabalho estressante, você perde o prazer de ser torcedor. Para um cartola, não tem felicidade: tem alívio. Tive 10 minutos para celebrar a vitória de quarta. Depois tem pacote de viagem, ingresso...É um puta sacríficio. Imagina se eu chamo uma entrevista às vésperas do jogo mais importante para dizer que meu time é medíocre? Claro que vão ter dois ou três reclamando, mas é democrático. Nossa paixão se traduz num sentimento de cidadania. O corintiano compra como nenhum outro. Agora vem a oposição e quer fazer movimento em cima disto. Aí é brincadeira. O Corinthians merece coisa melhor.

MB: Como o senhor vê o atual estágio gerencial do futebol brasileiro?
LPR: Acho que o processo de modernização dos clubes parece quase um rastilho de pólvora, porque você sempre teve o São Paulo como benchmark (exemplo a ser seguido, na linguagem publicitária), há mutos anos, sempre bem administrado, com governância explícita. Pode não ser muito democrático, mas era bastante tecnificado. Viemos nós com a nossa revolução em 2007. Aí você olha a ascenção do Beluzzo, a revolução do Santos; no Rio, a modernização do Fluminense, o Peter (Siemsen, presidente) é um dirigente de primeiríssima, o desterro do Eurico Miranda, e o Botafogo, que sempre foi o mais arrumadinho. Assim você começa uma revolução: com a qualidade do soldado, não com o general. É um erro achar que Ricardo Teixeira era quem impedia a revolução do futebol brasileiro.

MB: Mas e as Federações e a CBF, são progressistas?
LPR: Por mais retrógrado que sejam, ou você começa (as mudanças) nos clubes ou não vai adiante. Não tem mais volta. O futebol brasileiro vai passar por um período de crescimento e a Copa vai ajudar isso.

MB: Como o senhor aguarda a decisão com o Boca...
LPR: Eu não durmo, eu não como, não penso em outra coisa, não tem espaço para mais nada. Saber o que isso representa para 30 milhões de loucos... A bola não entra por acaso. Tenho a consciência de que a gente fez tudo o que tinha que fazer, a manutenção do Tite nas horas mais amargas, a blindagem no futebol, não tem como você exercer a ‘corneticidade’ no Corinthians. Nem o presidente é corneta! Não vou em vestiário exatamente para mostrar que não há interferência.

MB: Já ouvi, em comentários, que o senhor se beneficiaria do Corinthians em seus negócios particulares. É verdade?
LPR: Quem disse isso? Pelo contrário! Do ponto de vista profissional é um desastre, pois no tipo de mercado que frequento, compra e venda de empresas, reestruturação, palestras sobre cenários econômicos, o que meu cliente gosta é de discrição. Por isso, quando o consultor dele, PHD, professor do ITA, é xingado de são-paulino, não faz parte do adereço. Se eu fosse artista pop, me beneficiaria. Mas para quem trabalha no mercado de capital e financeiro, é um ônus que pago. Do ponto de vista da renda, é um baque. Profissional liberal não tem empresa, tem um lugar onde trabalha. Se não faz, não ganha. Tive um sacrifício de renda importante, mas graças a Deus posso me dar a este luxo.

Reportagem de André Balocco

Fonte: Marca Brasil

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