1 em 30 milhões: escravo do lixo, Jamaica é exceção no preto e branco do vizinho Corinthians

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Jamaica recebeu reportagem do Meu Timão em sua casa nas proximidades do CT do Corinthians

Jamaica recebeu reportagem do Meu Timão em sua casa nas proximidades do CT do Corinthians

Lucas Faraldo / Meu Timão

"Recebi doação das tintas de uma fábrica aqui da região e saí pintando os postes desde o Parque Ecológico com intenção de chegar até a Arena Corinthians. Foi na época da Copa de 2014. Ali um funcionário se irritou comigo e parei. Mas o que pintei já estava pintado, né?"

O reciclador Valdir Carvalho, o Jamaica, de 49 anos, é natural de Amargosa, interior da Bahia, e partiu para São Paulo com 18 primaveras nas costas. Cinco anos depois, já pai, entraria pela primeira vez numa sala de aula – em reunião de pais e professores na escola do filho.

Quem pensa em julgá-lo por ser analfabeto não tem ideia do quão crítico e bem informado sobre a situação político-social do país é este ilustre vizinho do CT Joaquim Grava. Mora atrás do Parque Ecológico do Tietê há quase duas décadas e viu serem construídos na região primeiro o centro de treinamento do Corinthians e depois o estádio. Carrega (ou carregava...) consigo histórias com personagens desde o centroavante Edno ao técnico Tite.

Ele é exceção no quadro 1 em 30 milhões aqui do Meu Timão: é torcedor do Bahia de infância, mas adotou o Corinthians nas últimas décadas mesmo sem nunca ter pisado num estádio – seja em Salvador ou São Paulo. "Tenho até medo de entrar lá na Arena e trocar pra valer o Bahia pelo Corinthians", brinca o baiano já ao menos semi-corinthiano.

Ah! Para conhecer Jamaica é importante entender que preto e branco não fazem parte de sua paleta de cores diária. Os corinthianos que o desculpem, mas com Valdir o negócio é vermelho, verde e amarelo: são os pigmentos da natureza segundo o movimento rastafári e o gênero musical reggae, dos quais nosso torcedor café com leite é fã por se tratar de uma cultura enraizada na Bahia e difundida principalmente na música local. Assim são pintados todos os cantos, móveis, eletrodomésticos e objetos encontrados em sua casa.

Visão que se tem da casa de Jamaica logo ao entrar

Visão que se tem da casa de Jamaica logo ao entrar

Lucas Faraldo / Meu Timão

"Para os novos políticos, vermelho é PT. Para os corinthianos, verde é Palmeiras. Para muitos, o amarelo é ouro. Para nós, o vermelho é o sangue de Cristo derramado por nós mesmos. O verde é a natureza, o universo em geral. O amarelo é o sol e o próprio ouro, que é muito importante na Terra, mas na mão do homem não vale nada", sintetiza Jamaica.

"Se for pra me dar um quilo de ouro pra ostentar, guardar, não vender, e um quilo de maconha, prefiro um quilo de maconha", brinca Valdir, que contraria o preconceito da sociedade ao jurar por Jah (Deus Altíssimo) nunca na vida ter sido visto publicamente fumando um baseado sequer

Corinthians e Jamaica: uma paleta de cores no Parque Ecológico

Após chegar em São Paulo em busca de emprego, Jamaica morou por mais de dez anos em favelas no Jaraguá e na Penha. No início dos anos 2000, estacionou de vez no bairro da Vila Cisper, atrás de onde, dez anos depois, surgiria o roxo CT do Corinthians. Ali deu início à construção da casa que, até os dias atuais, insistem em não deixá-lo chamá-la de sua.

Antes de viver o dia a dia do Corinthians em termos de proximidade física, Valdir já tinha o time do Parque São Jorge mais ou menos traçado em seu destino. "É um santo muito querido na Bahia. Achava até que o tal do Parque São Jorge era um espaço religioso de rezas e festas. Só depois de chegar aqui em São Paulo descobri que era clube esportivo".

"Sou torcedor do Bahia, mas falo mais do Corinthians do que qualquer torcedor corinthiano. Se você passar na rua e falar comigo, pode estar com a camisa do Palmeiras, mas vou chamar de corinthiano. É meu costume. Todos são corinthianos."

