Post de Lucas no fórum "Análise dos jogos" do Meu Timão

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em Análise dos jogos > Estatística e análise tática do jogo Corinthians e Fluminense...

Em resposta ao tópico:

Olá, pessoal! Desculpem a demora, os dias foram muito corridos e puxados, mas prometo que, modéstia à parte, a leitura vale a pena!

O massacre histórico que o Fluminense sofreu, anima para o jogo contra o Palmeiras e valorizou jogadores bem específicos, mas não a ponto de achar que esse jogo é a principal matriz para táticas contra o rival. Não à toa, Vaggner Mancini pediu muita calma, até porque, apesar de ter sido uma vitória sob circunstâncias atípicas, o próximo jogo é contra um finalista da Libertadores que não deve ser desmerecido.

Ao visitar um fórum de torcedores do Fluminense, vi que muitos, indignados, jogaram muita culpa no Danilo Barcelos, Hudson e outros. Porém a passionalidade na interpretação do futebol é o que tem afundado clubes, e muito disso se deve ao torcedor: o próprio Corinthians já viu isso mais de uma vez. Por isso, a proposta do artigo é provar que o elenco inteiro é o menos culpado da derrota, mas sim o técnico Aílton Ferraz, que também não deve ser colocado o peso do mundo nas costas dele diante da atual fase do clube. Se tiverem um amigo que torce para o Fluminense, favor mostrar esse artigo viu? (kkkkk!)

FUNDAMENTOS

Posse de bola, passes e assistências

Esse mapa corresponde a posse de bola dos times nesses setores do campo. Observem o quanto o Corinthians concentrou os passes no meio-campo esquerdo e na ponta-direita. O detalhe é que, novamente, Gustavo Silva novamente participou pouco dos lances – embora ainda viria a dar a assistência para o segundo gol – e quem rodou mais vezes por ali foi Fagner em conjunção com Gustavo Silva, Cazares, Matheus Vital, Cantillo, Jô – que virou um ponta, como irei provar logo – e até mesmo Gabriel.

Aqui temos, em detalhes, a quantidade de passes realizados em cada jogo. A diferença desses dois mais é simplesmente que o de baixo numera com maior precisão lugares bem específicos de jogo do que o mapa de cima, que mostra um panorama geral . E falando nesse mapa, vemos que o Corinthians realizou 111 passes no meio de campo pelo lado esquerdo do campo, e não no lado direito, aonde os torcedores adversários supuseram que atacamos. E por ali, notem no mapa mais detalhado que nesse ponto temos os passes 25 e 32 - isso se deve a interação entre Cazares, Fábio Santos, Mateus Vital, Gil e até mesmo Jô.

O gráfico acima mostra a quantidade de passes certos e errados por tempo de jogo . Por esse mapa é possível entender o porquê de muitos considerarem esse jogo como a melhor partida do ano do Corinthians: observem que a proporcionalidade de acertos por tempo é muito, mas muito maior do que nos outros jogos . Durante os 30,45 e 60 minutos houve uma queda de passes realizados devido a tentativa de compactação realizada pelo Fluminense, mas depois dos 75, com as substituições feitas, o time voltou a ser mais preciso.

Esses dois gráficos são muito interessantes porque mostram os passes e a posse de bola de cada jogador, individualmente mesmo . O gráfico de cima mostra os passes e o de baixo mostra a posse de bola . Na posse de bola, podemos ver que Fagner, disparado, foi o mais acionado, novamente comprovando os gráficos anteriores. Depois vem Cássio, Fábio Santos e Gabriel. Agora quanto aos passes, vemos que é Fábio Santos quem tem a iniciativa maior, disparado também. Os outros são Gabriel, Cantillo, Gil e Cazares.

Agora esse mapa acima mostra os passes errados que demos. Notem que a maioria dos passes errados foram todas no lado direito de ataque (o lado do criticado Danilo Barcelos) e não do lado esquerdo.

