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Kicker do Corinthians revela segredos para recorde nacional e cita maiores inspirações da NFL

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Emerson Martins atua pelo Corinthians Steamrollers desde 2017

Emerson Martins atua pelo Corinthians Steamrollers desde 2017

Arquivo pessoal

De acordo com o dicionário Michaelis, o verbo "chutar" significa "impulsionar (a bola) com chute ou pontapé (a alguém)". A ação, popularmente conhecida por momentos marcantes no futebol nacional, está ganhando novos sentidos no Brasil por um outro esporte, que tem conquistado o coração do brasileiro: o futebol americano.

O sucesso da bola oval, porém, nem sempre é o caminho escolhido para se inserir no esporte da forma desejada. Esse é o caso de Emerson Martins, kicker do Corinthians Steamrollers, equipe de futebol americano do Timão. Em bate-papo exclusivo com o Meu Timão, o jogador abriu o jogo sobre a vida, a rotina e os sonhos de um integrante do "outro" futebol.

Aos 37 anos, ele entrou para história do futebol americano no Brasil na última semana. Diante do Caraguá Ghostship, pela terceira rodada da São Paulo Football League (SPFL), Emerson acertou um field goal de 60 jardas, estabelecendo um novo recorde para chutes em solo nacional. Desde 2017 atuando no Steamrollers, o jogador tem uma característica peculiar: primeiro o chute, depois a distância.

"Eu nunca pergunto a distância para o meu coach (técnico). Sempre que tem uma situação, o Fernando (técnico principal) e o Gui (técnico do time de especialistas) perguntam se dá e eu digo que sim, vamos chutar. É uma característica minha, eu vou e chuto. Depois eu pergunto para saber, acertando ou errando, qual foi a distância, é algo meu. Me situo melhor, ajo melhor dessa maneira, de não me preocupar com a distância. Numa conversa que tive com o Cairo Santos (kicker do Chicago Bears, da NFL), perguntei para ele sobre mudar a força em um ponto extra ou chute de 50 jardas, e ele disse que não, é a mesma coisa. É para condicionar corpo, cérebro e mecânica a fazer a mesma coisa. Isso me ajudou muito. Quando fui chutar, chutei. Não tive uma reação, normalmente agradeço pessoal da linha, companheiros e depois comemoro. Analisando o vídeo e sabendo que foi recorde brasileiro, fiquei muito feliz. O mais importante, lógico, foi a vitória, mas todo atleta fica feliz com conquistas pessoais. É muito bacana e sempre agradeço o coach, toda linha, amigos, companheiros, se não fossem eles nada daria certo", explicou.

Formado em Educação Física, Emerson admitiu que, inevitavelmente, o futebol tomou grande parte da sua vida, aprendendo técnicas e mecânicas convencionais do esporte - inclusive, com as mãos, já que também é goleiro nas horas vagas. Porém, ao conseguir uma oportunidade no futebol americano, ele percebeu que era necessária uma virada de chave para se adequar e se preparar aos novos chutes, com a mesma finalidade, mas alvos diferentes.

"A rotina de treinos de um kicker se baseia muito em técnica, principalmente aqui no Brasil, porque não nascemos com a cultura do futebol americano, pois aprendemos a chutar a bola redonda. Comecei a jogar aos 30 anos, passei a vida chutando a bola do 'soccer', e a mecânica é completamente diferente. 80% de um treino é baseado em técnica, para chutar não só com força, mas com técnica, o objetivo é acertar o alvo, o field goal", disse.

"Vou para o campo, começo a fazer simulações de chute e jogo, depois treina com holder (responsável por segurar a bola para o chute) e long snapper (quem passa a bola para o holder), para ter uma sincronia com muitas variáveis, tem a mira também. Fora de campo tem a questão da musculação, faço crossfit, exercícios de potência, para aumentar a força e prevenir lesões. Toda vez que vai chutar, é muita potência, muito movimento, já tive lesões na virilha, coxa, são regiões que precisa fortalecer bem", destacou.

