Com Casagrande e Wladimir, Parque São Jorge tem reencontro histórico da Democracia Corinthiana

Com Casagrande e Wladimir, Parque São Jorge tem reencontro histórico da Democracia Corinthiana

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Ídolos corinthianos se reuniram no Parque São Jorge neste sábado

Ídolos corinthianos se reuniram no Parque São Jorge neste sábado

Foto: Mayara Munhoz/Meu Timão

O Parque São Jorge foi sede de um reencontro histórico na manhã deste sábado. Ex-jogadores participantes do período da Democracia Corinthiana, como Casagrande, Wladimir e Biro-Biro, se reuniram para relembrar o movimento e dividir histórias com torcedores alvinegros.

O evento começou por volta das 11h no Memorial do Parque São Jorge. Foi comandando pelo historiador Fernando Wanner e contou com a presença de ex-jogadores e ex-membros das comissões técnicas e diretorias do anos 80 e 90. Destaque para o Sóstenes, irmão de Sócrates, que marcou presença representando o líder do movimento.

Cerca de 150 pessoas acompanharam o reencontro, entre elas nomes conhecidos como os ex-diretores Flávio Adauto e Eduardo Ferreira, além do conselheiro Paulo Garcia - que, inclusive, recebeu uma espécie de homenagem por ter investido no Corinthians com a Kalunga durante o período.

O ex-presidente Waldemar Pires iniciou a conversa agradecendo ao grupo corinthiano por tudo que eles fizeram no período da Democracia. Na sequência, Adilson Monteiro Alves, sociólogo e diretor de futebol na época, lembrou dos jogadores que fizeram parte, mas que já não estão mais vivos.

Evento na sede social do Timão reviveu tempos de Democracia Corinthiana

Evento na sede social do Timão reviveu tempos de Democracia Corinthiana

Mayara Munhoz/Meu Timão

Entre os jogadores, os discursos mais longos e até emocionantes foram os de Casagrande e Wladimir. O ex-atacante classificou a Democracia Corinthiana como o momento mais importante da sua vida e lembrou da sua formação no futebol e, claro, do amigo Sócrates.

"Foi o período mais importante da minha vida, como jogador de futebol, eu já tinha saído para a Caldense falando que nunca mais voltaria ao Corinthians. Quando eu voltei, o Adilson insistiu para eu ficar três meses, depois resolvi ficar, gostei e foi o melhor momento da minha vida", explicou.

"Eu tinha só 18 anos, joguei com meus ídolos. Minha formação como pessoa, como jogador de futebol foi feita totalmente em 1982, fui artilheiro do campeonato, campeão paulista. Conseguimos vencer aquela final, gosto muito de dizer que foi um título da Democracia. Se a gente perde para o São Paulo ia ser um caos. Ia ser muito difícil que a democracia andasse e alguma coisa acontecesse no país e batesse de frente com a ditadura", completou.

"Foi o ano que eu conheci Sócrates, por isso eu considero o ano de 1982 o que definiu o que eu ia ser depois. Tudo que aconteceu depois como pessoa, como jogador, familiar, tudo foi formado em 82. Esses caras sofreram na minha mão, mas controlaram até a hora que deu... Foi ali que eu cresci, se eu não tivesse jogado com eles, com o Sócrates, talvez eu não seria o que eu sou hoje".

O discurso foi muito aplaudido. Na sequência, foi a vez de Wladimir, um dos líderes da Democracia, relembrar o período tão importante na história do Corinthians.

"Eu diria com muita tranquilidade que eu vivi dois momentos no futebol: antes e depois da Democracia. Foi um momento histórico na minha vida, foi onde todos nós atingimos o ápice da carreira, chegamos no auge. Era muita satisfação vivenciar aquele momento que a gente vivia no Brasil e no Corinthians", disse.

"Então, me sinto um privilegiado de ter participado desse momento porque a gente tinha o prazer de vivenciar as coisas do clube. Era um grupo extremamente consciente dos seus deveres, isso é importante. Vez o outro o jogador é negligenciado porque não tem responsabilidade, nós tínhamos. É bem verdade que tinha que puxar a orelha de um outro outro, mas fazia parte do processo", completou com muito bom humor o ex-jogador.

Outros nomes importantes também prestaram depoimentos sobre o período, como Biro-Biro, Solito, Zenon e Emerson Leão - vejam as declarações abaixo.

Homenagem a Sócrates - No final do evento, o Corinthians prestou uma homenagem a Sócrates eternizando o gesto de levantar o punho na Calçada do Parque São Jorge.

Sócrates foi homenageado durante evento no Parque São Jorge

Sócrates foi homenageado durante evento no Parque São Jorge

Mayara Munhoz/Meu Timão

Não foi só política - A conversa, que durou mais de duas horas, não foi composta apenas por declarações sobre a Democracia e seu viés político. Os jogadores também compartilharam com o público presente histórias do grupo corinthiano no período, como brincadeiras nos vestiários e até casos durante a excursão do Timão em Los Angeles, representando a Seleção Brasileira, em 1985. A conversa foi bem aberta revelando até episódios envolvendo drogas e bebidas alcoólicas.

As brincadeiras também foram voltadas para o ex-goleiro Emerson Leão. Apesar de ter apoiado a Democracia Corinthiana, Leão sempre expressa suas ressalvas com as ideias e com o comando do movimento dentro do clube do Parque São Jorge. Os ex-companheiros, claro, não perderam a oportunidade de pegar no pé do também ex-técnico alvinegro.

Confira mais declarações dos ex-jogadores sobre a Democracia Corinthiana e o Corinthians

Biro-Biro
O clima era de muita amizade, carinho um pelo outro, o pau comia solto, briga, mas era uma alegria maravilhosa. Eu fico feliz de ter participado da Democracia, foi uma conquista maravilhosa, muito importante para o Corinthians e pro Brasil.

Solito
Desde criança sou do Corinthians, entrava de mascote, então, fazer parte dessa história era o que um corinthiano mais podia querer. A Democracia ela foi muito marcante para todos, inclusive a gente tinha oportunidade de conversar com outros torcedores de outros times que diziam que torciam para a gente, para dar certo, pela democracia do Brasil.

Zenon
Agradecer a torcida do Corinthians porque eles vieram com a gente nesse projeto da Democracia, nos ajudaram muito para que a gente ficasse forte e buscasse os resultados. E eles acontecerem. Foi um privilégio, um momento muito gratificante de ter participado e foi muito bem sucedido. Só tenho que agradecer o apoio e a oportunidade de estar naquele momento certo no Corinthians. Eu fui apenas mais um desse bando de loucos.

Leão
Eu cheguei depois, com o movimento já formado, e imagina a minha responsabilidade. Solito, era filho do Corinthians, engatinhou no clube e fui contratado para fazer alguma coisa. Eu conheci a Democracia dentro do avião quando estava vindo do Grêmio. Primeira coisa que perguntei era se eu podia trocar o uniforme (na época, a camisa do goleiro era cinza e passou a ser preta e banca). E se tornou isso aqui (apontando para um modelo antigo do uniforme), com muito orgulho. Deixamos saudade, legado e amizade. Foi tão bom que eu voltei como treinador, eu aceitei o desafio mais uma vez. Nós precisávamos ganhar 80% dos jogos para não cair, nós ganhamos mais que isso. Foi a segunda participação maravilhosa dentro do Corinthians.

Veja mais em: Ex-jogadores do Corinthians e Parque São Jorge.

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