#Mundial20anos: 'A música Todo Poderoso Timão foi o que nos deu força', lembra Oswaldo de Oliveira

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Oswaldo de Oliveira foi o comandante do Timão na conquista do título mundial de 2000; treinador voltou ao clube em 2004 e 2016

Oswaldo de Oliveira foi o comandante do Timão na conquista do título mundial de 2000; treinador voltou ao clube em 2004 e 2016

Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

O elenco que conquistou o Mundial de Clubes da Fifa de 2000 foi um dos mais estrelados da história do Corinthians. Para se ter uma ideia, dos 11 titulares que iniciaram a decisão contra o Vasco, nada menos do que seis disputaram ao menos uma Copa do Mundo. São eles: Dida, em 1998, 2002 e 2006; Vampeta, em 2002; Ricardinho, em 2002; Edílson, em 2002; Luizão, em 2002; Freddy Rincón, em 1990, 1994 e 1998.

Mas como foi lidar com tantos jogadores famosos? Como foi comandar tantos egos aflorados? Como domar tantas feras? Nesta terça-feira, dia 14, o título completa 20 anos. Em busca dessas respostas, então, a reportagem do Meu Timão falou com o comandante daquele time: Oswaldo de Oliveira.

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Sem clube desde que saiu do Fluminense no ano passado, o treinador de 69 anos relembrou detalhes daquela histórica conquista a pedido do Meu Timão. Da dificuldade física de jogadores sem férias, passando pelos confrontos da primeira fase, que incluiu o Real Madrid, até chegar a imagem do seu abraço para a arquibancada, tão mostrada em canais de televisão mesmo duas décadas depois.

Acompanhe abaixo a entrevista exclusiva com Oswaldo de Oliveira

Meu Timão: Como foi administrar o cansaço daquele grupo? O que foi feito fora de campo para minimizar aquilo? Já que os jogadores vinham da sequência do Brasileiro até o Natal, sem férias, nada...

Oswaldo de Oliveira: Tivemos um fim de temporada muito duro, de 99 para 2000, com a disputa de todas as competições. O Corinthians fez, se não me engano, entre 80 e 85 jogos. Os jogadores estavam, realmente, bastante desgastados. Realmente foi uma parada duríssima. A dedicação dos atletas foi algo bastante relevante, na coisa de se recuperar, de alimentar bem, o sono, tudo aquilo que falávamos com ele. Fomos de uma temporada para outra sem descanso. A final (do Brasileiro, contra o Atlético-MG) foi no dia 23 de dezembro, reiniciamos no dia 26 após o Natal. E dali foi até o final, dia 14 de janeiro. E com um final muito sobrecarregado, foi difícil de superar aquilo.

Aquele grito "Ooooo Poderoso Timão" que vinha da arquibancada, ininterrupto, resistente, ajudou de alguma maneira a minimizar o cansaço durante os 120 minutos?

O lance do "Ooooo Todo Poderoso Timão" foi o espírito que veio dar essa força, foi uma benção que saiu da arquibancada, aquela ajuda dos 25 mil corinthianos, daqueles 25 mil fiéis, nos ajudou a suportar e tirar energia de onde não havia mais. Então, esse cântico foi abençoado. Agradecemos demais a Fiel por ter tido aquele momento de criatividade que acabou entusiasmando nossa equipe no momento mais importante.

Duelo com o Al-Nassr acabou sendo um dos mais difíceis daquele Mundial de Clubes de 2000

Duelo com o Al-Nassr, da Arábia Saudita, acabou sendo um dos mais difíceis daquele Mundial de Clubes de 2000

Site oficial do Corinthians

Fale um pouco da campanha em si. Os três jogos anteriores à decisão. Como era estudar o adversário numa época que tinha bem menos informação e tecnologia como se tem hoje em dia? Como foi trabalhar Al-Nassr e Raja Casablanca nesse sentindo? Deram mais trabalho do que você imaginava? E o duelo histórico com o Real Madrid? Tem algum bastidor interessante daquele jogo histórico?