Presente nas festas da torcida em ocasiões de jogos importantes e comemorações de títulos, Jamaica já teve de dar satisfações a um exaltado corinthiano: "Estava eu com camisa do Bahia e chapéu verde do reggae no meio dos Gaviões. O cara veio me questionar. Respondi que até onde eu sabia Bahia e reggae não tinham rixa com o Corinthians", diz entre risos.

Entre os pertences de Jamaica... Olha o Corinthians aí!

Entre os pertences de Jamaica... Olha o Corinthians aí!

Lucas Faraldo / Meu Timão

As cores do reggae, aliás, vão muito além de seus pertences. Valdir pinta tudo o que pode com a tríade vermelha, verde e amarela. Assim estão os postes de iluminação que cercam o CT do Corinthians. Obra de Jamaica: "Me perguntam o que ganho com isso. Não sei!"

O que Jamaica ganha nem ele muito menos nós do Meu Timão sabemos. O que a população da região ganha? Aí o papo é outro... Além de colaborar como ninguém por limpeza e meio ambiente (disso falaremos mais pra frente), Valdir é também um artista: monta estações de leitura e televisão no bairro, todas customizadas com cores do reggae, e para onde transmite caseiros programas de rádio e TV por meio de fios instalados por ele mesmo pelas ruas. "Roda Cidade, Roda Brasil, Mandando Brasa, Saudade do Rei... São muitos. Mas nunca registrei. Não sei como faz essas coisas de registrar". Tema quase onipresente nos programas é a reciclagem (justamente sobre a qual falaremos já já).

Uma das estações de TV que Jamaica criou na vizinhança

Uma das estações de TV que Jamaica criou na vizinhança

Lucas Faraldo / Meu Timão

Talvez a mais carismática estação de TV de Jamaica, porém, não seja essas construídas com bancos, pneus e até estruturas de pontos de ônibus pela região. Ele tinha o TV Móvel: um carro modelo Del Rey 1988 todo customizado com as tais cores do reggae e com televisão de 40 polegadas que transmitia os programas e até jogos do Timão.

Jamaica mostrando foto do TV Móvel

Jamaica mostrando foto do TV Móvel

Lucas Faraldo / Meu Timão

E foi desfilando com esse automóvel perto do CT Joaquim Grava que Jamaica se tornou conhecido entre jogadores, comissão técnica e funcionários do Corinthians nos últimos anos!

Carrões: de luxo & reciclagem

Jamaica já era saudosista com o Corinthians desde antes de saber que ali no Parque Ecológico, pertinho de onde mora e também onde trabalha (lembra a história da reciclagem? Chegaremos lá!), os jogadores treinariam e se concentrariam para os jogos que vira e mexe são transmitidos no TV Móvel. Então não perderia a chance de tietá-los assim que pudesse.

Daquela primeira geração que desfrutou das até hoje predominantemente roxas instalações do CT Joaquim Grava, o centroavante Edno foi o primeiro nome a saltar da língua de Valdir durante a entrevista. Daí em diante, choveram ídolos: o volante Ralf, o atacante Emerson Sheik, os goleiros Cássio, Danilo Fernandes e principalmente Julio Cesar. (Quase) Todos paravam ao lado do carro de Jamaica na saída dos treinos para tirar fotos e papear.

"Julio Cesar eu já considerava um catador de papelão igual eu. A gente se encontrava e batia papo, conversava, ele me perguntava coisas... É um cara que tem um grau de humildade elevado", conta, citando o goleiro que saiu do Timão em 2014 e hoje está no Bragantino.

"Eu via aqueles caras com carrão e pensava: poxa, nunca vão parar pra falar comigo, né? Depois que fui vendo que eram pessoas como eu. Todos são iguais, só muda a classe social."

Dos nomes que passaram pelo Corinthians na última década, apenas dois decepcionaram Jamaica. Mesmo assim o (talvez ainda mais humilde que Julio Cesar) reciclador não guarda mágoas: "Paulinho e Romarinho nunca pararam pra mim. Tentei três vezes e não consegui. Depois não falei mais, não. Mas considero também que o cara sai dali atrasado, pensando na família, na namorada, sei lá, né", argumenta, tentando (com sucesso) evitar fechar a cara.

