Novo técnico do Sub-20 fala sobre projetos e objetivos no Corinthians e manda recado à Fiel

Novo técnico do Sub-20 fala sobre projetos e objetivos no Corinthians e manda recado à Fiel

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Barroca atendeu ao Meu Timão nesta quinta-feira no Parque São Jorge

Barroca atendeu ao Meu Timão nesta quinta-feira no Parque São Jorge

Foto: Mayara Munhoz / Meu Timão

Na última segunda-feira, os cerca de 40 jovens que fazem parte da categoria Sub-20 do Corinthians foram apresentados a Eduardo Barroca. O novo treinador será o responsável por conduzir o Timãozinho no restante da temporada.

Com 36 anos, Barroca é bastante experiente e não apenas no que diz respeito aos times de base. Em 2011, por exemplo, ele foi o treinador mais jovem a disputar e vencer uma partida pelo Brasileiro da Série A, quando assumiu o Bahia interinamente - na ocasião, Barroca tinha 29 anos e a equipe venceu o Flamengo por 3 a 1.

Apesar da experiência, o técnico sabe que enfrentará um grande desafio ao substituir Dyego Coelho. Para isso, Barroca já traçou como quer trabalhar: buscando o objetivo principal do Corinthians com a equipe Sub-20.

"O objetivo principal é preparar os jogadores para estarem prontos para jogar no futebol profissional do clube. E nessa realidade do Sub-20, quanto mais jogos decisivos eles participarem, melhor eles chegarão no time de cima, porque é o que eles vão enfrentar ali: jogos de grandes torcidas, jogos televisionados", explicou o técnico, em entrevista exclusiva ao Meu Timão, na última quinta-feira.

A conversa, aliás, rolou um dia após o treinador fazer sua estreia em campo. Na Fazendinha, o Timão bateu o Nacional com uma goleada por 5 a 1. Agora, o próximo desafio é um clássico contra o São Paulo, no sábado, pelo Paulistão da categoria.

A experiência de Barroca também é válida quando se trata do Corinthians. Em 2010, ele comandou o Sub-17 alvinegro por alguns dias. Deixou o clube após receber convite para ser auxiliar técnico do profissional do Bahia.

Além do Timão e do Bahia, o treinador já trabalhou com Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo - onde esteve no último ano. Por isso, sabe bem o que é enfrentar o Corinthians e a Fiel.

"Eu já joguei muitas vezes na minha vida contra o Corinthians. Sempre foi muito difícil, inclusive em jogos da base. É uma torcida muito presente, é uma torcida que na dificuldade cresce, apoia. Eu espero ter a oportunidade agora de, com essa torcida ao meu lado, ter essa experiência e poder corresponder às expectativas", declarou.

Entre os assuntos, o treinador falou sobre sua passagem em 2010, sobre suas primeiras avaliações do elenco atual e sobre o que o motivou a deixar o Botafogo, onde foi campeão Brasileiro Sub-20 em 2016.

Barroca comandou o Corinthians pela primeira vez nesta quarta-feira

Barroca comandou o Corinthians pela primeira vez nesta quarta-feira

Divulgação / Corinthians

Confira a entrevista exclusiva com Eduardo Barroca

Meu Timão: O que te motivou a deixar o Botafogo e assinar com o Corinthians?

Eduardo Barroca: A verdade é que eu não tinha motivo nenhum de sair de onde eu estava (Botafogo). Estava em clube que gostava muito de trabalhar, que fui muito bem recebido, tive conquistas... mas, na hora que fui convidado a conversar com a diretoria (do Corinthians), e eles me apresentaram o projeto esportivo, pensando no processo da formação dos jogadores, na transição dos jogadores, e a própria grandeza do clube me fizeram repensar o lugar onde estava. Eu sempre valorizo os lugares onde trabalhei, mas na hora que a direção do clube me apresentou esse projeto, realmente o desafio de trabalhar no Corinthians foi fundamental para eu entrar nessa nova etapa.

Você já sabe se terá espaço para implantar seu próprio estilo ou seguirá apenas a filosofia do Corinthians?

