Presidente Mario Gobbi revela inspiração no Barcelona

Presidente Mario Gobbi revela inspiração no Barcelona

A história da superação do Corinthians já é conhecida: queda para a Série B do Campeonato Brasileiro, sangue novo em campo e na diretoria, modernização da estrutura e do marketing do clube e como resultado, títulos. Daqui em diante, o time mais valioso do país - marca avaliada em R$ 1 bilhão, segundo estudo da revista ‘Forbes’ -, espera contar uma parte ainda mais interessante da história. Um trecho sem precedentes no decorrer de mais de cem anos desde 1° setembro de 1910, data de sua fundação.

Se engana quem pensa que a conquista inédita da Libertadores é o ápice para aqueles que ditam os rumos do clube. As pretensões são ainda maiores.

“O Andrés - Sanchez, ex-presidente corintiano - fez uma grande parte e nós sabíamos que eu tinha que dar o outro salto. É isso que estamos fazendo. Entendo que se o Corinthians seguir nessa linha, obtendo êxitos, ele caminha a passos largos para uma evolução que jamais teve”, contou o sucessor de Andrés, Mario Gobbi, em entrevista à Rádio Estadão ESPN e ao ESPN.com.br, nesta terça-feira.

A “linha” citada pelo dirigente tem tons azul e grená. Enquanto o mundo tenta copiar o estilo usado pelo Barcelona dentro de campo, o Corinthians foi buscar inspiração no que os espanhóis fizeram nos escritórios.
Agência Estado

Mario Gobbi em entrevista antes da final da Libertadores

“Já faz algum tempo, desde dezembro de 2007, adotamos mais ou menos a regra do Barcelona. Você vai periodicamente depurando e aumentando o grau de qualidade e você não pode tirar mais de um jogador por setor a cada temporada. Ai você vai mantendo uma base, uma estrutura, um time com padrão de jogo."

Gobbi, por exemplo, chegou no clube em 2007, como diretor de futebol e no início de 2012, tornou-se presidente. Alguns jogadores titulares estão no Corinthians a tanto tempo quanto o cartola, casos do lateral direito Alessandro e do zagueiro Chicão. Do time campeão da Libertadores, apenas um atleta, o goleiro Cássio, não havia conquistado o Campeonato Brasileiro, no ano anterior.

O primeiro técnico da nova gestão corintiana, Mano Menezes, só saiu do cargo por forças maiores, em 2010, para assumir a seleção brasileira. Adilson Bastista não teve muito tempo para mostrar trabalho, é verdade - ficou apenas cinco jogos no comando -, mas a filosofia foi retomada com Tite, que resistiu até à eliminação na Pré-Libertadores, em 2011.

"Você mantém a comissão técnica e foi o que fizemos no Corinthians nos últimos quatro anos. Neste ano, saiu apenas um no setor defensivo, o Castán e o Alex talvez saia no meio campo. E nada mais”, conta Gobbi, que tem na mesa de cabeceira o livro ‘A bola não entra por acaso’, de Ferran Soriano, vice-presidente do Barcelona entre 2003 e 2008.
Daniel Romeu

Alessandro e Gobbi com a taça da Libertadores no Memorial do clube

Com Soriano, o Corinthians também aprendeu que é preciso descentralizar o poder e que as vozes dissonantes são uma força positiva. “É preciso ter o sim e o não, o ponto e o contraponto”, diz Gobbi. Conceito que soaria como loucura até dezembro de 2007, quando Alberto Dualib deixou o comando do clube depois de 14 anos no trono. Foi preciso um desastre, mas a lição foi ensinada.

“Como o clube tinha sido rebaixado, todo mundo pedia mudanças e todo mundo aceitou, porque no fundo todos deram as mãos para voltar à Série A. O Corinthians foi rebaixado dia 3 de dezembro e no dia 4, entrou diretoria de futebol e comissão técnica nova."

"Todo departamento de futebol foi reconstruído e reformado. Sem dúvida nenhuma o que nos pautou foi uma mudança de mentalidade, de comportamento”, conta o dirigente, que participou da construção do moderno Centro de Treinamento corintiano. O próximo passo é a realização do sonho do estádio próprio, em evolução, em Itaquera.

“O Corinthians virou um clube democrático, eleições diretas, proibição de reeleição, um estatuto moderno, que é copiado por todos hoje. Outros clubes veem até aqui pegar cópias. E uma campanha de marketing violenta. A marca Corinthians era fortíssima e hoje é muito mais forte. Dai vieram as receitas, e com as receitas você forma um time ainda mais consistente. De 2008 para cá, o Corinthians sempre brigou por títulos ou foi campeão.”

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Fonte: www.espn.com.br

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