Apesar de conhecer mais jogadores do Corinthians do que quase qualquer torcedor genuinamente corinthiano, Valdir nunca assistiu a um jogo do Timão (ou de qualquer outra equipe) num estádio. "E olha que acompanhei de perto a construção da Arena, tinha fotos no carro. Mas depois de pronto, já tinha aquela burocracia de entrar, aquela coisa toda", explica, logo antes de contar uma alvinegra novidade: "Mas combinei recentemente com um amigo meu de ir ao próximo jogo entre Bahia e Corinthians, agora no segundo semestre."

A experiência será inusitada para Jamaica. Não só por se tratar de uma primeira ida a um estádio: para quem Valdir torcerá? Conseguirá lamentar defesa de Cássio, por exemplo?

"Eu não sou corinthiano declarado, né? Mas quando o Corinthians joga quero ver Cássio pegando pênalti, queria ver Júlio César e Danilo Fernandes pegando pênalti, queria ver Sheik fazendo gol, quero ver Ralf fazendo gol... Toda essa turma. Aquele gol sai de uma pessoa que eu conheço, que já parou o carro ali na saída do CT para conversar comigo", argumenta.

Uma das estações de TV que Jamaica criou para transmitir seus programas

Estação de TV que Jamaica criou para transmitir seus programas

Lucas Faraldo / Meu Timão

Apreensão do TV Móvel

Há dois meses, em 19 de abril, Sexta-Feira Santa, Valdir rumava a Poá, na Região Metropolitana de São Paulo, para cumprir a tradição anual de passar o feriado com os parentes que ali moram. Ainda na saída da zona leste paulistana, em São Miguel, foi parado numa batida policial. E de lá saiu a pé: o Del Rey mais customizado da cidade foi apreendido.

"Passando vários carros. Todos passaram. Na hora que fui passar, mandou eu encostar. E não foi a primeira vez, isso é até comum, geralmente guardas param pra cumprimentar e tirar foto, elogiar o carro, o trabalho que faço como reciclador. Eu imaginei que ele tinha me parado ali por uma situação dessa. Nem som eu estava tocando porque não ligo o rádio do carro na Sexta-Feira Santa", contextualiza Jamaica.

"Quando teve treino do Irã na Copa de 2014, tinha polícia federal, exército... Eles passavam por mim, viam o carro e me paravam pra cumprimentar."

Segundo Valdir, o policial militar que o parou pediu sua habilitação e a documentação do carro. Não tinha consigo a papelada, mas apresentou um documento que lhe fora concedido pelo Parque Ecológico, onde tem autorização para dirigir coletando papelão há mais de cinco anos. Ao questionar o motivo da abordagem, Jamaica não foi atendido pelo PM.

Valdir e sua autorização para dirigir no Parque Ecológico

Valdir e sua autorização para dirigir no Parque Ecológico

Lucas Faraldo / Meu Timão

"'Eu sei que você está fiscalizando todos que passam, mas parado foi só o meu'. Pergunto o motivo da abordagem porque, já que esse carro está preso, vou fazer outro carro e não quero repetir o mesmo 'erro' que gerou essa abordagem. Ele disse que estava cumprindo a lei. Lei todo mundo cumpre, eu cumpro a lei da forma que a lei me permita que eu cumpra ela. Mas queria saber o motivo que o levou a abordar o carro. Ele não soube explicar", lamenta.

O perfil questionador de Jamaica vai muito além de seus interesses pessoais, que fique registrado. Exemplo máximo nos tempos atuais é o reciclador marcar presença tanto nas manifestações pró-Bolsonaro quanto nas contrárias ao Governo. Anteriormente, fazia o mesmo nos protestos pró e contra impeachment de Dilma Rousseff. "É pra eu saber o que é falado dos dois lados e então raciocinar o que tem sentido e o que não tem", diz.

"Eu sou analfabeto, mas acompanho o noticiário. E essa história de Sérgio Moro e Dallagnol? Os mesmos que aplaudiram quando ele grampeou os telefones de Dilma e Lula agora acham errado o vazamento das mensagens dele. Agora eu lhe pergunto: como é que eu vou saber o que é certo e o que é errado?"

"É uma pena que não conheçam ou valorizem o trabalho do reciclador. Meu carro tem a mesma utilidade pública que uma viatura. Mas não é bancado com dinheiro público. E alguns que dirigem viaturas não sabem o valor da reciclagem; as autoridades acima muito menos."

