Dica de Danilo, falta de chances e Sub-23: Oya fala ao Meu Timão sobre trajetória no Corinthians

13 mil visualizações 84 comentários

Um dos nomes mais badalados das categorias de base do Corinthians nos últimos anos, Fabricio Oya pouco teve oportunidades no profissional do clube. Quando entrou em campo no segundo tempo do duelo com o Ituano, pelo Campeonato Paulista de 2019, o garoto nem sonhava que essa seria sua única chance com a camisa do Timão.

Em entrevista concedida ao Meu Timão, o meio-campista de 21 anos, que atualmente defende o Torpedo Zhodino, de Belarus, contou o quanto foi difícil o período de adaptação e não escondeu sua insatisfação com a falta de espaço no elenco principal.

"Acredito que naquela época, que subi com o Carille, eu estava fazendo bons treinos, tanto que o Andrés e o próprio Carille me disseram isso, para continuar o que eu vinha fazendo porque estava conquistando meu espaço. Foi uma época em que o Jadson estava machucado, aí que consegui ir aos jogos. Eu estava buscando meu espaço, mas logo depois do início do Brasileiro o Corinthians trouxe o Régis e o Jadson voltou de contusão, aí minha vez ficou para depois. Lógico, isso é normal. A falta de chances, durante os dois anos en que fui emprestado, foi uma pergunta que procurei me fazer e até hoje procuro uma resposta. Sem rancor nenhum, amo aquele clube, mas acredito que poderia ter mais oportunidades", lamentou o atleta.

"Eu acredito que essa é a pior fase, quando você sai do Sub-20 para ir ao profissional. É a fase de transição que você fala 'meu, eu posso jogar, eu quero jogar, o que acontece?'. Lembro que tiveram amigos meus que subiram em outros clubes, e até no Corinthians mesmo, que comentam a mesma coisa. É uma fase natural, é um ou outro que acaba aproveitando aquela oportunidade que tem ou por necessidade do time ele entra, dá certo e vai embora. O Corinthians me passava um projeto e eu acreditava no projeto, me falavam para não queimar etapas. Naquela época o time não estava numa fase tão boa, talvez eu acho que eles sentiam um pouco de receio de me colocar em situação ruim e queimar etapa comigo, como já aconteceu com outros jogadores. Mas isso tudo é o preço de jogar no Corinthians", acrescentou.

Janderson, Jadson e Oya durante treino do Corinthians em 2019

Janderson, Jadson e Oya durante treino do Corinthians em 2019

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Diante das poucas oportunidades recebidas no CT Joaquim Grava, Oya foi emprestado para São Bento e Oeste, entre 2019 e 2020, e, após pouco sucesso nessas equipes, retornou ao Corinthians apenas no início desta temporada para defender o Sub-23, categoria que poderia ter facilitado sua adaptação ao profissional.

"Na primeira vez que eu saí (do Corinthians), foi um pouco pelo fato de estar ansioso, de querer jogar no profissional de qualquer jeito. Talvez se na época tivesse a categoria Sub-23 em que eu treinasse lá e no profissional, tivesse essa conexão como hoje o Alessandro e Alex estão tentando fazer, poderia ser diferente. Mas aí vamos acabar ficando no 'se'", expôs.

Na sequência, ele emendou o assunto e também avaliou as duras críticas feitas por jornalistas e torcedores sobre o Sub-23 do Parque São Jorge, mas defendeu o formato atual.

"Acredito que a forma como a categoria era conduzida não ajudava. Agora, quando eu fui para o Sub-23, se você olhasse o time do 23, até mesmo antes dos garotos subirem agora, era um time que só tinha título, estava eu, o Roni, o Vitinho... Só tinha títulos. Isso traria mais nome e valorização para o Sub-23. Não se livrar dos jogadores que estouraram completamente a idade, mas aproveitar aqueles que tenham potencial. E o Sub-23 seria utilizado assim nesse ano, com Alex e com o Alessandro. Eles me passaram esse projeto e eu acreditei nesse projeto deles, não à toa eu acreditei e quis ficar lá. Acredito que o Danilo, com o nome que ele tem, o Alex, eles não iriam entrar num projeto que não andaria no caminho certo", pontuou.

