Romarinho entra e cala La Bombonera

Romarinho entra e cala La Bombonera

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O Corinthians sofreu para segurar o Boca Juniors no lendário Estádio de La Bombonera, em Buenos Aires. Mas conseguiu. Apesar de ter passado maus bocados durante os 90 minutos, com bola na trave aos 45 do segundo tempo, o time alvinegro festejou empate de ouro com gol do garoto Romarinho em sua primeira jogada. Ele já havia feito dois contra o Palmeiras no fim de semana. E provou que tem estrela. O empate por 1 a 1 mantém o Corinthians invicto na Libertadores e próximo da inédita conquista porque agora joga diante de sua gente, no Pacaembu.

O Corinthians continua iluminado na Libertadores. Quando tudo parece perdido, se salva com um herói anônimo. Ontem a história se repetiu. Romarinho, até outro dia uma promessa no Bragantino, entrou aos 36 e aos 40 fez o gol de empate (1 a 1) diante do Boca Juniors na Bombonera entupida de argentinos. Gol que tira o Timão do sufoco e ilumina o jogo de volta no Pacaembu, na quarta-feira, quando uma simples vitória lhe dá o título.

No primeiro tempo, o Boca quis se impor com provocações aos corintianos, pressão no árbitro e, de vez em quando, com boa trama nas laterais para os cruzamentos até Santiago Silva. Um repertório que, convenhamos, não é digno de um time com fama de campeão.

O Corinthians não se deixou levar pelas provocações. Não caiu na tentação e conseguiu dois cartões amarelos para os adversários (Roncaglia e Riquelme). Mas também não provocou grandes sustos a Orión. Só num chute longo de Paulinho, o goleiro teve trabalho. De resto, viu o jogo como mero espectador.

O único erro do Timão foi deixar o Boca ficar com a bola. Em especial, com Riquelme. Manda a regra ofuscar a estrela. Ralf e Paulinho, olhando para o céu, deixaram o craque organizar o jogo pelas laterais, sempre acionando o esperto Mouche, o ponto de partida dos cruzamentos.

Num desses lances, El Tanque Santiago Silva acertou uma “meia bicicleta” com endereço certo, mas a bola explodiu em Alessandro para sorte de Cássio. Um susto e tanto, daqueles de o coração sair pela boca.

Fora esse arremedo de furacão, os corintianos foram importunados pelos insistentes cânticos apaixonados da torcida argentina. Um sobe e desce de tom que ia minando a mente e esgarçando os nervos.

Nesse ambiente de festa e muita força ao adversário, os jogadores de Tite cumpriram bem o combinado. Marcação na saída de bola meio-campo compacto. Nada diferente que o time tem mostrado desde o ano passado. O único problema: aos 38, Jorge Henrique saiu machucado para Liedson entrar. O Corinthians perdia um marcador e ganhava um atacante fixo. No segundo tempo, o Boca avançou suas peças. Em 15 minutos criou boas chances, sempre com a clareza de Riquelme e a escuridão de Mouche e Santiago Silva. O Timão respondeu timidamente com Alex caindo pela direita para furar a defesa argentina – pouco para quem quer ser campeão. Nada que abalasse as estruturas do time argentino.

Sem empurrar o Boca para o campo de defesa, o Corinthians deu ao inimigo tudo o que ele queria. Atacando do lado mais animado de sua torcida, foi colecionando escanteios. Até que, de um deles, Riquelme mandou na cabeça de Caruzzo, dali para Santiago mergulhar de cabeça. Chicão tirou com o braço e no rebote Roncaglia estufou a rede, aos 27. A Bombonera quase veio abaixo, para delírio de Maradona no seu camarote.

O Corinthians parecia morto. Aí Tite teve a clareza de por Romarinho, o iluminado, no lugar de Danilo, aos 36. O garoto só foi pegar na bola aos 40. Recebeu de Emerson dentro da grande área e, com a frieza dos matadores, encobriu Orión com estilo. Um golaço! O menino estendeu o manto do silêncio no caldeirão. Quando tudo parecia consumado, Viatri carimbou o travessão de Cássio. Um susto e a sorte de campeão. Agora restam mais 90 minutos para acabar com a agonia e viver o sonho.

Romarinho entra e Cala a La Bomboniere

Fonte: Estadão.com

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