Corintiano desde pequenininho, Paulinho é o 'ídolo família': fiel, sério e dedicado

Corintiano desde pequenininho, Paulinho é o 'ídolo família': fiel, sério e dedicado

Corintiano desde pequenininho, Paulinho é o 'ídolo família': fiel, sério e dedicado

Corintiano desde pequenininho, Paulinho é o 'ídolo família': fiel, sério e dedicado

Por Gustavo Franceschini
Do UOL, em São Paulo

Titular da seleção brasileira, campeão brasileiro e da Copa Libertadores, Paulinho já pode se considerar ídolo do Corinthians. É a realização de um sonho de infância, dele e da família. Corintiano desde pequenininho, o volante que só despontou para o futebol de vez aos 22 anos construiu a carreira à base de muito profissionalismo, tem Zinedine Zidane como ídolo e ainda empina pipa com o irmão nas raras horas de folga.

Os primeiros passos de Paulinho no futebol foram, na verdade, como torcedor. Ele acompanhou as tentativas do irmão Erik, dez anos mais velho e exemplo desde pequeno, e os jogos de fim de ano do padrasto, Marcos Antônio do Nascimento, a quem os dois irmão tratam como pai.

Funcionário público, Nascimento levava os filhos da mulher, dona Erika, para assistir às peladas das quais participava. Como toda criança de 7 anos, Paulinho não se contentava em apenas ver o pai jogar. Em uma das brincadeiras que fazia no campinho ao lado do gramado principal, chamou a atenção de um olheiro.

O garoto dorminhoco, que dava trabalho para a mãe todo dia na hora de acordar, foi começar a jogar bola de forma mais séria no Lauzanne Paulista, o Tigre da Cantareira, em São Paulo. O trajeto da Vila Maria, onde ele nasceu e cresceu, até a quadra de futsal do clube era sempre realizado na companhia de algum familiar.

'Todo mundo sempre acompanhava, às vezes ia minha mãe, eu ou meu pai. Todo mundo estava sempre junto. Nessa época era o ?paitrocínio?, não é? Os pais que se ajudavam para levar nos jogos?, conta Erik, irmão do corintiano.

A identificação com a nova 'casa? não foi difícil. Time histórico da várzea paulistana e berço de diversas estrelas de futsal, o Lauzanne Paulista homenageia o Corinthians no seu escudo. Nada mais adequado para o jovem corintiano, que escolheu o clube logo cedo. Se a infância da família não foi sofrida, também nunca foi de muitos luxos, e Erik e Paulinho começaram suas vidas dividindo o espaço de uma casinha simples com a tia Hélia, fanática pelo Corinthians.

A tia levou Erik ao estádio pela primeira vez na final do Brasileiro de 1990, vencido pelo Corinthians, e conquistou o primeiro sobrinho. Como se não bastasse a influência familiar, Paulinho ainda convivia com o símbolo do clube diariamente. O antigo dono da casa onde eles viviam era um ferreiro, que certa vez atendeu o pedido de um cliente e forjou um escudo gigante do clube, que seria colocado em um portão. A peça passou algum tempo encostada na fachada, mas nunca passou despercebida dos garotos.

Paulinho virou corintiano, acumulou camisas do time e começou a levar o futebol mais a sério. Desde os primeiros treinos com Homero, o primeiro técnico, a mãe Érika era alertada sobre o talento do filho, na época ainda no futsal. Um jogo contra a Portuguesa chamou a atenção de outro olheiro, e Paulinho passou a ir da Vila Maria ao Canindé quando tinha cerca de 12 anos.

A mãe passou a ser a maior crítica. Acompanhava os jogos, dava broncas e cobrava bastante. 'Ele sempre gostou de futebol, mas era só na brincadeira. Aí você está de fora e começa a enxergar. Todo mundo falava para ela que ele tinha futuro?, lembra o irmão Erik.

Paulinho ainda tardou a mudar para o campo, mas o fez ainda na Portuguesa, dois anos depois de começar no clube rubro-verde. Quando já pensava em ser jogador, deixou a Lusa para se arriscar no Boavista, clube vizinho que era fruto de uma rixa política.

Daí em diante, o futebol já era profissão. Pinçado por novo olheiro para o projeto futebolístico do Grupo Pão de Açúcar, ele passou a ser tratado como uma promessa de fato. O esquema de trabalho era diferente do que ele tinha visto até então, e casou perfeitamente com a sua postura.

'Ele sempre foi muito dedicado. Quando eu pedia os documentos para alguma viagem, ele era o primeiro a entregar. Tinha sempre na cabeça que precisava trabalhar, conquistar o espaço dele aqui?, conta Miriam Medeiros, coordenadora-administrativa do Audax.

Descrito como alguém calado, discreto e muito dedicado, Paulinho não deixa muitas lembranças pessoais em quem conviveu com ele profissionalmente. Um dos poucos traços que o distinguia dos demais jovens postulantes a craque era a fidelidade à namorada Bárbara, com quem mais tarde casaria e teria a filha Bia.

'Quando a molecada está nos juniores, o papo é sempre sobre sair e ficar com as menininhas. O Paulinho não, estava sempre com a namorada dele, era muito certinho, muito maduro?, lembra Vagner Cavalcante, que jogou com Paulinho no clube e hoje é supervisor das categorias de base do Audax.

