Corinthians x Caixa: teorias sobre 'jogada política' ganham força no Parque São Jorge

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Arena Corinthians é palco de queda de braço entre clube e Caixa Econômica Federal

Arena Corinthians é palco de queda de braço entre clube e Caixa Econômica Federal

Danilo Augusto/Meu Timão

Assunto que tomou conta do Corinthians desde a última quinta-feira, a cobrança da dívida de aproximadamente R$ 500 milhões por parte da Caixa Econômica Federal tem levantado teorias nos bastidores do Parque São Jorge. Seja entre conselheiros da situação ou da oposição, muito tem se especulado acerca de "jogadas políticas".

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O Meu Timão mostra abaixo duas delas e traz a opinião de especialistas sobre o assunto para mostrar o que tem e o que não tem fundamento por trás das histórias.

Uma primeira versão que circula no clube é de uma relação indireta da Odebrecht com a execução da dívida. Os atuais responsáveis pela Caixa teriam se incomodado em ver o Corinthians seguir como seu devedor enquanto quitava as contas com a construtora.

A notificação extrajudicial da Caixa até pode ter relação com a Odebrecht, mas não exatamente pelo motivo acima que vem sendo ventilado no Parque São Jorge. O advogado Roberto Piccelli, que tem coluna no Meu Timão para falar sobre temas jurídicos e institucionais ligados ao Corinthians, dá seu parecer: "A diretoria sempre declarou publicamente que pagaria a dívida com a Caixa preferencialmente com a renda da própria bilheteria, e a da Odebrecht com os CIDs que a Prefeitura iria emitir pelo fato de o empreendimento ter sido construído na região de Itaquera", inicia.

Nesta sexta-feira, o presidente Andrés Sanchez confirmou não haver mais dívida com a Odebrecht. Segundo Piccelli, esse destravamento nas negociações entre o Corinthians e a construtora se deu por dois motivos:

  • pelo julgamento em segunda instância favorável ao clube na ação movida pelo Ministério Público sobre a legalidade dos CIDs;
  • e pelo recente pedido de recuperação judicial da Odebrecht, que necessita portanto de dinheiro em caixa. Assim é esperado que negociem rapidamente o que têm a receber.

Mas e o que isso teria a ver com a execução da dívida com a Caixa?

"No caso da Caixa, a dívida é do Corinthians e de um braço da Odebrecht. Com a recuperação judicial da construtora, uma das garantias do contrato de financiamento com a Caixa desapareceu. Quando isso acontece, como é um banco público, caso não se ofereça uma nova garantia, o gestor normalmente não tem margem para decidir se executa ou não a dívida. Uma negociação é possível, mas tem de ser bem fundamentada", explica o advogado.

O que se sabe das negociações até então travadas entre as altas cúpulas de Corinthians e Caixa é que havia um acordo apalavrado ainda com antiga gestão do banco com mudanças nas formas de pagamento do financiamento. E aí entra a segunda teoria que vem ganhando espaço no Parque São Jorge: um suposto interesse do Governo Federal em pressionar o execução da dívida. A atual gestão da Caixa foi nomeada pela equipe do presidente da república, Jair Bolsonaro, que mês passado falou em "pegar o estádio", sugerindo depender dele e de seus subordinados tomar a Arena Corinthians do clube. Muita gente associa o estádio de Itaquera às figuras dos ex-presidentes Lula (torcedor declarado do Timão e relativamente próximo de Andrés Sanchez) e Dilma (presidente na época da inauguração), sabidos desafetos de Bolsonaro no âmbito da política nacional.

"As declarações que o presidente deu sobre tomar o estádio foram infelizes, mas apesar disso não acredito que esse imbróglio seja fruto de perseguição política", opina Piccelli. "Ele e qualquer outro político sabem que esse tipo de perseguição causaria um custo político entre os torcedores. A única coisa que dá pra relacionar ao atual governo é uma política de cobrar devoluções dos bancos públicos, que têm ficado sem dinheiro. O presidente da Caixa, por exemplo, se comprometeu recentemente a devolver 17 milhões de reais ao governo federal até o fim do ano. Obviamente isso deixa o banco mais pressionado na hora de negociar ou renegociar os contratos", acrescenta.

Quem aparece com opinião distinta é o também advogado Flavio Schegerin, que estava junto com os quatro corinthianos que conseguiram liminar na Justiça para assistir ao jogo de 2013 contra o Millonarios, pela Libertadores, que aconteceu no Pacaembu com portões fechados. Também questionado sobre o tema pelo Meu Timão, ele enxerga "viés político evidente":

"Para mim está evidente que essa postura da Caixa Econômica Federal tem viés essencialmente político. O Governo atual resolveu rever os contratos de financiamento, em especial o da Arena Corinthians e, por não encontrar qualquer irregularidade, resolveu retaliar os atos dos Governos anteriores e o próprio Corinthians, talvez movido por razões ideológicas ou, até, quem sabe, clubísticas", opina.

"Pelos fatos veiculados na imprensa, verifica-se que o Corinthians vinha cumprindo com suas obrigações contratuais de forma regular e pode ter tido alguma dificuldade de pagamento, a qual não necessariamente deveria ensejar uma medida jurídica drástica, até porque estamos tratando de um contrato complexo e de valor relevante, que merece tratamento diferenciado. Ressalte-se que qualquer atraso acarretará encargos ao devedor, não tendo qualquer prejuízo para a Caixa", conclui Schegerin.

E de fato o Corinthians vem pagando um alto valor de juros por conta dos pagamentos parcelados e por vezes atrasados. O empréstimo de R$ 400 milhões tomado junto com BNDES via Caixa para construção da Arena se tornou uma dívida hoje avaliada entre R$ 470 milhões (segundo o clube) e R$ 520 milhões (segundo o banco) mesmo já tendo sido pagos quase R$ 180 milhões à Caixa pelo fundo que administra o estádio.

Presidente da Caixa nega perseguição

Do lado da Caixa, o discurso aparenta ser mais ameno que a própria notificação extrajudicial. Em conversa com a Folha de S.Paulo, o presidente do banco estatal, Pedro Guimarães, negou qualquer tipo de perseguição ao Corinthians e encarou a situação com normalidade.

"Não tem perseguição nenhuma. Isso serve para qualquer caso, qualquer cliente. De maneira natural e tranquila, inclusive seguindo os ritos jurídicos. Em termos gerais, a Caixa é um banco estatal, que se tiver garantia e não houver renegociação, tem que executar. Para não executar uma garantia, qualquer que seja, em uma operação em que a Caixa deixou de receber é que é preciso ter uma ótima justificativa", alegou o economista.

Guimarães assumiu a presidência da Caixa no início do governo de Jair Bolsonaro por indicação da própria equipe formada pelo presidente da república. Muito daí se alimenta a teoria de que o banco estaria pressionando o Corinthians por questões políticas.

Por outro lado, Guimarães sugeriu estar aberto a conversar com o clube, mesmo enfatizando não estar falando específica e necessariamente sobre a situação da Arena Corinthians.

"E, como em qualquer caso, estamos 100% abertos para uma renegociação. Se houver uma discussão de novo, podemos interromper a execução. Não estou falando em caso específico, estou falando em casos gerais", apontou o manda-chuva da Caixa Econômica Federal.

Veja mais em: Arena Corinthians, Parque São Jorge e Diretoria do Corinthians.

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