Ademar Braga relembra 'melhor time do Corinthians' e noite de terror no Pacaembu há 15 anos

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Por Meu Timão

Eliminação para o River Plate terminou em violência no Pacaembu

Eliminação para o River Plate terminou em violência no Pacaembu

AYRTON VIGNOLA/Dedoc

Há exatos 15 anos, os 32.089 torcedores que estavam no Pacaembu para assistir Corinthians x River Plate viram uma noite aterrorizante. Destruição de cadeiras, alambrado sendo derrubado e uma quase invasão de centenas de pessoas iradas com o placar e a eliminação na Libertadores fizeram a partida ser encerrada aos 40 minutos do segundo tempo.

A parceria com a MSI não foi o suficiente para segurar a derrocada. O Timão, que tinha Tévez e Nilmar, perdeu os dois jogos das oitavas de final - sendo o primeiro por 3 a 2, no Monumental, e o segundo por 3 a 1, no Pacaembu. Ademar Braga, técnico que comandava a equipe na época, classificou, em entrevista ao GloboEsporte, o melhor time que o alvinegro já teve:

"Foi o melhor time que o Corinthians fez até hoje, eram jogadores de seleção. O melhor de todos os tempos. Pode ter igual, mas melhor não teve. Era melhor do que o que foi campeão (da Libertadores em 2012), mesmo os de antes, com Sócrates, Casagrande. O time de 2006 era melhor", disse.

Hoje aposentado, Ademar também contou que não queria assumir o Corinthians. Ele herdou o time no meio da Libertadores, quando Antônio Lopes pediu demissão após derrota para o São Paulo. Acabou encarregando-se do time por acaso, numa decisão de Kia, como lembrou:

"Eu não queria ser o treinador. Fui para o Corinthians indicado pelo Carlos Alberto Torres para ser auxiliar. Eu era muito amigo dele e do Paulo Angioni (diretor de futebol). Quando o Lopes pediu para sair, o Corinthians ficou meio desnorteado. Kia Joorabchian tentou o Paulo Autuori e o Paulo César Gusmão, não conseguiu e decidiu me colocar. Eu não queria pegar, mas o Kia avisou: 'Ou ele aceita, ou vai embora'. Então falei que eu ia pegar. O time era bom para car**", contou.

Antes de chegar ao episódio do dia 4 de maio de 2006, o Corinthians de Ademar Braga havia vencido os três jogos que restavam da fase de grupos e, inclusive, terminou a fase como a terceira melhor campanha e com a liderança de seu grupo - que continha Tigres, Universidade Católica e Deportivo Cali.

A trajetória não foi o bastante e ao enfrentar o River de Daniel Passarela - que havia tido passagem pelo Timão em 2005 - também antecipou um encontro com Amarilla, que sete anos depois protagonizaria Corinthians x Boca Juniors em 2013, anulando gols e não marcando um pênalti para o time do Parque São Jorge. Para Ademar, o árbitro influenciou no resultado:

"Mascherano marcaria o Gallardo e deixamos o Marcelo Mattos na sobra. Esse Amarilla deu uma falta que não existiu e deu amarelo para o Mascherano. Aí invertemos o marcador. Só que numa batida de lateral, Gallardo dominou no peito, o Mascherano chegou e ele, malandro, caiu. O juiz deu o segundo amarelo, expulsou e quebrou o esquema todo. Tirei um atacante (Nilmar) pra botar o Xavier, que jogava muito pouco no clube. Ele até fez um gol de cabeça. Na volta, falei: ele está com moral, vou ter que escalar. No Pacaembu, não acertou nenhum passe (risos)", recordou.

O time escalado pelo técnico era formado por Sílvio Luiz, Coelho, Marcus Vinícius, Betão e Rubens Júnior; Xavier, Marcelo Mattos, Carlos Alberto e Ricardinho; Nilmar e Tevez. Roger vinha de lesão e entrou no segundo tempo.

Aos 39 da primeira etapa, Nilmar abriu o placar e fez com que o Corinthians fosse para o vestiário com a vitória. No retorno, logo aos 11, Coelho marcou contra e empatou para os argentinos, que fecharam o placar com dois gols de Higuaín. O treinador contou que até tinha esperança: "Quase fizemos o segundo. Mesmo quando tomamos o 2 a 1 ainda dava, era empatar pra virar e levar para os pênaltis. Lembro que Roger perdeu um gol embaixo dos paus. Quando saiu o terceiro, f..." disse.

Aos 40 minutos do tempo final, os torcedores, irados, formaram o caos da noite de terror do Pacaembu. Isso fez com que o árbitro chileno Carlos Chandía encerrasse a partida.

"A invasão só não se consumou, pois meia dúzia de policiais seguraram o portão principal. Foi nossa salvação, iam meter a porrada na gente. Lembro que um invadiu e eu encarei, aí o Betão veio me tirar: 'Vamos embora, professor'. Só saímos do estádio umas três ou quatro da manhã", contou.

O técnico e os jogadores não foram os únicos a ir embora. Kia - que havia inclusive levado José Mourinho para assistir ao jogo - acompanhado por sua comitiva e o presidente Alberto Dualib, deixou a tribuna.

O comando de Ademar durou mais dois jogos - uma derrota por 3 a 1 para o São Paulo e uma vitória por 2 a 1 em cima do Paraná Clube:

"Muita gente fala que fui demitido contra o São Paulo, mas não é verdade. Eu já sabia que ia sair mesmo se ganhasse do São Paulo. Perdi a Libertadores, os caras estavam focados nela. Aquela foi minha última experiência como técnico. Dois meses depois, virei gerente da base do Mirassol", finalizou.

Após passar pelo departamento de futebol do América-RJ e da campanha do título e acesso Botafogo na Série B de 2015, Ademar vive sua aposentadoria no Rio de Janeiro.

Veja mais em: Jogos Históricos, Técnicos do Corinthians e Libertadores da América.

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