Atual situação, social, folha salarial, CT da base, Arena... diretor financeiro fala ao Meu Timão

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Matias Antonio Romano Ávila, diretor financeiro do Corinthians

Matias Antonio Romano Ávila, diretor financeiro do Corinthians

Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Como está atual saúde financeira do Corinthians? O clube pode terminar o ano de 2019 no azul? A parte social e os esportes atrapalham as finanças? A meta estipulada para patrocínios no uniforme foi atingida com as dez empresas? Ter sido eliminado nas oitavas de final da Copa do Brasil mexeu no que estava previsto em termos de premiação? Quanto é a atual folha salarial? O CT da base consumiu e ainda consumirá muito dinheiro?

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Para responder todas essas perguntas e outros questionamentos do torcedor do Timão, a reportagem do Meu Timão conversou com Matias Antonio Romano Ávila, diretor financeiro do clube.

Durante cerca de 50 minutos em sua sala no Parque São Jorge, o responsável de uma das principais áreas do Corinthians não se furtou a responder tais questionamentos. Acompanhe abaixo a entrevista exclusiva de Matias Ávila.

Entrevista exclusiva

Finanças

Meu Timão: Como estão as finanças do Corinthians?

Matias Ávila: "Estamos num momento de transição, de uma fase gloriosa, com inúmeros títulos, para um outro momento, após duas mudanças grandes de elenco. Aqui 85% é futebol, mas o corinthiano tem essa ânsia de viver o clube. Ele pode não saber de outro esporte, mas ele vai lá, ele vai pelo escudo, pela marca. A nossa participação nos esportes amadores é importante para a marca e custa muito pouco. Não temos problemas com os outros esportes, como muita a gente acredita. Não temos problemas nem com o social, nem com outros esportes nem com o clube em si. O clube está bem administrado e satisfaz aqueles que elegem o presidente, mas não é só isso. Administramos para 14 mil associados, sendo 7 mil pagantes, e 40 milhões de torcedores. Tem de ter uma visão macro, porque o dinheiro entra pela marca que é o clube. A camisa está completa, que era o anseio. Se tivéssemos um máster o ano passado, teria fechado zerado.

A gente programou um orçamento zerado este ano. A grande arrecadação de TV entra no segundo semestre e precisamos vender um ou dois jogadores. Tá no orçamento: R$ 54 milhões necessários em venda de atletas. Se entrar, zerou. Tá ótimo. Precisa vender muito pouco, mas precisa. O nosso negócio é comprar, vender, ser competitivo e ganhar títulos. O Andrés é afinado com a gente. E é corajoso, hein! Colocar um teto (salarial), trabalhar um time de primeira linha e ser competitivo precisa ter coragem. A parte financeira do Corinthians é bem controlada.

Trouxemos 14 jogadores. Você bota a camisa do Corinthians no cara, ele não consegue jogar, que culpa tem o treinador? O presidente? Então, voltando, o Corinthians é o futebol, que é controlado. Estamos com salários em dia, com o Profut (Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, que visa o pagamento de dívidas com o Governo de forma parcelada) em dia. Temos alguma coisa atrasada de direitos de imagem, imposto... mas financeiramente estamos preparados para terminar o ano de 2019 zerado".

Júnior Urso chegou, vestiu a camisa e náo precisou nem de adaptação

Júnior Urso chegou, vestiu a camisa e não precisou nem de adaptação

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Meu Timão: Pelo último balanço, divulgado na virada do ano, havia pendências com a compra de direitos econômicos. Dá para manter as obrigações mensais em dia e acertar essas pendências antigas ao mesmo tempo?

Matias Ávila: "O Corinthians, em algum momento, achou que era o clube mais rico do mundo. O Corinthians é o Corinthians, que não é o mais rico do mundo. Contratamos um monte de jogador que não conseguiu jogar. Isso é um jogo, você traz um cara que não joga? Que culpa tem o treinador? Que culpa tem o presidente? E tem cara que entra que parece ter dez anos de clube, como o Júnior Urso, o Romarinho ali atrás. Vez ou outra aparece algumas coisas antigas, que atrapalham. Mas é um clube de mais de cem anos, não tem jeito."

Meu Timão: Nos últimos dois anos, o ano fiscal fechou em déficit: R$ 38 milhões (2017) e R$ 17 milhões (2018), respectivamente. A provisão para 2019 é fechar, praticamente, zerado. Azul, mas um azul clarinho, algo em torno de R$ 600 mil. Será possível mesmo?

Matias Ávila: "Estamos caminhando para isso, precisamos cumprir algumas etapas. Acredito que o Andrés entregará o cargo no fim do ano que vem numa situação virtuosa, administrado, CT da base pronto, todas as negociações da Arena sendo feitas e o Corinthians competitivo, acho que será o cenário final."

