1 em 30 milhões: como ex-sushiman já deixou mais de R$ 100 mil na Arena Corinthians só em 2019

1 em 30 milhões: como ex-sushiman já deixou mais de R$ 100 mil na Arena Corinthians só em 2019

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Dois ônibus da caravana Alvinegros do Vale compareceram ao jogo do último sábado contra o Ceará

Dois ônibus da caravana Alvinegros do Vale compareceram ao jogo do último sábado contra o Ceará

Arquivo pessoal

Ludinel Fonseca é um dos poucos torcedores do Corinthians que pode se gabar de viver do próprio Corinthians. Literal e financeiramente. Com 30 anos de idade e morador de São José dos Campos (SP), esse louco do bando largou a profissão para investir num negócio que, somente até este início de setembro, já injetou mais de R$ 100 mil na Arena em 2019.

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É Ludinel quem está por trás da Alvinegros do Vale, maior caravana da região do Vale do Paraíba (entre São Paulo e Rio de Janeiro), movimentando, de acordo com as contas do próprio criador, mais de dez mil torcedores rumo a Pacaembu e principalmente Arena Corinthians desde o início de 2014, quando foi criada.

Ex-sushiman, este torcedor corinthiano faz hoje as contas de quanto investiu somente em 2019 por meio da Alvinegros do Vale. Apenas de estacionamento na Arena, foram R$ 15.500 até o jogo desse sábado, contra o Ceará, ocasião em que três ônibus levaram cerca de 150 torcedores. Também neste ano, 68 veículos (ônibus e vans) já foram alugados por Ludinel, que conta R$ 89 mil gastos com ingressos nos 28 jogos disputados na Arena.

"Tudo para os cofres do nosso Coringão!", festeja o torcedor joseense, em entrevista concedida ao Meu Timão, na qual contou a história da caravana que começou com um grupo de cinco amigos num carro popular e, em meia década, evoluiu para o aluguel de vans e ônibus e o transporte de centenas de torcedores por jogo em Itaquera - e vez ou outra em outros locais nos jogos do Corinthians como visitante.

A história da caravana

Tudo começou quando, há mais de dez anos, Ludinel conheceu Carlão numa visita a uma Poderoso Timão - aquele que se tornaria grande amigo era dono de algumas lojas da rede corinthiana e também organizava caravanas. Ludinel não pensou duas vezes ao receber o convite de Carlão para integrar o grupo de amigos que viajava junto para assistir ao Timão.

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Com o passar dos anos, Carlão se desvinculou das lojas e das caravanas. Recentemente faleceu. Não sem deixar o legado que seria muito bem aproveitado por Ludinel. "Foi ele quem me motivou a continuar esse trabalho. As cidades aqui do entorno ficaram órfãs de caravana. Foi aí que decidi, há quase seis anos, fazer isso aí: os Alvinegros do Vale", conta.

Alvinegros do Vale vai aos jogos do Corinthians de vans e ônibus

Alvinegros do Vale vai aos jogos do Corinthians de vans e ônibus

Arquivo pessoal

Criado oficialmente em fevereiro de 2014, a Alvinegros do Vale ganhou esse nome em 22 de novembro de 2015, na ocasião da histórica goleada de 6 a 1 sobre o São Paulo no Majestoso que marcou a entrega da taça de hexacampeão brasileiro ao Corinthians. "Ideia do amigo Daniel Sanchez", credita Ludinel.

A partir de então, a caravana só cresce. O que começou com um grupo de cinco amigos apertados num Celta indo para a capital ver os jogos do Corinthians se tornou tendência primeiro em Jacareí, depois na própria São José dos Campos e então nas demais cidades do Vale do Paraíba. "De um carro virou uma van, De uma van, duas, de duas três. De três vans um ônibus, que já não estava suportando. E hoje temos uma média de dois ônibus todo jogo em Itaquera estacionando dentro da Arena Corinthians trazendo conforto e comodidade. Hoje o que vendemos para o pessoal é esse serviço, esse translado já com ingresso", explica.

