1 em 30 milhões: ele já salvou até Marcelinho Carioca pós-assalto. Tudo graças a um videocassete

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Kuke, Marcelinho Carioca e a ainda bebê Juliana

Kuke, Marcelinho Carioca e a ainda bebê Juliana

Arquivo pessoal

Imagine em meio a 30 milhões de torcedores você ser o maior em alguma coisa ligada ao Corinthians. O que foi em mais jogos. O que tem mais camisas. O que fez mais caravanas. E por aí vai. Beira a utopia essa projeção diante da dificuldade em garantir com convicção que fulano ou ciclano seja o primeiro num desses rankings. É muito provável, afinal, que sempre surja um beltrano alegando ser ainda mais corinthiano no quesito que estiver em jogo.

Pois o Meu Timão desafia algum louco a contestar que Antonio Carlos Anacoretto de Oliveira, de 50 anos de idade, seja dono do maior acervo de vídeos do Corinthians no mundo. Gravando praticamente todos os jogos do Timão há mais de 30 anos, Kuke, como é mais conhecido, tem em casa um cômodo dedicado somente a organizar suas gravações de milhares de gols, melhores momentos e partidas na íntegra.

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"Eu amo o Corinthians. Eu amo gravar o Corinthians. Eu amo rever esses jogos, esses gols. Só vou parar de gravar o dia que eu morrer. Meu amor pelo Corinthians é incondicional. Só um corinthiano para ter um acervo desses. Amor igual o corinthiano tem pelo Corinthians não tem", sintetiza Kuke, em entrevista ao Meu Timão, antes de abrir à reportagem seu acervo – e sua memória cheia de boas recordações ligadas ao hobbie que se tornou razão de ser.

Acervo de Kuke é dentro de casa e engloba até coleção de camisas

Acervo de Kuke é dentro de casa e engloba até coleção de camisas

Arquivo pessoal

O maior acervo de vídeos do Corinthians no mundo

Tudo começou em meados da década de 80, quando Kuke adquiriu um videocassete, aparelho então recém-lançado no Brasil e sonho de consumo das famílias na época. Pode parecer bobeira para a nova geração acostumada com streaming e os inúmeros dispositivos móveis atuais, mas era o máximo na época a possibilidade de gravar filmes, novelas, jornais e jogos de futebol para assistir depois do horário em que estavam sendo transmitidos na TV. Mas enfim... Recapitulando! Ou melhor, rebobinando...

A exibição de um especial sobre a campanha de 1983 do Corinthians seria transmitida pela TV Cultura no tradicional programa Grandes Momentos do Esporte. Kuke gravou. E aí...

"Depois assisti no mesmo dia de novo, durante a semana várias vezes... Achei muito legal a ideia de gravar e rever. Foi assim que surgiu a ideia de fazer um acervo sobre o Corinthians. Daí em diante nunca mais parei de gravar", contou o fanático torcedor alvinegro.

Kuke diz não saber precisamente quantas fitas de VHS ou DVDs tem. Algo em torno de 80 unidades de cada tipo de mídia, talvez. O que vale para ele é saber que tem os vídeos de históricos jogos como a vitória do Corinthians por 3 a 2 sobre o Bayern de Munique, da Alemanha, e a derrota pelo mesmo placar para o Reims, da França, numa excursão alvinegra pela Europa datada de 1959, por exemplo. O acervo começa a ficar completo, porém, dos anos 70 em diante, em meio a muita insistência do colecionador junto a emissoras de TV. Dos anos 80 em diante, quando passou a depender única e exclusivamente de seu videocassete para fazer as gravações, Kuke tem a coleção completa pelo menos de gols e melhores momentos de todos os jogos disputados pelo Timão. Recentemente passou de VHS para DVD e depois para mídias digitais. Hoje são nove discos rígidos lotados de arquivos.

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Atualmente Kuke não usa mais VHS ou DVD para gravar. Os jogos já são registrados diretamente como arquivos digitais em seu computador. "Corinthians jogou domingo agora contra o Santos, por exemplo. Gravei o jogo na íntegra na Globo. Melhores momentos gravei da Fox Sports, da ESPN Brasil, da Globo, da Gazeta, da Band, da RedeTV!... Além de ter os melhores momentos desse jogo específico, tenho também todos os ângulos de imagens, todas as narrações de todas as emissores", disse, orgulhosíssimo de seu trabalho.

VHS ainda dá trabalho

Apesar do avanço da tecnologia neste início de novo milênio, engana-se quem pensa que as fitas de VHS não fazem mais parte da rotina de Kuke como colecionador. Ele faz questão de mantê-las em perfeito estado de conservação. E isso demanda um trabalhão...

"Passo dois, três meses rebobinando as fitas VHS porque senão elas emboloram, estragam. Tenho um carinho muito grande por elas. Nem precisa mais do VHS ou do DVD hoje em dia, né, já vem digitalizado. A tecnologia avançou, ajudou muito. Mas até hoje tenho trabalho para rebobinar. Faço isso três, quatro vezes, para garantir que não empedrem, não fiquem duras, não estraguem. Não é fácil. Mas está lá tudo lindo, intacto no meu acervo", contou.

Esse processo, que leva de dois a três meses, cabe ressaltar, é repetido por Kuke ao menos duas vezes por ano com suas quase cem fitas de VHS...

