1 em 30 milhões: ele mentiu sobre o rebaixamento e garantiu descanso em paz do avô corinthiano

1 em 30 milhões: ele mentiu sobre o rebaixamento e garantiu descanso em paz do avô corinthiano

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Bruno Neto, quando ainda bebê, ao lado do avô de mesmo nome

Bruno Neto, quando ainda bebê, ao lado do avô de mesmo nome

Foto: Arquivo pessoal

O Corinthians enfrentava o Vasco numa noite de quarta-feira no Pacaembu, nos últimos dias de novembro, naquela que era a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro de 2007. Impulsionado pelos gritos da Fiel, o Timão fez valer o favoritismo, venceu e seguiu assim com chances de título. A taça poderia ser levantada no domingo seguinte, no estádio Olímpico, contra o Grêmio. Com o artilheiro Finazzi suspenso, caberia ao craque Clodoaldo a missão de, quem sabe, anotar o gol do penta alvinegro em solo gaúcho.

Você leitor do Meu Timão certamente estranhou o roteiro acima, de autoria do torcedor Bruno Zanotto Neto. Quem não estranhou foi o avô do "mentiroso" em questão, o também corinthiano Bruno Zanotto. Muito mais do que isso: guardou como última recordação.

Bruno Neto se tornou torcedor alvinegro por influência do avô. "Era um italiano fanático... Pelo Timão, claro! Daqueles que usava boné do Corinthians e chinelo do Palmeiras. O bicho era foda... Ele pisava no chinelo do Palmeiras só de raiva. Pisava na merda e xingava", recordou o orgulhoso neto, já de olhos marejados e voz trêmula logo nos primeiros minutos do bate-papo com o Meu Timão.

Avô de Bruno Neto era um italianão corinthiano, como dizia a família

Avô de Bruno Neto era um italianão corinthiano, como dizia a família

Arquivo pessoal

Bruno avô era daqueles corinthianos que não perdiam qualquer lance das partidas do Timão. Para tal, assistia aos jogos ou os ouvia o mais próximo possível dos aparelhos de televisão e rádio. "A gente tinha uma lanchonete com a TV meio no alto. Ele ficava bem embaixo com a latinha de cerveja da Bavaria na mão. Eu me lembro do campeonato mundial de 2000, quando ele infartou inclusive. Era louco pelo Corinthians", contou o neto.

O infarto causado pelo Mundial de Clubes de 2000 foi fichinha para o italiano senhor de alvinegro coração. O passar dos anos seguintes, não. Com idade avançada, se tornou morador de um asilo. Já com dificuldades para enxergar, foi deixando de acompanhar o dia a dia do Corinthians. O neto alvinegro, nesta nova rotina, ficou encarregado de informar as novidades sobre o Timão quando visitava o avô – ou quando o ajudava a escapar da casa de repouso rumo aos mais animados churrascos de Dracena, no interior de São Paulo, cidade onde a família morava. "Ele gostava de encher a cara. Não importava o estado de saúde, ele queria estar no meio da galera bebendo", explicou Bruno, entre risos.

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Quis o destino que a última dessas escapadas do asilo ocorresse no fatídico dia em que Bruno Zanotto faleceria, em novembro de 2007. Sem saber que aquela seria a derradeira conversa com o avô sobre o Timão, em meio a um dos já tradicionais churrascos, Bruno Neto ouviu nostálgicas histórias sobre o passado vitorioso do Corinthians. O maior orgulho do avô? Nunca ter visto seu clube de coração rebaixado à Série B do Brasileirão. Diante da situação em que os comandados de Nelsinho Baptista se encontravam no campeonato, o neto corinthiano se comoveu, deu ao avô uma camiseta alvinegra de presente e foi além:

"O Corinthians ainda não tinha sido rebaixado. Mas estava querendo ser, time ruim. E meu avô já havia me falado que preferia morrer a ver o Corinthians na Série B. Mesmo não enxergando, ele zoava o Palmeiras por ter caído para a segunda divisão e tudo o mais", argumentou Bruno. "Precisei mentir. Disse que estávamos prestes a ser campeões."

Horas depois, o "italianão corinthiano", como era conhecido, morreu. E acabou enterrado com a camiseta recém-entregue pelo neto. Isso após 82 anos muito bem vividos, com boa parte deles dedicada às quase centenárias glórias corinthianas – e, claro, sem rebaixamentos.

Bruno Neto é torcedor fanático do Corinthians por influência do avô

Bruno Neto é torcedor fanático do Corinthians por influência do avô

Arquivo pessoal

"Eu quero morrer igual ao meu avô: com a camiseta do Corinthians. Acho que essa foi a importância mesmo. Ter conseguido presentear meu avô", finalizou Bruno.

Presente esse que foi muito além da tal camiseta. Graças a Bruno Neto, o avô descansou não só com o Corinthians. Mas em paz. Em paz com o Corinthians.

Na torcida lá de cima

É bem verdade que Bruno avô não presenciou o rebaixamento do Corinthians à Série B. Ufa! Mas também perdeu toda a reconstrução alvinegra que se iniciou justamente na Segundona, lá em 2008. Na última década, afinal de contas, o Timão foi "campeão de tudo".

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Em determinado momento da conversa com Bruno neto, surgiu o questionamento: o que seu avô acharia desse Corinthians dono de uma arena digna de abertura de Copa do Mundo, heptacampeão brasileiro, campeão da Libertadores e bicampeão mundial, entre outros tantos títulos conquistados na última década?

"Acredito que, se ele visse que o Corinthians cresceu tanto depois do rebaixamento, ele ficaria contente. Mas acho que, se ele não tivesse morrido em 2007, ele teria tido outro infarto em 2012 e aí provavelmente teria batido as botas", finalizou Bruno, com o bom humor que, assim como o corinthianismo, lhe foi passado pelo avô.

Sua vez!

Caro leitor, tem um causo marcante no qual o Corinthians seja protagonista? Já fez alguma loucura pelo Timão? Então entre em contato com a gente e envie sua história! Quem sabe você não se torna o próximo personagem do quadro 1 em 30 milhões aqui do Meu Timão?

Veja mais em: 1 em 30 milhões, Dérbi e Torcida do Corinthians.

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