Torcedoras de Corinthians e Sport acusam PM de agressão na Arena; veja os relatos

Torcedoras de Corinthians e Sport acusam PM de agressão na Arena; veja os relatos

Por Meu Timão

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Torcedora do Corinthians discutindo com PM que a impediu de acessar a Arena

Torcedora do Corinthians discutindo com PM que a impediu de acessar a Arena

Foto: Reprodução

Uma torcedora do Corinthians e outra do Sport (esta deficiente física) acusam policiais militares do Estado de São Paulo de as impedirem de assistir ao jogo do último domingo, na Arena, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro. Segundo as mulheres, houve também agressão física e abuso de autoridade por parte da PM dentro do estádio corinthiano. As histórias das duas torcedores foram relatadas pelo Coletivo Democracia Corinthiana.

Maria Luiza, torcedora do Sport, é dentista e tradutora e sofre de deficiência motora decorrente de quadro grave de lúpus sistêmico. Ela foi detida pela PM durante a revista de entrada dos torcedores no setor visitante da Arena Corinthians por estar com uma máscara de Lula na mochila - houve uma manifestação de apoio ao ex-presidente horas antes do jogo, na Avenida Paulista.

"Estou ainda bastante cansada, confusa e abatida física e psicologicamente. Saliento que fui debochada quando alertei que era deficiente, e a PM feminina que fazia a revista me empurrou contra o portão de entrada do estádio, fazendo com que eu batesse a cabeça", relatou Maria Luiza. "Dado meu histórico de saúde e uso contínuo de anticoagulantes, uma pancada na cabeça representa pra mim risco de vida", acrescentou (veja mais abaixo).

Liliane Roque, torcedora do Timão, é professora e também relatou problemas com a PM na entrada da Arena Corinthians decorrente de sua ida à passeata pró-Lula antes da partida. Em sua mochila, havia papeis e uma bandeira em alusão ao ex-presidente e ao Partido dos Trabalhadores. Foi motivo para policias militares a barrarem, desta vez em uma das entradas de corinthianos.

"Hostilizaram muito (...) Torceram meu braço por duas vezes (...) Pegaram minha bolsa três vezes para ser revistada. O pior aconteceu quando eles viram a bandeira. Aí me colocaram num quartinho, fecharam a porta. Aí depois chegou uma policial feminina para me dar uma geral, revistaram minha mochila de novo. Pegaram meu celular, pegaram o celular do meu namorado (...)", descreveu Liliane em vídeo publicado pelo Coletivo Democracia Corinthiana.

Ambas as torcedoras haviam comprado ingressos. O Meu Timão entrou em contato com os responsáveis pela Arena Corinthians para saber quais providencias foram ou serão tomadas diante dos fatos relatados pelas mulheres. Até o momento não houve resposta à reportagem.

Relato de Maria Luiza (em texto)

Me chamo Maria Luiza. Sou dentista, tradutora, recifense. Moro em São Paulo há 6 anos e sou deficiente.

Tenho deficiência motora decorrente de um quadro muito grave de lúpus sistêmico.

Ontem, 16 de Setembro, tentei assistir ao jogo Sport e Corinthians, em Itaquera, e fui presa por estar com uma máscara do Lula DENTRO DA BOLSA.

Estou ainda bastante cansada, confusa e abatida física e psicologicamente.

Saliento que fui debochada quando alertei que era deficiente e a PM feminina que fazia a revista me empurrou contra o portão de entrada do estádio, fazendo com que eu batesse a cabeça.

Eu não me recusei a nada. Jamais discutiria com PMs. Só indaguei que, se a máscara era problema, eu já a tinha jogado fora. Eu somente queria assistir ao jogo.

A policial feminina Cabo Mendes, porém, gritava que eu "não ia assistir ao jogo, não".

Dizia que ela era autoridade e faria o que quisesse. O sargento masculino Mello disse, então, que eu não era deficiente pra ir a um jogo de futebol; e que eles iam fazer eu ver o que era ficar deficiente.

Mostrei minha carteirinha de deficiente e parece que isso só os fez ter mais raiva e me deram voz de prisão.

Quando a policial me empurrou, gritei para chamar atenção que era deficiente e que ela não precisava me tratar assim. Que eu faria o que ela pedisse.

Não adiantou. Ela queria exercer sua autoridade abusivamente. Um outro cabo, chamado Otoniel, se interpôs fisicamente para conter a colega. Agradeço pela atitude.

Comuniquei imediatamente os demais torcedores do Sport Club do Recife que estavam no estádio, os quais optaram por minimizar e relevar o ocorrido que foi muito grave.

Senti-me amedrontada, desamparada e abandonada. Dado meu histórico de saúde e uso contínuo de anticoagulantes, uma pancada na cabeça representa pra mim risco de vida.

Mantive-me calma. Uma vez ciente do meu estado, a postura truculenta do sargento Mello foi apaziguada e tentou me tratar bem, oferecendo até bolo.

Sendo que antes o próprio disse que eu não era deficiente pra ir ao jogo. Afirmou que, se eu dizia que era deficiente, eles podiam me foder e fazer ser uma deficiente.

Lamento que os colegas da torcida organizada do Sport em São Paulo não me acompanharam, nem deram importância devida ao fato e fui humilhada pela Cabo Mendes por estar sozinha.

Uma vez que não tive apoio de quem estava no estádio, enviei mensagens para amigos e graças ao apoio de Liliane T. Roque que estava também detida, me fortaleci e permaneci serena.

Agradeço ao advogado Luiz Barbosa que passou a noite me acompanhando e orientando.

Quero também salientar que costumo ir a campo assistir jogos do Sport desde criança.

Sou sócia subscritora, título herdado de meu pai, Severino Maia, ex-diretor de futebol e de remo e ex-conselheiro de nosso amado clube.

E NUNCA, nunquinha, imaginei passar tal situação ao tentar ir a campo. Fui 4 vezes à arena de Itaquera e, dessas vezes, só em uma um policial zombou que eu era muito branquinha pra ser pernambucana. Ele me deixou passar quando mostrei o RG de Pernambuco.

Deixo o texto como alerta contra o ódio e a intolerância que está se instalando no Brasil e que não podemos fechar os olhos para esses absurdos.

Depois explico mais. Podem perguntar, questionar, acabei de fazer exames de sangue pra ver se está tudo ok. Estou me sentindo mal mas foi decorrente do medo e do estresse causados.

Acordei com úlceras na boca, travada de artrite, olhos inflamados e dor no corpo todo, fora o galo na cabeça da empurrão que a cabo Mendes me deu no portão.

Meu dia hoje foi perdido decorrente disso.

Fui procurada pela Democracia Corinthiana que é um coletivo fundado por Sócrates e cia na década de 80 e eles pediram autorização para levar o ocorrido ontem à direção do clube.

Demonstraram preocupação e ofereceram apoio.
Infelizmente não tive o mesmo apoio dos meus conterrâneos.

Relato de Liliane Roque (em vídeo)

Gravação feita por Liliane na Arena Corinthians

Veja mais em: Arena Corinthians.

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