Aos leitores do Meu Timão mais novinhos: eis uma fita VHS

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Reprodução

Anjo da guarda... Do Pé de Anjo!

Uma das mais especiais fitas, porém, não está sendo rebobinada anualmente por Kuke. Na verdade, há 20 anos, não está nem mesmo no acervo. Trata-se de um compilado de gols de Marcelinho Carioca pelo Corinthians – com exceção dos anotados em 2000 e 2001.

Em 1999, o irmão do Pé de Anjo foi vítima de um assalto. Em meio aos objetos roubados, o criminoso levou fitas VHS de Marcelinho Carioca nas quais estavam seus gols pelo Timão. A notícia foi veiculada pela imprensa na época. Bastou Kuke tomar conhecimento para...

"Fui lá no Pacaembu, entrei no vestiário e falei com o Marcelinho: 'Tenho todos os seus gols gravados. Quer que eu grave pra você?'. Ele ficou meio desconfiado, mas falou que eu podia gravar. Aí passei dois meses editando os gols dele. Voltei lá", relatou, antes de se recordar do diálogo travado com o ídolo corinthiano no segundo encontro:

"Sua fita tá pronta. Com todos os seus gols."

"Ah, você tá brincando!"

"Não tô. Sou colecionador, eu gravo mesmo."

"Tá bom então. Vamos jantar amanhã. E daí você me entrega."

Marcelinho então levou Kuke e família a uma pizzaria, onde recebeu das mãos do colecionador a tal fita. "Colocamos lá na TV da pizzaria mesmo e ficamos vendo. Ele não acreditou. Ficou depois disso uns três Natais ligando pra agradecer", comentou.

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No compilado entregue a Marcelinho, Kuke acrescentou um "gol secreto" que nem o Pé de Anjo tinha em seu arquivo original. No empate de 1 a 1 contra o Jorge Wilstermann, pela Libertadores de 1999, foi o ex-camisa 7 quem balançou as redes para o Timão. Na época, a emissora boliviana detentora dos direitos de transmissão cobrava uma fortuna pelas imagens do jogo. A Globo nem nenhum outro canal brasileiro comprou. E o colecionador corinthiano precisou caçar o tento alvinegro junto à CNN, canal de notícias dos Estados Unidos.

"Na hora que ele viu esse gol, ele me conta que pegou a bola no meio de campo e o Vampeta falou 'não, não, não!'. E ele fez o gol do meio de campo. 'Golaço!', falou logo depois o Vampeta", contou, entre risos, lembrando a conversa travada com Marcelinho Carioca.

Marcelinho Carioca instantes antes de chutar; Vampeta comemorando o gol

Marcelinho Carioca antes de chutar; Vampeta comemorando o gol

Reprodução/TV

Santa Alessandra

São 33 anos juntos. E 27 de casamento. E verdade seja dita: o acervo de Kuke só existe hoje da forma como é graças à gigantesca ajuda da esposa Alessandra. Eles nunca foram todos juntos com os filhos Rodrigo e Juliana ao estádio. O motivo? Alguém tem sempre de ficar em casa para gravar os jogos – este alguém é quase sempre a santa mulher. E aí na volta para casa, pós-jogo, o colecionador retoma as rédeas e inicia a gravação dos melhores momentos numa rotina que já entrou em sua quarta década...

"Às vezes dá uma reclamadinha, mas nunca deixou de gravar. Depois de mais de 30 anos, acostuma (risos). Briga não rola jamais. Nossa família é muito unida", se gabou.

"A Alessandra, aliás, gosta do Corinthians por minha causa. O que já converti de gente no mundo pra virar corinthiano... Meu cunhado com quase 30 anos era palmeirense fanático e de tanto eu encher o saco virou um dos corinthianos mais fanáticos", acrescentou.

Kuke e os filhos Rodrigo e Juliana na Arena. Alessandra? Bem...

Kuke e os filhos Rodrigo e Juliana na Arena. A Alessandra? Bem...

Arquivo pessoal

Figurinhas raras

Como em toda boa e velha coleção, há aquelas figurinhas mais raras, que custaram muito esforço para serem garimpadas. No caso do acervo de Kuke, são duas fitas que fazem as vias de cromo brilhante. "Uma gravação da campanha de 1979, aquela figurinha carimbada que eu não tinha e só fui conseguir depois. E um Corinthians 8 a 2 na Seleção de Trinidad e Tobago (1982), aquela figurinha que falta pra você completar o álbum", revelou.

No fim das contas, porém, não são bem as figurinhas raras que mais têm significado na coleção de Kuke. Como bom corinthiano (e colecionador) que é, guarda com carinho mesmo aquelas recordações que o fazem lembrar o porquê de ser o "dono do maior acervo de vídeos do Timão do mundo": seu amor pelo Sport Club Corinthians Paulista.

"Lógico que gosto de todas as épocas, mas os que mais importam pra mim mesmo, os que eu mais gosto, são todos os jogos dos anos 80. São os mais especiais. Por quê? Porque foi quando comecei a ir ao estádio, a entender o que era o Corinthians, o que era a torcida do Corinthians, o que era amar o Corinthians", resumiu o colecionador apaixonado por Biro-Biro, Casagrande, Sócrates, Zenon & cia – e, acima de tudo e todos, pelo Corinthians.

Kuke é, definitivamente, um louco pelo Corinthians

Kuke é, definitivamente, um louco pelo Corinthians

Arquivo pessoal

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