Corinthians caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil

Corinthians caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Premiações e salários

Meu Timão: O clube, até agora, arrecadou R$ 19 milhões em premiações nas três competições (Paulistão, Copa do Brasil e Sul-Americana).

Matias Ávila: "Metade disso nem entrou ainda."

Meu Timão: Sim, devido às disputas que ainda não acabaram...

Matias Ávila: "Mas algumas coisas vão entrando. Outras no final."

Meu Timão: É um bom valor? Estava previsto? Ou será um plus?

Matias Ávila: "Prevíamos a Sul-Americana até o Racing Club (primeira fase). E Copa do Brasil prevíamos uma antes da fase que saímos (quarta fase, que antecedeu às oitavas diante do Flamengo). Foi bom. Mas não colocamos nada no orçamento. Ainda não entrou boa parte desses valores já garantidos."

Meu Timão: Quanto é a folha salarial do Corinthians hoje em dia?

Matias Ávila:"Nossa folha hoje é R$ 10,4 milhões, com uma queda prevista ainda no meio do ano para algo em torno de R$ 9,5 milhões."

Outros gastos

Meu Timão: Parte da torcida sempre diz que o social e os esportes amadores derrubam as finanças do clube. O que poderia dizer a essas pessoas?

Matias Ávila: "Gasta peanuts (amendoim em inglês), gasta nada. Lembro da conta do ano passado. Era assim: custou R$ 21 milhões, arrecadamos R$ 14 milhões. Para quem arrecada R$ 500 milhões, pagar R$ 7 milhões de esportes amadores numa temporada não é nada. Tem três clubes no mundo que tem futebol profissional, base, feminino, futsal, basquete, vôlei e natação: Barcelona, Real Madrid e o Corinthians. Ponto. Não temos que trabalhar isso? Quando fala que tem de acabar um deles eu fico p... da vida. Me chateia demais, não pode acabar. É se impor como marca."

Meu Timão: Na administração passada se alardeou um processo de diminuição de custo operacional e pessoal. Como anda esse processo?

Matias Ávila: "Continua. Corinthians tem um processo que faz parte do programa de governo do Andrés, que é assim: todos os contratos são registrados em compliance (conjunto de disciplinas a fim de cumprir e se fazer cumprir as normas legais e regulamentares), ou seja, não se paga nenhuma nota no clube que não esteja dentro do próprio contrato. A empresa do fornecedor tem de fazer parte do contrato. Não pode dar uma nota de um e o contrato é outro. Aqui não sai nada por fora. Tudo é computado dentro do balanço do clube. Todos os diretores são responsáveis pelas áreas, eu cobro eles. Quando passa eu encho o saco, fico no pé. Marketing, social, cultural, esportes terrestres, aquáticos, amadores, base, feminino e o futebol... todos são cobrados. Clube tem regras e transparências a serem cumpridas. Vou dar um exemplo: o Corinthians gastava 8 milhões de reais por ano em brindes, camisas que davam aos conselheiros, etc. Não dá mais nada para ninguém. Outra coisa: conselheiro tem direito a um ingresso e tem direito a comprar mais quatro ingressos. Ah, é final e quero 50. Não. Ah, é clássico contra o Palmeiras. Não tem mais do que o acordado e acabou. Regra se cumpre. Vale para todos os diretores e conselheiros. O Corinthians tem regras de direitos e compliance."

Uniforme de jogo do Corinthians tem dez patrocinadores, além da Nike

Uniforme de jogo do Corinthians tem dez patrocinadores, além da Nike

Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Marketing e patrocínios

Meu Timão: O marketing do Corinthians colocou dez patrocinadores no uniforme, além da Nike. Quanto está valendo a camisa?

Matias Ávila: "Não sei bem. O Caio (Campos, superintendente de marketing) pode falar melhor, mas acho que é R$ 54 milhões. Acho. Sem a Nike, só as marcas."

Meu Timão: Lembra quanto tinha colocado na provisão para arrecadar com o uniforme?

Matias Ávila: "Acho que foi R$ 44 milhões (de valor mínimo de patrocínio). Mas é um dinheiro que não entrou em sua totalidade, vai entrando todo mês. Lá no final do ano que podemos falar melhor disso."

Meu Timão: E o máster? Renderá o esperado? Quando divulgar o balanço de 2019, vai aparecer o valor de R$ 12 milhões? R$ 30 milhões?

Matias Ávila: "Pergunta para o Caio, mas tenho um número: antes de lançar o digital, tínhamos umas sete mil contas abertas nas agências do BMG. Pra você ver a força da marca. Depois que abriu o digital, acho que temos umas 14 mil contas. Ou mais. O Caio pode ajudar melhor. Vai dar um número bom. São dois anos. Pode ser melhor do que a gente imaginava. Estamos confiantes."

Em tempo: confira a entrevista exclusiva do Meu Timão com o líder do marketing do Corinthians, Caio Campos.

