Conheça a Fiel Dublin, o coração corinthiano que 'invadiu' pub na Ilha Esmeralda

Conheça a Fiel Dublin, o coração corinthiano que 'invadiu' pub na Ilha Esmeralda

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No inverno, rola até boneco de neve devidamente uniformizado!

No inverno, rola até boneco de neve devidamente uniformizado!

Arquivo pessoal

Um grupo de torcedores do Corinthians segue à risca o apelido de Fiel na capital e maior cidade da República da Irlanda, Dublin. Desde o começo de 2017, corinthianos se reúnem no bar Australiano, point de brasileiros situado na Parnell Street, em Dublin 1 (por lá não há bairros, e sim regiões postais), para torcer pelo clube do coração. E assim o farão na noite deste sábado, em que o Timão completa 108 anos e enfrenta o Atlético-MG na Arena Corinthians, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro.

O nascimento da Fiel Dublin, uma das inúmeras torcidas organizadas do Corinthians mundo afora, tem como ponto de partida a união entre brasileiros na Ilha Esmeralda. A milhares de quilômetros de casa e da família, alguns corinthianos encontraram na paixão pelo futebol (leia-se, pelo Corinthians) uma forma de encurtar a saudade da terra natal.

Corinthianos assistem às partidas e torcem juntos pelo Timão em pub irlandês

Corinthianos assistem às partidas e torcem juntos pelo Timão em pub irlandês

Arquivo pessoal

Morar na Europa, torcer pelo Corinthians, apreciar uma boa pint irlandesa (a cerveja deles). Vida boa, não? Não é bem assim...

Em entrevista ao Meu Timão por videoconferência, Marcio Silva, um dos fundadores da uniformizada, contou como é levar a essência do “ser Corinthians” aos irlandeses que, via de regra, dificilmente recusam uma boa festa regada a álcool – Dublin está entre as cidades com maior concentração de pubs no mundo, com cerca de 800 estabelecimentos distribuídos em 115 quilômetros quadrados.

O principal obstáculo em se torcer por um time de futebol brasileiro na Irlanda, além da saudade das arquibancadas, está no fuso horário. Dublin está quatro horas à frente do horário de Brasília nesta época do ano. Como a maioria dos jogos acontece às 21h45 (meio de semana), 19h e 16h (fins de semana), os torcedores acabam invadindo a madrugada em frente à TV.

“A pessoa vai dormir 4h30 para trabalhar às 10h da manhã. Fica acordada três horas por amor ao time. Isso é uma coisa impressionante”, enfatiza Marcio, de 39 anos de idade, oito deles vividos no país.

Durante o bate-papo com a reportagem, o “presidente”, como Marcio é carinhosamente chamado pelos demais fundadores e integrantes da uniformizada, faz questão de pontuar: o crescimento da Fiel Dublin é reflexo da comunhão entre corinthianos que têm como principal propósito fazer do Australiano um cantinho alvinegro (e brasileiro) na ilha da Irlanda. “Eu não fiz isso sozinho, de maneira alguma existiu uma pessoa única”.

Abaixo, o Meu Timão traz alguns trechos da entrevista. Acompanhe!

E fica aqui outro convite: se estiver por Dublin, dê uma passadinha no Australiano neste 1º de setembro, aniversário do Corinthians: a pint é por conta da casa para os 20 primeiros!

Leia a entrevista de Marcio Silva, “presidente” da Fiel Dublin, ao Meu Timão

Como tudo começou

Nossa história em Dublin começou com alguns amigos, nós nos reuníamos uns nas casas dos outros devido ao horário dos jogos aqui. No verão a gente fica apenas duas horas à frente do Brasil, e no inverno ficamos quatro horas. Todo jogo das 21h45, por exemplo, aqui para nós começa 1h45 da manhã. Todos esses amigos trabalham, uns fazem faculdade, outros têm passaporte, cada um tem uma história aqui em Dublin. Devido a esse grupo de amigos, a gente começou montar a Fiel Dublin, ela nasceu nas reuniões de amigos em casas.

À brasileira

Em maio do ano passado, fizemos um churrasco em comemoração ao aniversário da minha esposa e de outro amigo nosso e convidamos uma galera. E aí começou, pensamos: ‘Meu, precisamos parar de incomodar nossas esposas (risos) e encontrar um lugar para assistir aos jogos’. Aí que tivemos a ideia de nos reunir primeiramente no Three Spirits, só que não deu muito certo por causa dos horários – o dono do bar, que é brasileiro também, tinha outros tipos de festas que davam mais público para ele, então nós não podíamos, com a nossa bagunça, incomodar o povo que é irlandês.

Faixas personalizadas marcam presença nos jogos do clube

Faixas personalizadas marcam presença nos jogos do clube

Arquivo pessoal

Espaço pra todo mundo

Antigamente aqui em Dublin o pessoal já tinha um grupo, Dublin é Corinthians, de uma menina chamada Karen, mora em Cork, é uma mãe de família casada com um irish (irlandês). Eles assistiam jogos desde 2009 no bar Woolshed, conhecido como Australiano, porque é um bar australiano. Ele ganhou esse ano um prêmio por transmissão de jogos – Super Bowl, basquete, beisebol, críquete indiano, futebol mundial. Então a gente acabou voltando para esse bar, não junto dessa galera, mas como Fiel Dublin.

Nossa história começou entre alguns amigos, foi criada por um bando de amigos que tinha a missão de parar de encher o saco das esposas em casa até quatro horas da manhã e passar a ver num bar. Como tinham esses outros lances, resolvemos nos unir.