Um dos policiais que apreenderam o carro, num primeiro momento, proibiu que Jamaica até mesmo tirasse qualquer de seus objetos pessoais do carro – inclusive a televisão que funciona como coração do TV Móvel. Após desgastante conversa, outro PM que estava na batida autorizou Jamaica a retirar os pertences. Como a maioria era fixa na lataria, muitos foram levados junto com o automóvel ao pátio em Guarulhos onde estão até hoje.

Helicóptero ficava em cima do carro e quase foi também apreendido

Helicóptero ficava em cima do carro e quase foi também apreendido

Lucas Faraldo / Meu Timão

"Nesse meu carro foi preso o Tite, quase a equipe do Corinthians inteira, cozinheiro do Corinthians, Maria Julia Coutinho, Veruska Donato, Monalisa Perrone, Oscar Filho, o finado Jair Rodrigues. Todos eles tinham fotos naquele carro", discorre o tietador que também era tietado.

Jamaica não tem esperança de recuperar o carro. Em decorrência do estado geralmente precário de seus automóveis, é comum perdê-los ao longo dos anos – por problemas mecânicos, ele destaca, e não por abordagens policiais supostamente injustificadas.

Tão logo vão, os carros voltam. No dia seguinte à apreensão, um vizinho lhe deu um Chevette caindo aos pedaços. "Já quase na hora do amém", brinca Jamaica, que não recusou a doação, claro. O novo projeto de TV Móvel quebra o galho do reciclador em seu trabalho diário de coleta de lixo (e já está inclusive sendo customizado com pintura, decoração e iluminação) enquanto um automóvel melhor não é obtido. "No fundo, tendo quatro rodas e avaliado em uns R$ 5 mil já é como se fosse um carro zero pra mim".

Para o uso de Jamaica, carros mais simples dão para o gasto. Dificilmente ele engata a terceira marcha, por exemplo. Esse inclusive é um fato que o faz questionar ainda mais a irredutibilidade do policial militar que o abordou, o ignorou e o deixou a pé naquele feriado.

"Nunca botei 40 km/h num carro. Se eu botar 100 km/h é capaz de eu capotar o carro mesmo. Mas em 20 anos dirigindo nunca tive uma reclamação de minha conduta como motorista. Não tenho uma irresponsabilidade no trânsito. E perdi meu carro. Aí vejo o filho do Eike Batista atropelar o ciclista e nada acontecer. O dinheiro é o carro-chefe", pontua.

E é por falta de dinheiro que Jamaica não regulariza sua situação como motorista – entenda-se tirar a carteira nacional de habilitação. Uma difícil realidade para um "escravo do lixo".

Escravos do lixo

"O trabalho de reciclagem em São Paulo é escravidão. E o cara quando vai parar na reciclagem é empurrado a força."

Quando chegou em São Paulo, Jamaica trabalhava como operador de máquinas de impressão de jornais. Tinha salário de 180 reais, mas passou mais de um ano sem receber seus vencimentos. A empresa não somente jamais pagou seu ex-funcionário como, logo após declarar falência, reabriu em outra cidade com novo nome e CNPJ. Um processo trabalhista em nome de Valdir se arrasta na Justiça há mais de 20 anos.

"Se a justiça trabalhista se importasse com o trabalhador, eu poderia construir alguma coisinha aqui em casa mesmo, alugar esse espaço, não sei. Viver melhor, né", analisa. "A própria carteira de habilitação pra dirigir... Eu não tiro porque, hoje, precisaria recolher sei lá quantas toneladas de papelão pra pagar tudo isso, não sei nem fazer essas contas."

Sem emprego, dinheiro ou apoio prático da Justiça, Jamaica foi se virando como reciclador. Ele garante que catadores (desde os que pilotam carros aos que puxam carroças) são responsáveis pela maioria da limpeza de rua da cidade. Mesmo assim, não têm reconhecimento. "Nas cooperativas de reciclagem, os funcionários que trabalham seis dias por semana tiram 500 reais por mês sem qualquer benefício", alega.

Apesar de fazer um trabalho mais independente, no sentido de não ser funcionário de cooperativas, Valdir vive drama financeiro similar aos colegas de profissão: para cada 100 kg de papelão recolhidos, consegue dinheiro para comprar um 1 kg de pão. Ele tira cerca de R$ 300 por mês com a reciclagem. E consegue uma renda extra com revenda de objetos que, para seus vizinhos e demais moradores da região, não passam de lixo.