Esse mapa mostra as assistências que resultaram em gol . Quando nos lembramos do jogo, percebemos que foi apenas no segundo gol, aonde o Gustavo Silva fez o cruzamento para a finalização, se não me engano para o gol de Cazares, é que foi falha do Danilo Barcelos, mas no outro houve toda uma quebra de linha gerada pelos volantes e um dos zagueiros, de onde sairia o gol de Luan. E os outros dois gols saíram de assistências pelo meio.

Como puderam ver, o Fluminense se preocupou em marcar seu lado esquerdo (de Danilo), mas o seu lado direito é que era o mais visado devido a profundidade gerada por Fábio Santos, Cazares, o próprio Jô e Matheus Vital.

Cruzamentos

Aqui temos um panorama bem negativo para nós. O mapa de cima mostra os cruzamentos certos e o de baixo os errados. Acertamos apenas 2 cruzamentos – feitos por Fagner – e o resto foram todos errados! Na minha análise do Brasileirão, um colega comentou que não adiantava “defender” Everaldo porque ele era ruim em cruzamentos, e eu retorqui afirmando que o time inteiro é ruim pra cruzar e que o mais preciso do time era Araos, que foi vendido ...aí está a prova do que eu disse! Desses cruzamentos errados, 7 foram do Fagner, dois do Mateus Vital, e 1 do Gustavo Silva, Cazares, Fábio Santos e Gabriel.

Chutes

Observem como foi a blitz do Corinthians (laranja) só na área. O time chutou 8 vezes no gol, 4 fora e 7 bloqueados de alguma forma. Fluminense chutou apenas 2 vezes ao gol, 5 fora e 6 bloqueados. 2 chutes do Corinthians foram na pequena área (nos gols de Jô e Luan), 7 na marca do pênalti e 10 fora da área, enquanto que o Fluminense chutaria 8 vezes na marca do pênalti e 5 fora da área. E um detalhe importantíssimo é que, das finalizações do Timão, apenas 1 foi de cabeça (que foi, se não me engano, na cobrança de falta do Fagner para a cabeçada de Jemerson).

Aqui temos outro gráfico, dessa vez com as finalizações correspondentes ao tempo . Em outros jogos, o Corinthians finalizaria bem pouco com o passar do tempo, e aqui vemos uma proporcionalidade de chutes muito enfáticas, comprovando aquele mapa com pontos anterior. E notem como, devido a pressão psicológica que o adversário sofreu, os erros deles foram maiores que os acertos.

Interações entre jogadores

Nesse quadro temos o número de interações entre jogadores – devo dizer aqui que sentia muita falta desse tipo de dado. Na vertical (pra cima) são os jogadores que passaram a bola, na horizontal (para o lado) são os jogadores que receberam a bola. Podemos ver que a maior interação foi de Jemerson pra Cássio (15 vezes). Depois vem Mateus Vital para Fábio Santos (14) – de onde saiu os nossos maiores ataques e passes como provado naquele mapa de passes em quadros – e de Cazares pra Cantillo (11) – que proporcionaram os ataques dos dois lados. Podemos ver que Fábio Santos interagiu muito com Gil e Gabriel; Gustavo Silva, na medida que pôde, construiu suas jogadas com Fagner, Cazares e pouco com Cantillo e Gabriel. O curioso é que Jô receberia mais bolas de Gabriel do que de outros jogadores ; e Luan, quando entrou, recebeu mais bolas de Camacho.

Mapa de calor

Percebemos aqui o acerto do que eu disse: o Corinthians atacou muito mais pelo lado esquerdo do que pelo lado direito (principalmente porque o lado direito havia o “fraquíssimo” Gustavo Silva). Ainda assim, os maiores perigos vieram de lá. O Fluminense tentava atacar no espaço que Fagner deixava, mas não contavam com a defesa de Gabriel, Cazares e Gustavo Silva, e concentraram suas peças no meio-campo defensivo e em sua maioria na sua grande área defensiva.