A gratidão ao eterno amigo e corinthiano Carlão também é externada por Ludinel. "Não fazemos nada sozinhos, tenho uma equipe por trás que me ajuda a reservas ingressos. Uma mão lava a outra: vão comigo ao estádio todos os jogos, não pagam nada por estarem me ajudando. Não ganhamos rios de dinheiro, mas no que pudermos ajudar, ações sociais... Isso tudo herdei do Carlão, que Deus o tenha, que começou a fazer as caravanas do zero, emprestando Fiel Torcedor. E muitos que iam aos jogos com ele seguem indo comigo, criamos laços de amizade, fui padrinho de casamento de uma dessas pessoas", relata.

'Larguei tudo para viver de Corinthians'

Com a profissionalização da caravana a partir de 2016, Ludinel decidiu largar a profissão de sushiman, na qual havia recebido promoção recente, para se tornar um agenciador de viagens exclusivo para corinthianos. "Comecei firma e forte nessa batalha, injetei apenas R$ 20 (em publicidade) no Facebook e comecei a fazer essa história acontecer. Larguei tudo, vi que não estava compensando (conciliar as responsabilidades), não conseguia tempo para ir aos jogos... As pessoas começaram a aparecer mais e mais e mais e se tornou um trabalho para mim. Larguei tudo para viver de Corinthians. A Alvinegros do Vale para mim é como se fosse um filho", sintetiza este louco de um bando cada vez maior de... alvinegros do Vale.

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A perspectiva de ser dono do próprio negócio e ganhar melhor do que como sushiman-chefe também pesou. Na primeira caravana mais organizada, Ludinel faturou metade do seu salário em apenas um jogo. "Pensei: 'preciso investir nisso, trazer retorno, qualidade, conforto às pessoas'. Consigo ter uma vida legal, tranquila, mas não roubando o corinthiano, e sim cobrando um preço justo de acordo com o que o Corinthians estipula para os jogos", analisa, antes de enfatizar que a experiência no negócio transformou as prioridades e motivações:

"A parte financeira hoje ficou em segundo plano. Realizar sonhos, ver o agradecimento de algumas pessoas que levaram um avô, um pai, um parente que nunca havia ido à Arena Corinthians, isso para mim é muito mais gratificante do que qualquer parte financeira."

Camisa comemorativa de cinco anos da caravana

Camisa comemorativa de cinco anos da caravana

Arquivo pessoal

Definitivamente, esse dia não era dia de Corinthians

O Corinthians joga de 34 a 35 jogos por ano na Arena. As caravanas dos Alvinegros do Vale acontecem em praticamente todas as partidas desde a inauguração do estádio. Não é de se estranhar que, vez ou outra, surja um perrengue nas viagens desse bando de corinthianos. Foi assim na derrota de 1 a 0 para o Grêmio, em agosto do ano passado, pelo Brasileirão.

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"Estávamos com uma empresa cujo dono faleceu e os herdeiros não cuidavam direito da manutenção dos ônibus", começa a contar Ludinel. "Fomos em umas 90 pessoas em dois ônibus. No meio do caminho, um dos ônibus quebrou."

Como o outro veículo, onde estava Ludinel, puxava o bonde rumo a São Paulo, não foi possível parar para prestar socorro em plena rodovia Ayrton Senna. O líder da caravana levou então a primeira metade do grupo para o estádio e, assim que os cerca de 45 alvinegros foram descarregados, retornou para resgatar o restante.

"Esse pessoal entrou com 30 minutos do primeiro tempo rolando já. Resultado: prometemos ingressos gratuitos no jogo seguinte, contra o Paraná. Até aí, estava tudo bem. Mas daí teve a volta", lembra Ludinel, se referindo ao retorno para o Vale do Paraíba pós-derrota para o Grêmio. E definitivamente, aquele não era um sábado favorável à Fiel:

"Mandaram ônibus reserva. E o ônibus reserva quebrou também! Aí, como quebrou na Dutra, uma rodovial federal, tiveram de guinchar o ônibus porque ele estava com documento vencido. Só desgraça, só derrota", finaliza a história, entre risos. No fim das contas, um ônibus regular deu conta de levar o pessoal para suas respectivas cidades.

E tome aventura! Aos trancos e barrancos, sempre atrás do Corinthians.

Alvinegros do Vale foi ao Maracanã na Copa do Brasil-19 contra o Flamengo

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Arquivo pessoal

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