Paralelamente, ainda convive com a dor de cabeça de tentar, há quase duas décadas, regularizar a casa que construiu no terreno onde mora na Vila Cisper. Mais fácil, claro, seria se mudar. Mas com que dinheiro? Largando para trás tudo que vem juntando há anos?

Valdri Casa

Lucas Faraldo / Meu Timão

"Eu me esforço muito. Aí vem a Justiça do Trabalho e me empurra pra reciclagem. Caio na reciclagem, faço um carro desse para andar do jeito que posso, é atração na rua, o pessoal gosta, e vem um guarda e me prende o carro e fico sem condição de comprar outro", suspira.

"Por mais burro e analfabeto que eu seja: um juiz acreditar na palavra de um bandido delator e numa foto como provas e documentos de que Lula tem de ser preso? Enquanto isso, eu já fiz ao menos 60 viagens a órgãos públicos em 17 anos, com documentação e tudo, correndo atrás do reconhecimento de que esta casa é minha; e ainda não consegui", argumenta o sempre questionador e antenado Jamaica

A vida é um prisma: do 'branco' nascem as cores

Um dos primeiros relatos de Jamaica logo que abriu as portas de sua casa de dois cômodos à reportagem foi de que o único objeto ali dentro comprado por ele era o lençol com estampa de leões usado como manta do sofá. Custou R$ 25 e foi adquirido numa das viagens de carona com caminhoneiros feitas por Valdir para visitar a família que segue na Bahia.

Valdir sofá

Lucas Faraldo / Meu Timão

Assim como as tintas para pintar os postes do CT do Corinthians, as caronas para viajar de volta ao sertão baiano ou os próprios carros que utiliza para seu trabalho de reciclagem, tudo carrega um traço forte da personalidade de Jamaica: jamais pede qualquer coisa.

Tudo o que tem vem da reciclagem, de amigos ou de pessoas que se solidarizam com seu esforço em iluminar (de vermelho, verde e amarelo) o mundo à sua volta. Desde rotineiros almoços na fábrica de um empresário da região que o vê como um amigo aos copos d'água de moradores que de suas casas o veem suando pelas ruas do bairro.

"Nunca pedi nada a ninguém. Minha mãe não me deixava pegar nada que tivesse pedido. Se eu aparecia com algo desse tipo em casa, ela me fazia voltar para o mato para devolver", diz.

Essa característica de Jamaica o impede de colocar em prática uma ideia dada a ele por um publicitário que há pouco tempo se solidarizou ao saber da apreensão do TV Móvel: gravar um vídeo para ser publicado nas redes sociais pedindo ajuda para comprar um novo carro.

Na única vez em que sua voz adquiriu tom inseguro, com variação de volume, Jamaica chorou: "Aquelas pessoas da área em que fui nascido e criado têm acesso à internet também. E eles me vendo pedindo... Não tanto por mim. Mas se um daqueles colegas me vê pedindo coisa na internet...", tenta explicar, antes de uma longa pausa. Retoma. "Eu acho que nunca vou ter coragem de gravar um vídeo em que eu apareça pedindo ajuda para comprar um carro, sabe? A situação pra eles é muito pior do que pra mim". E desabou a chorar, dando vazão a lágrimas incolores que contrastam com as vivas cores do arco-íris que é sua vida.

A pedido do Meu Timão, então, Jamaica topou dar uma volta pelo bairro para se animar. Pelas ruas mostrou suas construções de estações de TV e rádio, o Chevette com os dias contados por estar caindo aos pedaços... E os vizinhos. Não houve um sequer por quem Valdir cruzou que não tenha o cumprimentado e, em troca, sido chamada de corinthiano.

Jamaica criou biblioteca comunitária em suas estações de TV e rádio

Jamaica criou biblioteca comunitária em suas estações de TV e rádio

Lucas Faraldo / Meu Timão

Ali, sem nem perceber, Valdir deu uma pitada do porquê de não precisar pedir para ter o que precisa. O reciclador meio corinthiano, meio tricolor baiano e totalmente tricolor regueiro é desses casos de pessoa iluminada que espalha e atrai coisas boas. E tem reconhecimento – ao menos de quem está aberto a receber e devolver esse monte de luzes, cores e energias.

Veja mais em: 1 em 30 milhões, CT Joaquim Grava, Ídolos do Corinthians, Torcida do Corinthians e Ex-jogadores do Corinthians.

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