O cenário da modalidade, no entanto, ainda é incipiente, embora haja esforços estaduais e nacionais das entidades. No caso, da SPFL e da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), que buscam um crescimento cada vez maior do esporte no país. Além de atleta e professor em uma escola em Franco da Rocha, município da Zona Metropolitana de São Paulo, Emerson, há um ano, divide suas atenções com sua loja de estamparia. As inúmeras variáveis do dia a dia e do jogo estão presentes em sua rotina.

"É um desafio muito grande, não só para mim, mas para qualquer jogador de futebol americano, que sobrevive com muita dificuldade no país. É difícil pela estrutura, até as bolas na maioria das vezes não são as bolas oficiais da NFL, é difícil encontrar. Você vai para um jogo, muitas vezes já perdi muita bola, acaba chutando para fora do estádio, do campo, e perde a bola. A questão do vento também, tentar entender, ela sofre muitas variáveis e o vento pode levar para qualquer lado, tem que contar com isso também. Mas é muito gratificante", comentou.

A dedicação e os treinos de Emerson foram recompensados em sua trajetória. Ele é o kicker com mais fields goals certos na história da elite do Brasileirão de futebol americano, organizado pela CBFA: oito acertos. A força dos remates entre as traves, inclusive, já trouxe situações curiosas no Parque São Jorge.

"Em treino, já conseguimos chutar, até treino de longas distâncias pela característica do Parque São Jorge, a grade fica próxima da Marginal Tietê. Já teve situação de mandar a bola lá, já treinei de longa distância para não mandar a bola para fora. É difícil chutar de 60 jardas em jogo, não é uma situação de chegar e tentar, precisa ter a oportunidade para que os coaches confiem e você chute", brincou Emerson.

Inspirações de respeito e cheio de sonhos

Como qualquer jogador, Emerson não poderia deixar de ter grandes inspirações. E os nomes são de respeito. Os "companheiros" de posição Cairo Santos, único brasileiro ativo na National Football League (NFL), e Justin Tucker, do Baltimore Ravens e dono do field goal mais longo da liga, são o principal espelho para Emerson, que convive com as bicudas desde 2017.

"Primeiro, Cairo Santos. Já assistia futebol americano, sabia que tinha um brasileiro na NFL, mas até então você vai assistindo e tal. Mas quando comecei a jogar, em 2017, que fui destinado a ser kicker, aí sim que fui entender a importância do Cairo. Quando fui conhecê-lo, nossa, até pelas dicas, experiências, participei do camp dele como instrutor. Ele é minha maior referência como kicker e jogador de futebol americano no geral. Além dele, tem o Justin Tucker, o cara tem o atual recorde da NFL. São minhas duas referências", comentou.

Da mesma forma, sonhar não custa nada. Além de ser campeão com o Corinthians, que não vence o Estadual desde 2014, representar a Seleção Brasileira da modalidade anda lado a lado nas metas de Emerson. Prestes a receber o primeiro jogo da NFL em solo brasileiro, a Neo Química Arena também seria o lugar ideal e histórico para o kicker fazer o que saber o melhor.

"O primeiro seria ser campeão pelo Steamrollers, com a camisa do Corinthians, conquistar um título pelo time que me ensinou tudo sobre futebol americano. E também conseguir servir, ser convocado e jogar um jogo com a Seleção Brasileira, qualquer atleta dentro da sua modalidade tem o sonho de defender o seu país. Por ter servido o Exército, durante seis anos, tenho esse patriotismo dentro de mim. Seria extraordinário. E com certeza chutar um field goal na Neo Química Arena seria sensacional, já joguei no Pacaembu, sensação indescritível, jogar lá seria sensacional", finalizou Emerson.

Veja mais em: Corinthians Steamrollers e Mais esportes do Corinthians.

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