Só estou há três dias aqui, então estou em fase de diagnóstico. Joguei muitas vezes contra o Sub-20 do Corinthians nos últimos anos. Conheço o Osmar (Loss) e conheço muito bem o Dyego (Coelho), que foi meu jogador. Então, sempre que jogava contra visualizava grande potencial em todos os jogadores. Conheço muito bem todos porque sempre tive que estudar muito o Corinthians. Mas agora estou em uma fase de diagnóstico, de entendimento do que vinha sendo feito, da apuração mais próxima do estilo dos jogadores, para aí sim conseguir responder essa pergunta.

Você chega em um momento complicado do Sub-20, após um fracasso na Copinha e a goleada do São Paulo, na final da Copa do Brasil. Como é assumir um time com esse cenário?

Penso um pouco diferente nesse sentido porque chegar numa final de competição nacional, em qualquer circunstância, já é motivo de muita comemoração. Quem veste essa camisa entra sempre para ganhar, para ser campeão. Mas a gente que é profissional tem que ver de outro jeito. Eu mesmo estava assistindo ao jogo de casa, e queria estar no Morumbi dentro de campo, e meu time tinha sido eliminado pelo Corinthians. Então a primeira coisa que falei para os meninos foi valorizar o que eles fizeram. Tive a oportunidade de falar com eles pela primeira vez junto com o Coelho e valorizar tudo que eles têm feito nos últimos anos. E minha missão agora é conseguir aproveitar tudo de bom que tem feito nesses últimos tempos, e no segundo momento, aplicar meu trabalho e minha filosofia aqui dentro. E quando já tem um projeto bom em desenvolvimento fica mais fácil de aplicar isso.

Como foi a sua passagem pelo Corinthians em 2010? Trabalhou com nomes que alcançaram o sucesso depois?

Minha passagem aqui foi muito, muito breve. Fiquei aqui 15 dias, porque tive uma proposta do profissional do Bahia. Foi uma passagem muito curta, mas naquele time tinha o Marquinhos, zagueiro; o Dodô, lateral-esquerdo, hoje no Santos; o Arana, já queimava um pouco de etapa. Mas como eu falei, foi uma passagem muito breve, e isso também pesou para voltar agora e ter uma marca do Corinthians na minha vida, no meu currículo, como treinador.

O Corinthians tem valorizado seus profissionais, como promover Carille e agora Loss, ao invés de trazer nomes de fora. Isso te incentivou a aceitar o projeto, sabendo que existe essa prática no clube?

Na hora que sentei com a direção para conversar, vi que o que eles me falaram era condizente com o que é feito na prática. O Osmar, apesar de novo, passou por todas as etapas aqui, passou por diversos clubes, foi auxiliar ano passado... e a diretoria me falou que está valorizando isso. Então isso é um estímulo muito grande, fazer parte de um processo lógico. Enxerguei isso muito bem aqui no Corinthians.

Além do Campeonato Paulista, o Corinthians começa a disputar o Brasileiro Sub-20 em julho. Você já tem uma estratégia para o momento em que for preciso conciliar as duas competições?

Nesse primeiro momento, tenho que aproveitar esses jogos do Campeonato Paulista para conhecer bem os jogadores. No Campeonato Brasileiro, eu já tive a oportunidade de jogar e ganhar, inclusive contra o Corinthians, em 2016. Então minha experiência diz que, nessa competição, a gente tem que jogá-la passo a passo. Então temos que maturar nossa equipe no Campeonato Paulista, para que os jogadores entendam o que eu penso, e eu entenda melhor os jogadores, para que no dia 4 de julho cheguemos bem ao campeonato. Um fator positivo é que nas quatro primeiras rodadas o Paulistão para. Então, no início, podemos nos dedicar apenas no Brasileiro e isso vai fazer com que a gente foque bem, porque é uma competição muito forte.

A torcida não está satisfeita com o ano do Sub-20. Como você pretende trabalhar com os jogadores mais jovens para que essa cobrança não afete o desempenho do time dentro de campo?