Fabricio Oya ainda revelou que Danilo, treinador do Sub-23, e Alex Meschini, coordenador da base do Timão, deram conselhos sobre a posição durante os treinos desta temporada. Ex-jogadores, ambos fizeram história no meio de campo alvinegro na década passada.

"O Danilo eu tive a oportunidade de trabalhar com ele enquanto ele jogava ainda, então é diferente. Quando ele fala alguma coisa você presta atenção, querendo ou não ele é duas vezes campeão mundial e ganhou muita coisa na vida. E o Alex era um cara que sempre estava lá, sempre vinha e brincava comigo", confessou.

"Teve até um dia que os dois conversaram comigo no campo, falando sobre a posição, o que eu poderia ou não fazer, qual era a melhor forma. Eles acreditavam que eu poderia ajudar eles ali no Sub-23 a tomar um novo rumo, a ter uma nova cara e tornar a categoria vencedora", concluiu.

Fabrício Oya no CT do Corinthians durante treino do Sub-23 em 2021

Fabricio Oya no CT do Corinthians durante treino do Sub-23 em 2021

Denis Ninzoli / Agência Corinthians

Ao todo, Oya tem 11 títulos conquistados na base do Corinthians, sendo uma Copa São Paulo de Futebol Júnior. No profissional, foram pouco mais de 20 minutos em campo e algumas aparições entre os relacionados de Fábio Carille, até então treinador do clube na época.

Confira outros trechos da entrevista do Meu Timão com Fabrício Oya

Estilo do técnico Danilo

"A ideia de jogo dele é o que você viu dele jogando. Ele gosta de ter a bola. Ele gosta daquele jogador que não tem medo de pegar a bola de costas e de jogar, aquele jogador que não se esconde do jogo. Ao mesmo tempo ele vem um pouco com a ideia do Tite e do Carille, naquela formação dele no Corinthians. Eu não fiquei muito com ele, mas deu pra pegar tudo isso. É um cara que quer ter a bola, tanto que ele me colocava um pouco mais para trás, ele abria mão de um volante para ter alguém mais à frente. Então vocês vão ver um time bem ofensivo, com vontade de atacar e ganhar. Quando ele virou técnico eu falei "bom, vamos ver agora se vou ver o Danilo bravo uma vez na vida", mas ele é um cara muito tranquilo. Eu não sei se é porque é a primeira vez dele, mas é bem tranquilo. Quando ele tinha que dar bronca, ele dava a bronca, mas nunca desrespeitava alguém. Ou ele chamava de canto e falava olhando no olho, isso eu gosto. Assim ele ganha o respeito de outra pessoa e o Danilo era sensacional nisso".

Empréstimos

"Eu fui primeiro para o São Bento e depois para o Oeste, eu nunca questionei nada. Me davam tudo na medida do possível, mas estamos falando de uma estrutura do Corinthians que não é só top no Brasil, ela é primeiro mundo internacional. Tem muito clube ai fora que não vemos o que vemos no Corinthians. Mas isso tudo foi bom para meu amadurecimento, para eu ver o que é 90% do futebol brasileiro, pra ver como é difícil e como preciso valorizar o lugar que estava. No São Bento eu cheguei e já logo fiz gol, eu lembro que joguei nove jogos e fiz dois gols e dei duas assistências. O time não estava numa fase muito boa, mas o Doriva, que me levou pra lá, enquanto ele permaneceu lá durante esses nove jogos, ele me colocou e acreditou em mim. Acho que por isso consegui fazer os gols e as assistências. No Oeste alguma coisa deu errado no processo do time, mas acredito que tudo tem um propósito. Foi aquilo que eu falei, o que eu tinha que ter passado eu passei, por isso amadureci. Nesse ano recebi algumas propostas para sair por empréstimo no estadual, mas achei melhor ficar porque eu acreditava que esse ano teria minha chance no Corinthians".

Ligação entre Corinthians e Oeste

"Cara, não faço ideia o que acontece. Foi a primeira vez que fui pra lá, quando cheguei lá acho que tinham quatro ou cinco (ex-corinthianos) contando comigo. Talvez deve existir um bom relacionamento entre os clubes, aí um acaba ajudando o outro ou algo do tipo. A gente também não sabe muito bem o que se passa por trás".