Eu já conhecia os dois, o Al-Nassr principalmente, pois tinha trabalhado no Catar, tendo esse time como adversário. Na Copa da Ásia, em 96, enfrentamos o Al-Nassr. Eles tinham um time forte, tinham um príncipe poderoso que investia bastante no time. Eles tinham um jogador que eu tinha jogado contra, um marroquino pelo lado esquerdo, não lembro o nome dele agora. Tínhamos informações razoáveis dos dois, mais do Al-Nassr por esse meu conhecimento particular. O Real era o grande bicho papão, era um timaço, era o time da moda naquele momento. Exigiu da nossa equipe um trabalho coletivo muito importante, os quatro de frente foram fantásticos no auxílio, ajuda ao setor defensivo. Dida jogou muito, os de linha de trás idem. Marcelinho, Ricardinho, Edilson e Luizão se desdobraram e nos ajudaram bastante. Para conseguir ter uma atuação ofensiva efetiva todos tiveram que ajudar.

Como foi administrar um grupo com tantos jogadores importantes, com tantos jogadores de personalidade? Sendo você um ex-auxiliar, ainda sem tanta experiência como treinador de uma equipe profissional do porte do Corinthians e com toda aquela vaidade de tantos jogadores? Levou algum ensinamento de vida daquele grupo?

Não tenha dúvida: o mais importante dos ensinamentos, o caráter de todos. Eles tinham ego, todos prestigiados, todos com atenção da mídia, todos consagrados. Eles tinham algumas divergências entre eles, mas procuramos atenuar isso, destacar que era muito mais importante que eles somando força como grandes craques, que eles poderiam ser uma grande equipe. Até porque iríamos enfrentar adversários assim, o Real, o Vasco era assim, o Manchester United era assim. Se fôssemos pelo lado individual não teríamos chances. Então, eu procurei esse atenuante, fazer com que eles entendessem que, se tivesse colaboração mútua, conquistaríamos o Mundial.

Momento em que Oswaldo de Oliveira olha para a arquibancada e faz o gesto histórico de abraço

Momento em que Oswaldo de Oliveira olha para a arquibancada e faz o gesto histórico de abraço

Reprodução/Internet

Ficou na história aquela sua imagem abraçando e olhando pra cima. Conte um pouco mais sobre aquele abraço simbólico? Era para sua família na tribuna? Para torcida? Como foi aquele gesto que sempre é mostrado na televisão?

Primeiro momento foi para a minha família. Mas, na sequência, com a manifestação da torcida, a importância deles com aquele grito, eu me voltei e agradeci à torcida, demonstrando que eu abraçaria a todos se eu pudesse naquele momento.

Como é atualmente sua relação com a torcida em relação ao título de 2000. Como é a abordagem na rua? O que eles falam pra você? Você lembra de alguma história maluca que algum torcedor passou pra você daquela noite de sexta-feira pra assistir ou viajar até o Rio de Janeiro?

Tem muitas histórias, até hoje tanto na rede social, como nas ruas, nos aeroportos, nos shoppings, muitas vezes fora do Brasil... uma vez eu ia jogar a final da Copa do Imperador, no Japão, eu estava andando em Tóquio, todo agasalhado de gorro, passou um cara e gritou: "Oswaldo, campeão mundial pelo Corinthians!". Isso é uma gratidão que não tem medida, que eu vou guardar para minha vida. Até hoje, quando eu vou jogar contra o Corinthians, ou encontro em outro lugar, eles sempre fazem referência e agradecem por aquele título. Isso, pra mim, é uma coisa fantástica. Inesquecível.

Como é saber que aquele campeonato foi o precursor para uma disputa que, 20 anos depois, segue no mesmo molde? Com todos os continentes representados? Conte um pouco de como é fazer parte da divulgação de tudo que a Fifa faz em relação ao Mundial de Clubes, sempre com a imagem de 2000, dos personagens, etc.

Isso é muito legal. Eu tenho uma medalha, um diploma de campeão e de melhor treinador naquela competição. Eu tenho muitas imagens, muitas lembranças de tudo aquilo. Foi magnífico pra mim, um divisor de águas na minha carreira, na minha vida. Eu só tenho lembranças maravilhosas, um orgulho imenso de ter participado dessa transição do futebol de clube a nível mundial.

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