Agora é pra valer!

Nós fomos numa loja e pedimos para fazer uma camiseta da Fiel Dublin. Colocamos Fiel, o símbolo do Corinthians e a palavra Dublin embaixo, e nada mais. Fizemos essa camiseta. O mais importante de tudo foi que as notas fiscais foram postadas no grupo do WhatsApp, então as pessoas estavam cientes que compraram uma camiseta por nove euros. Ficou tudo L.H.P., tudo Coringão mesmo. Ninguém ganhou dinheiro com nada. Depois de fazermos a segunda leva de camisetas, explodiu! Aí o Rafael criou o Instagram, a Bruna começou a tomar conta, a Soraia... O Vinicius criou o Twitter, depois a Soraia assumiu.

Nota da redação: L.H.P. faz referência às palavras lealdade, humildade e procedimento, que formam o lema da Gaviões da Fiel, principal organizada do Corinthians, fundada em 1º de julho de 1969.

Louco por Ti!

Eu comprei um pano e pedi pra minha madrinha de casamento irish costurar para mim. Arrumei um brother do Rio de Janeiro, o João, que me ajudou a pichar a bandeira. Fiz uma bandeira de cinco por quatro metros da Fiel Dublin, o nosso bandeirão. O levamos para o bar Australiano e ganhamos o direito de ficar no bar. Nós não podemos levar instrumentos, então batucamos nos banquinhos mesmo (risos).

Marcio exibe bandeirão customizado da Fiel Dublin

Marcio exibe bandeirão customizado da Fiel Dublin

Arquivo pessoal

Que momento!

A Fiel Dublin está numa nova geração. O pessoal está cuidando mais da social media, outros mais de bandeira, chegaram bandeiras do Brasil. O Ari (produtor de bandeiras) fez uma bandeira que não tem o logo oficial ainda, mas é bandeira do Corinthians.

Suor e sacrifício

A vida aqui é difícil. Nós assistimos aos jogos do Corinthians aqui em Dublin e o ponto principal que tem de ser levado em consideração sobre as pessoas que estão aqui (na Europa): a pessoa vai dormir 4h30 para trabalhar às 10h da manhã. Fica acordada três horas por amor ao time. Isso é uma coisa impressionante. Tá certo que não são 200 pessoas que fazem isso em todos os jogos, mas em jogos importantes, eu tiro o chapéu para essas pessoas – e me incluo nisso. Você ir para um jogo sabendo que você precisa trabalhar no outro dia de manhã... É um esforço muito grande em prol de uma torcida, porque torcida não ganha nada. É por amor mesmo ao time.

Eu tiro meu chapéu pros torcedores da Fiel Dublin que vão aos jogos tarde sabendo que precisam acordar no outro dia de manhã. Não tem coisa mais bonita para fazer por seu time.

Foi mal aí, polícia!

Tem uma final contra o Palmeiras – aquela que eles estão chorando até hoje pelo título – nós saímos com o bandeirão de cinco metros no meio da rua, o pessoal sentou em frente ao bar. E não pode isso aqui, para você parar o trânsito primeiro precisa pedir permissão à polícia, e nós não pedimos permissão para ninguém (risos). Durou pouco, cerca de 20 minutos, mas acabou sendo muito legal.

Alô Loss...

Acho que a desclassificação na Libertadores não foi por falta de vontade dos jogadores, mas por falta de planejamento técnico. Gosto muito do Loss, vi as campanhas dele no futebol Sub-20, nos campeonatos, só que ele confiou no Roger, por exemplo, onde não é Corinthians. Não é ali. Nós ficamos p*** da vida, porque queríamos o Mateus Vital e o Romero no meio, como centroavante. Se o Vital fizesse um lado e o Pedrinho o outro, pronto, estava respondida a classificação na Libertadores da América.

... e Andrés!

Cadê o nosso patrocínio máster, que foi prometido pelo presidente em campanha, uma coisa que também não ficou muito clara pelo Corinthians? O Andrés, pela carreira política dele, em janeiro será processado, assim que sair do cargo (de deputado federal). O que ele poderia fazer pelo Corinthians no momento não é só pagar a Arena e tentar trazer o patrocínio da Caixa de volta, ele poderia trazer um patrocínio maior. Ele trouxe o patrocínio de uma empresa de videogames (Konami), só que o Corinthians está fora do Fifa. Quantos jogadores do Fifa querem o Corinthians?

Meus amigos falam: ‘Pô, de novo o Corinthians não está no Fifa?!’. Tem 30 milhões de torcedores. É pegar no pé da diretoria para poder fazer as coisas certas.

O aniversário é do Corinthians, mas o presente é da Fiel

Eu acredito que nós vamos levantar o caneco da Copa do Brasil. Sem dúvida. Para nós comemorarmos aqui e sermos felizes um pouquinho (risos).

Corinthianos voltam a se reunir no Australiano neste sábado, a partir das 21h (da Irlanda)

Corinthianos voltam a se reunir no Australiano neste sábado, a partir das 21h

Arquivo pessoal

Liderança da Fiel Dublin

  • Fundadores: Marcio Silva, Eduardo Magalhães, Gabriel Liberty, Diego Navarro, Rafael Infante, Fabio Brito e João Case;
  • Nova diretoria: Soraia, Bruna, Thais, Ricardo, Felipe, Isabela, Pedro e Tephi.

Veja mais em: Especiais do Meu Timão, Torcidas organizadas e Torcida do Corinthians.

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