Fabrício Oya tem 19 jogos pelo Oeste no currículo

Fabricio Oya tem 19 jogos pelo Oeste no currículo

Alex Caús/Oeste FC

Adaptação ao Torpedo Zhodino

"Estou bem, já fiz dois jogos aqui. Estou bem feliz. Achei que ia ter um pouco mais de dificuldade no começo, mas o pessoal me abraçou bem, me ajudaram. Eles gostam bastante de brasileiro aqui, então estou me sentindo em casa. Tem um pouco de diferença aqui na Europa, como a gente vê na TV. Em relação ao Brasil, o que muda um pouco é que aqui tem um pouco mais de força, de contato, mas é bem contato. Futebol é futebol em qualquer lugar. Conhecia o clube de nome, não de pesquisar ou algo do tipo, mas quando veio a proposta eu fui pesquisar e saber. Esse ano eles têm a qualificação para a Liga Europa e isso chamou bastante minha atenção".

Novo clube de Oya

Victor Glushko - Torpedo Zhodino

Relação com o Corinthians

"Eu até assumo que quando era menorzinho eu não torcia para o Corinthians. Eu sou do interior, de Campinas, então eu ia para os jogos do Guarani com o meu pai na infância, mas ai eu acabei entrando no clube com 11 anos e cresci lá. Foram 11 anos até o começo dessa temporada de muita coisa, de entender o que é o clube. Acabei pegando esse amor e essa paixão, como se fosse um torcedor mesmo. Até hoje eu acompanho, quero continuar acompanhando, tenho amigos lá no clube e espero que o Corinthians esteja sempre no topo. Ainda não consigo decidir (qual foi o momento mais marcante) entre o título da Copinha, a final no Pacaembu, ou a minha estreia no profissional. Os dois eram sonhos e eu graças a Deus consegui realizar os dois".

Pressão por jogar no Corinthians

"Eu até gostava dessa pressão, pela minha personalidade e também pelo fato de ter crescido no Corinthians, eu acabei acostumando com essa pressão. Teve alguns momentos difíceis, normal, acredito que todo mundo passa por isso na vida e no futebol. Eu era bem feliz, ganhei muita coisa lá, então tudo que eu tenho hoje eu agradeço ao que o Corinthians proporcionou".

Faria algo diferente?

"Eu costumo falar que eu estou bem maduro hoje, não me arrependo do que eu escolhi ou do que eu fiz. Se eu escolhi, tenho que ter a cabeça firme e pensar que eu que escolhi. A gente sempre pensa, "pô, poderia ter feito diferente", mas já foi. O que eu tinha que passar já passei, agora estou aqui hoje e fiz essa escolha. Quem sabe mais pra frente eu não volto para o Corinthians e continuo essa história bonita que tenho lá".

Veja mais em: Fabricio Oya, Danilo, Base do Corinthians e Corinthians Sub-23.

Veja Mais:

  • Em 2016, o Corinthians comprou 50% dos direitos econômicos de Marlone por R$ 4 milhões; pelo acordo, o Timão pagaria duas parcelas de R$ 500 mil e outras 20 parcelas mensais de R$ 150 mil

    Corinthians tenta efeito suspensivo para evitar cobrança de R$ 2,1 milhões na Justiça, que é negado

    ver detalhes
  • Último jogo do Corinthians no domingo à tarde na Neo Química Arena foi contra o Vasco, no Brasileiro

    Corinthians vai atuar pela primeira vez na temporada em um domingo à tarde; relembre horários

    ver detalhes
  • Pedrinho anota o primeiro gol do Corinthians no Brasileirão Sub-17

    Corinthians supera o Internacional e estreia com vitória no Brasileirão Sub-17

    ver detalhes
  • Corinthians conheceu detalhes de seu último compromisso na fase de grupos do Paulista

    Jogo entre Corinthians e Novorizontino é confirmado à tarde; jogos da rodada serão no mesmo horário

    ver detalhes
  • Camacho em ação contra o Atlético-GO pelo Campeonato Brasileiro do ano passado

    CBF define data e horário para a terceira fase da Copa do Brasil; Corinthians encara o Atlético-GO

    ver detalhes
  • Fábio Carille não esconde incômodo com declaração de Andrés Sanchez

    Carille diz que ficou 'muito chateado' com declaração de Andrés Sanchez: 'Não falo mais com ele'

    ver detalhes

Últimas notícias do Corinthians

Comente a notícia:

x