Análise: Corinthians arma ferrolho e arranca empate em semifinal contra o Flamengo

Análise: Corinthians arma ferrolho e arranca empate em semifinal contra o Flamengo

Por João Pedro Izzo

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Corinthians trouxe empate do Maracanã diante do Flamengo, pela Copa do Brasil

Corinthians trouxe empate do Maracanã diante do Flamengo, pela Copa do Brasil

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Depois de uma estreia na "fogueira" diante do Palmeiras, Jair Ventura teve apenas mais dois dias para estruturar o Corinthians que iria a campo contra o Flamengo, na semifinal da Copa do Brasil. O Timão arrancou empate em 0 a 0 e depende de uma vitória simples na Arena para passar à final. O Meu Timão explica os motivos do resultado.

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Para surpresa de boa parte da Fiel e da imprensa, Jair Ventura mudou totalmente o esquema e os jogadores para o confronto decisivo da semifinal da Copa do Brasil. Armado em um 4-4-2, que teve várias variações no duelo, passando de um 4-1-4-1 defensivamente (chegou a ser 4-5-1 em alguns momentos) e 4-1-3-2 em raríssimos momentos de ataque, o Timão foi escalado com: Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Gabriel, Douglas e Jadson; Romero e Clayson. A estratégia era clara e objetiva: se defender a todo custo e, com muita cautela, tentar contra-ataques em velocidade.

Primeiro tempo

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Reprodução / TV

Conhecido por ter armado bom sistema defensivo em seus tempos de Botafogo, Jair Ventura explicou a estratégia do Corinthians no Maracanã após a partida. Com o adversário possuindo um "jogo apoiado muito forte pelo corredor central", sendo que o Flamengo possui três jogadores com característica cerebral, que tendem a centralizar (Éverton Ribeiro, Diego e Lucas Paquetá), o treinador buscou espelhar o 4-1-4-1 do adversário e assim tentar anular as principais peças de armação do time carioca.

É certo dizer que a ideia do novo técnico corinthiano foi arriscada. Um gol do adversário e toda a estratégia e plano de jogo iriam por água abaixo. Entretanto, o Corinthians foi ao Maracanã motivado em se defender com dez jogadores, que ocuparam muito bem os seus setores, compactaram as linhas e ressaltaram as dificuldades de criação que o rival teve diante de tanta retranca.

Os jogadores de ataque do Timão, sobretudo Clayson e Jadson, aproveitaram, inclusive, alguns erros de passe e desatenção do Flamengo para gerarem as principais chances do Corinthians ao longo do primeiro tempo.

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Nesta primeira chance, Lucas Paquetá errou passe em saída de bola e Clayson, ligado, invadiu a área e chutou na rede pelo lado de fora. Foi, certamente, a melhor chance de gol do Corinthians na partida, mas, observe a falta de atletas para concluir a jogada. Apenas Clayson estava mais avançado naquele momento e, diante de tanta importância com a marcação, o outro atacante da equipe, Romero, nem aparece na imagem, pois está preocupado em cobrir o lado direito da defesa. O apoio dos laterais não foi visto no lance (e praticamente durante todo o jogo).

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Já neste lance, Jadson e Clayson geraram boa trama no ataque e, após tabela, o atacante corinthiano deixou Douglas em boas condições para finalizar. Contudo, o volante pegou mal na bola e seu chute não teve direção correta. Já nesta imagem, o Corinthians se instala com mais jogadores em seu terço final. Tendendo a continuar com uma postura reativa nos próximos jogos, mais atletas ocupando a última faixa do campo em transições ofensivas pode representar mais possibilidades de chances criadas, o que pode ser trabalhado por Jair Ventura.

Pela parte do Flamengo, com seus principais jogadores encaixotados, coube à equipe levantar e cruzar bolas por quaisquer cantos do (péssimo) gramado do Maracanã. A única chance clara de gol do adversário na primeira etapa veio em bola espirrada após toque de cabeça, quando a defesa do Timão se posicionou mal e Paquetá chutou mascado para boa defesa de Cássio.

Segundo tempo

No segundo tempo, a postura do Corinthians, que já era precavida, ficou ainda mais pragmática. Foram quase 50 minutos de total domínio de posse de bola do Flamengo, retomadas no ataque, zagueiros jogando no campo do Timão, "chutões" e "bicos" para frente e para longe. Contudo, apesar do Corinthians praticamente ter renunciado a atacar, o domínio do rival era praticamente nulo em chances reais, visto que Cássio fez apenas uma intervenção com maior grau de dificuldade, em chute de fora da área de Diego.

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Observe na imagem que quatro corinthianos ocupam os últimos metros do meio de campo. Não há ninguém avançado e, Jadson, que não tinha obrigações defensivas na primeira etapa, foi recuado no segundo tempo para contribuir com o ferrolho do Corinthians. A equipe chamou demais o Flamengo para o campo de ataque e poderia ter pago o preço pela postura, mas o adversário não esteve em noite inspirada.

Como visto, não há corinthianos para iniciar transições, tampouco reter a bola no ataque e "chamar" faltas. Clayson e Romero, que tinham um pouco mais de liberdade no primeiro tempo, já serviam praticamente como assistentes dos laterais alvinegros. Douglas e Gabriel, que se apresentaram de maneira tímida na primeira etapa em relação ao ataque, não passaram da linha que cruza o meio de campo na etapa final.

Para sair um pouco do sufoco, um homem de frente nos minutos finais fez falta, visto que Cássio batia tiros de meta e lançava bolas, mas nenhum jogador corinthiano conseguiu ganhar no alto, sofrer faltas e puxar a marcação. Entretanto, há de ser entendido que Fagner e Gabriel sentiram desgaste físico e tiveram que ser substituídos por Paulo Roberto e Ángelo Araos, respectivamente. Clayson, principal argumento de escape visando rupturas na defesa rival, também saiu cansado, dando lugar a Mateus Vital.

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Em única escapada do Corinthians no segundo tempo, Araos não conseguiu encontrar Mateus Vital em boas condições de cruzar ou finalizar. A postura reativa surtiu efeito, mas precisa ser melhor executada nos próximos jogos.

Com o empate arrancado por 0 a 0, Jair Ventura e o Corinthians trouxeram a decisão para a Arena e saíram inteiros do Maracanã. O sistema defensivo do time como um todo, além de exibições seguras e precisas de Cássio, Léo Santos e Henrique, contribuíram muito para a sólida atuação em termos de defesa. A bola parada, problema crônico da equipe há tempos, foi muito explorada, porém, o time de Jair correspondeu bem às bolas levantadas em sua área.

Jair Ventura tem, agora, apenas mais três dias para trabalhar a equipe que enfrenta o Sport neste domingo, às 19h, na Arena Corinthians. Entretanto, é válido dizer que o time já apresenta sinais de mudança. As linhas estão mais próximas, como não se via com Osmar Loss, e a defesa se mostra mais sólida.

Como dito na análise anterior, Jair terá muitas dificuldades, sobretudo na parte ofensiva. Os contragolpes não se encaixam com facilidade e a equipe ainda sofre para criar e finalizar em gol. Depois do embate com os pernambucanos, o treinador terá uma semana para trabalhar, estruturar melhor suas ideias e implantá-las. A primeira parte (defensiva) vem melhorando. Resta acertar o ataque conforme os treinos e jogos acontecem.

Veja mais em: Jair Ventura e Copa do Brasil.

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