Eu ainda estou chegando, preciso estar mais antenado em relação a isso. Mas acho que temos que trabalhar de dentro para fora do clube. Outro ponto é nos dedicarmos ao que foi alinhado com a direção do clube de qual é o objetivo principal do trabalho. E o objetivo principal é preparar os jogadores para estarem prontos para jogar no futebol profissional do clube. E, nessa realidade do Sub-20, quanto mais jogos decisivos eles participarem, melhor eles chegarão no time de cima, porque é o que eles vão enfrentar ali: jogos de grandes torcidas, jogos televisionados... Então, o trabalho, em questão de resultados, é fazer os jogadores chegarem o mais longe possível nas competições, com o objetivo final de chegar mais preparado no profissional. Um time como o Corinthians precisa ter essa lógica de trabalho no Sub-20.

Com a sua experiência com jogadores mais jovens, é preciso fazer algum trabalho para que casos como o do Mantuan não influenciem naqueles que estão trabalhando para chegar ao profissional?

Eu penso que é circunstancial. Existem casos e casos. A necessidade do profissional muitas vezes é pontual, sazonal. Às vezes o jogador sobe para o profissional de forma prematura, aí você tem que descer, e é muito difícil... então não sei, não trabalhei com o jogador para falar. Mas a percepção que eu tenho é que o jogador hoje tem uma interatividade muito grande com o externo, mas se o clube tem um processo lógico, o jogador tem mais segurança e oscila mesmo.

O grupo do Sub-20 é numeroso e por conta do rodízio feito pelo Coelho tem vários nomes se destacando. Como trabalhar com o elenco para que todos tenham chances?

As informações que eu tenho é que esse rodízio vinha sendo feito por conta das duas competições que estavam acontecendo ao mesmo tempo, priorizando a Copa do Brasil. Agora estamos apenas no Paulista. Então minha ideia é mandar a campo sempre quem tiver melhor condição e, entre um jogo e outro, oportunizar os outros jogadores, com jogos com Sub-17, profissional, jogos não oficiais. Se passarmos de fase no Brasileiro, serão novamente dois torneios concomitantes. Até lá, já terei um diagnóstico melhor da equipe.

Você conversou com Coelho? Ele te deu algum conselho?

Não consegui falar muito com ele porque ele já teve que se apresentar ao profissional. Mas tanto Coelho, quanto Fabinho, são pessoas que eu respeito muito, os dois foram meus atletas, tenho um carinho muito grande. A gente se falou informalmente, mas ainda não conseguiu falar jogador por jogador. Mas com certeza, o mais breve possível vamos sentar e conversar, até para ele poder me ajudar com isso.

Você já está pensando em algum trabalho diferente com o grupo para o clássico de sábado por conta do resultado da decisão da Copa do Brasil?

Nesse primeiro momento desse trabalho vou balizar muito naquilo que a gente pode fazer como equipe do Corinthians. Meu foco vai ser o estágio atual, e ir desenvolvendo a cada jogo, pra gente ir se desenvolvendo como equipe. Sinceramente, não vou começar meu trabalho aqui me baseando em adversários. Por enquanto, quero desenvolver minha equipe para que o mais rápido possível a gente cresça e se desenvolva como time, para eles entenderem meu trabalho, e eu entenda melhor as características deles. Assim chegaremos cada vez mais em finais e, consequentemente, ganharemos algumas delas.

Mande um recado para a torcida do Corinthians:

Eu já joguei muitas vezes na minha vida contra o Corinthians. Sempre foi muito difícil, inclusive em jogos da base. É uma torcida muito presente que, na dificuldade, cresce e apoia. Eu espero ter a oportunidade agora de, com essa torcida ao meu lado, ter essa experiência, e poder corresponder às expectativas. Nesse meu primeiro momento, me parece que a receptividade foi muito boa, porque as pessoas reconhecem tudo que tem sido feito nos últimos anos. E eu espero responder com um bom trabalho, com resultados e, principalmente, oportunizando jogadores mais preparados para o profissional, e que representem o clube, que representem a seleção nacional, e que joguem em alto nível em suas carreiras, porque esse é o objetivo principal do nosso trabalho.

Veja mais em: Base do Corinthians, Corinthians Sub-20 e Especiais do Meu Timão.

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