O exemplo veio de casa. O irmão Erik tem três filhos da esposa atual, com quem tem um relacionamento estável há 17 anos. O pai biológico da dupla, por sua vez, separou-se logo cedo da mãe e só reencontrou Paulinho recentemente, quando o Corinthians foi a Recife enfrentar o Náutico.

Respeitado dentro do time, que àquela altura já passava a ser conhecido como Audax, ele foi se aventurar na Europa. A viagem para a Lituânia foi aprovado em um 'conselho? familiar. Ele iria para o país desconhecido acompanhado do empresário Thiago Scuro. O Vilnius, time escolhido, pagava bem, era parceiro do clube brasileiro e teria um preparador físico e diversos outros jogadores brasileiros.

Paulinho embarcou e começaram os problemas. O frio e o racismo eram duros para o volante, que via os torcedores do seu próprio time se recusarem a cumprimentá-lo ao fim dos jogos. O colega Rodnei sofria ainda mais, e chegou a receber provocações na rua. A provocação se estendeu até a Polônia, para onde ele se mudou um ano depois para defender o Lodz, do mesmo dono.

As dificuldades foram parecidas, com a atenuante de que ele tinha a companhia da mulher, com quem havia se casado nas férias. Bárbara levou temperos, arriscou uma empreitada na cozinha e aliviou as dificuldades de Paulinho com a comida local, já que até então o McDonald?s era sempre uma boa opção. A gravidez e o cansaço com as dificuldades na Europa, no entanto, fizeram o volante retornar ao Brasil.

Paulinho voltou ao Audax para jogar a quarta divisão paulista. Ganhou um apartamento do clube e se esforçou para comprar o primeiro carro, a prestações, um Palio que depois passaria para as mãos do irmão. Improvisado na lateral direita, ajudou seu time a conquistar dois acessos e ganhou a grande chance da vida das mãos de Marcelo Veiga.

O técnico do Bragantino apostou no jogador até então desconhecido. Uma passagem pela Série B foi a preparação ideal para jogar o Paulista de 2010. Quando enfrentou o Corinthians, fez a família inteira torcer contra o time de coração. O jogo no Pacaembu terminou 2 a 1. Era a o primeiro jogo de Ronaldo no ano e a estreia de Roberto Carlos. Paulinho fez o gol do clube interiorano e definiu seu futuro ali.

A proposta do Corinthians viria logo depois. O fato de ter sido um pedido de Mano Menezes tranquilizou o staff e o próprio Paulinho, que temiam a concorrência forte de Jucilei e Elias. Com a família, a conversa foi mais emocional.

'Você não acredita. Ele falava: ?Posso realizar o sonho da minha vida. Seu irmão está no time do teu coração?. Na hora você não sabe o que pensa?, relembra Erik.

À apresentação se seguiu a estreia, da forma mais dura que poderia ocorrer. O primeiro jogo de Paulinho pelo Corinthians foi diante do Flamengo, no Pacaembu, no jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores de 2010, que marcaria a eliminação do clube no torneio.

O então desconhecido volante entrou no segundo tempo e irritou parte da torcida, que pedia mais gente no ataque enquanto o Flamengo vencia por 2 a 1. A família temeu pelo pior, pois sabia que um erro do estreante naquela situação poderia pôr tudo a perder. Paulinho não evitou a queda, mas fez a parte dele e agradou Mano Menezes.

Era a consagração do jovem que desde cedo idolatrou Zidane e àquela altura convivia com Ronaldo e Roberto Carlos. Daí em diante, as coisas foram se sucedendo, e o caminho ao estrelato foi sendo construído gradativamente com a substituição a Elias, a parceria com Ralf, o título brasileiro e a conquista tão sonhada da Libertadores.

O gol decisivo contra o Vasco, de cabeça, foi o momento mais marcante da trajetória. O abraço no torcedor no alambrado, a festa dos milhares que lotavam o Pacaembu e a importância daquela eliminatória mudaram definitivamente o status de Paulinho. O ídolo sério, extremamente profissional e discreto, porém, sempre tenta escapar da rotina maçante.

Quando pode, Paulinho ainda se reúne com o irmão Erik e os sobrinhos para empinar pipa, prazer infantil que cultiva desde os tempos em que ainda começava a se arriscar nas quadras de futsal do Lauzanne Paulista.

Foto: UOL

Fonte: Terceiro Tempo

Veja Mais:

  • Diversos torcedores não conseguiram efetuar a troca de ingressos

    Com fila absurda e nova confusão, torcida do Corinthians esgota ingressos para final da LNF

    ver detalhes
  • Oswaldo negou que seus treinos sejam repetitivos

    Oswaldo volta a sinalizar escalação do Corinthians em coletivo e explica semana de treinos

    ver detalhes
  • Jô está de férias e só volta ao CT Joaquim Grava em janeiro

    Jô é liberado pelo Corinthians para férias e não aparece no CT nesta sexta

    ver detalhes
  • Corinthians fará sua terceira participação na Florida Cup

    Participante desde primeira edição, Corinthians tem benefício financeiro na Florida Cup

    ver detalhes

Comente a notícia:

  • 1000 caracteres restantes