Primeiro e segundo semestre

Meu Timão: Todos os conselheiros que a gente conversa dizem a condição financeira será mais tranquila no segundo semestre. É verdade isso?

Matias Ávila: "Dinheiro de TV, que melhora no segundo semestre."

Meu Timão: Essa melhora pode render investimentos novos? Ou já está comprometida?

Matias Ávila: "Tudo está comprometido. A previsão é de R$ 240 milhões por ano (de televisão), a gente espera arrecadar mais."

Meu Timão: Precisou recorrer a bancos no primeiro semestre?

Matias Ávila: "Você tem isso com uma coisa normal, você precisa equalizar despesa e receita. A despesa é todo mês, a receita nem sempre. Muitas vezes falta alguma coisa, aí você precisa tomar empréstimo. Os custos financeiros do Corinthians é pra isso: equalizar despesa e receita. O ano passado economizamos R$ 4 milhões do orçado (em busca de empréstimos), este ano estamos um pouquinho acima dentro do orçado. Nós só temos relações com banco de primeira linha, além de uns bancos de investimento."

Mercado da bola e emprestados

Meu Timão: Os R$ 54 milhões necessários com a venda de jogador ainda não aconteceram. A tendência é que seja nesta janela...

Matias Ávila: "O ano passado vendemos mais no fim do ano, outubro, novembro. Mas a ideia é usar esse período para preparar o time de 2020, arrecadar mais com direitos de TV e patrocínio, que está indo bem."

Meu Timão: Voltando a falar dos profissionais, alguns clubes pagam mais de R$ 1 milhão de salário para alguns jogadores. Isso é inviável para o Corinthians?

Matias Ávila: "Nós não faremos isso. Torcedor pode desencanar que jamais faremos isso. Eventualmente pode trazer um jogador e ter de pagar pelos direitos dele, diluídos por mês, etc. Isso seria diferente. Mas de salário, não."

Meu Timão: Sobre a folha de R$ 10,4 mil, é possível diminuir o valor dessa folha ou um clube do tamanho do Corinthians é impossível pensar nisso?

Matias Ávila: "Para ser competitivo, na minha opinião, o Corinthians precisa ter uma folha de R$ 10 milhões. Eu já cheguei a falar isso para o Andrés, não vamos conseguir fazer sete, oito, nove. Temos de ter uma folha de dez mesmo. É comprar, vender, formar, fazer acontecer para manter uma folha assim."

Marlone está no Goiás junto com os também corinthianos Giovanni Augusto e Yago

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Divulgação

Meu Timão: Boa parte dos 32 emprestados têm salário pago pelo Corinthians. Ou 100% ou alguma parte. Dá pra falar que esse é um grande problema do Corinthians e dos outros clubes grandes do Brasil?

Matias Ávila: "O grande problema da lei é que não se pode demitir. Tem de pagar e honrar até o fim do contrato."

CT da base e Arena Corinthians

Meu Timão: Sobre o CT da base, qual o valor que custará ao término da obra?

Matias Ávila: "Já gastamos R$ 12 milhões, acho que devemos gastar mais uns R$ 5 milhões. Isso está no orçamento. Será um espaço espetacular, ninguém terá um igual no Brasil. Será um centro para 150 jogadores da base, a partir dos 15 anos."

Arena Corinthians terá novidades nos próximos dias, impactando na vida do torcedor

Arena Corinthians terá novidades nos próximos dias, impactando na vida do torcedor

Bruno Teixeira/Ag. Corinthians

Meu Timão: A Arena Corinthians faz parte de outra contabilidade. Mas o que poderia falar sobre o estádio? O pagamento e o custo do mesmo...

Matias Ávila: "Tem um fundo composto por três empresas: Caixa, Corinthians e Odebrecht. Este fundo que construiu a Arena. A Caixa fez um empréstimo ao fundo e o fundo tem de pagar o empréstimo, de 600 milhões e pouco. O Corinthians já pagou R$ 150 milhões. E deve pouco mais de R$ 400 milhões. Pagamos R$ 6 milhões durante oito meses e R$ 2,5 milhões durante os outros quatro meses do ano. Isso é o empréstimo do fundo. Paralelamente a isso, o Corinthians precisou aumentar a Arena para fazer a abertura da Copa e quem fez essas obras foi a Odebrecht. O clube recebeu os CIDs da Prefeitura para pagar a Odebrecht. O valor da construção menos as obras não concluídas e menos os CIDs, dá uma dívida que é completamente pagável. Mas essa negociação tem três partes. O que temos de acertar é essa diferença a pagar. Dos 12 anos acordados inicialmente, pagamos os quatro primeiros. A Arena é uma dívida administrável. O Corinthians administra isso com a Caixa e a Odebrecht. Essa recuperação judicial da construtura acho que pode ajudar. Eles precisam de dinheiro e nós precisamos pagar."

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Parque São Jorge, Arena Corinthians e Base do Corinthians.

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