ESQUEMA TÁTICO

O Corinthians jogou num 4-2-3-1. Em ataque, por vezes usava um 4-2-4 com Jô em uma das pontas (com mais frequência no lado direito) e tinha vezes em que havia um 3-5-2, com um dos laterais ou volantes fazendo o papel de zagueiro (por isso vocês veem muito esses mapas pelos lados, coisa totalmente incomum em outros jogos).

Como vocês podem ver acima, era o papel de Gil adiantar a linha de marcação. Porém, diferente dos outros jogos, ele não foi uma espécie de “líbero volante” como nos outros jogos para impedir bolas perigosas simplesmente porque o Fluminense não conseguia criar esse tipo de perigo! Ainda assim, ele foi o responsável por adiantar as linhas de defesa.

E defensivamente, o Corinthians fazia o tradicional duas linhas de 4 ou com uma de 5 à frente. Devo dizer aqui que Gustavo Silva foi o principal meia defensor do time, como provarei daqui à pouco. Quando o Fluminense procurava se infiltrar pelas pontas, lá estava Gustavo Silva e Gabriel para auxiliara Fagner e Jemerson adiantado; quando iam pela direita, Mateus Vital era o principal apoiador de Fábio Santos, até porque os maiores ataques do Fluminense era sempre pelo nosso lado esquerdo. Pelo meio, uma blitz dos zagueiros e volantes com mais a ajuda do Cazares impedia o adversário de criar – e tudo isso explicarei com mais especificidade daqui à pouco.

DESTAQUES

Gustavo Silva

Quem viu os meus artigos ultimamente viu que eu reclamei muito de Gustavo Silva e Everaldo receberem pouca atenção, chamando isso de desonestidade coletiva. Pois bem: apesar de ainda ser o meia que menos passou e teve posse de bola, dessa vez Gustavo Silva teve muita participação nas jogadas e daria uma assistência para o gol. Ele ainda acertou 21 dos 23 passes, deu 3 assistências perigosas, 1 chute a gol e 2 bloqueados, ganhou 6 dos 7 duelos no chão.

Esse aí foi outro extremamente útil. Atuou muito bem em conjunto com Fábio Santos e Cazares, com ótima média de passes e de bolas longas, todos os poucos dribles que ele deu foram acertados e criou 3 perigos, 2 no gol (um deles certeiro) e um na trave, sendo o mais preciso para finalizar do time. Foi a peça chave para a criação do time depois de Cazares e Cantillo.

QUAL FOI O ERRO DO Fluminense?

A falha do Fluminense foi em jogar num 4-3-3 com 3 volantes, achando que com isso sufocaria o nosso meio-campo, mas esses 3 volantes foram designados única e exclusivamente para marcar , e aí foi o trunfo nosso. Isso porque, ao jogar assim, eles deram muitíssimo espaço aos nossos pontas – e como Matheus Vital, Cazares, Jô, Gustavo Silva, Gabriel e Fagner trocaram constantemente de posição e por várias vezes Jô virou um ponta-direita e esquerda, isso minou demais os adversários. Como vimos em todos aqueles dados e mapas, o Fluminense deu espaços absurdos ao Corinthians devido a essa falta de nos analisar como deveria. Opções melhores o técnico tinha: Nenê poderia ser o principal articulador, colocaria Martinelli junto com Hudson para que este pudesse jugar junto com Nenê, Égídio deveria ser o lateral pra esse jogo assim como Nino, e Fernando Pacheco e Lucca deveriam ser os titulares desde o início. Com o esquema e abordagens certas, eles dariam bem mais trabalho.

Não culparia Danilo Barcelos pelos erros, e muito menos o Hudson pelo fato de ele ser mais móvel do que foi nesse jogo, porque o esquema com 3 volantes minou demais o time. Assim como as culpas em Fred não fazem nenhum sentido. Houve falhas dos zagueiros sim – houve muitas quebras de linha – mas isso se deveu novamente ao esquema com os volantes que impediam que eles adiantassem a linha de defesa como Aílton Ferraz achou que deveria fazer. Aliás, como eu disse no início, nem o técnico deveria receber tanta culpa: foram erros dele, mas a bucha é absurda, talvez pior que a do Cruzeiro.

https://www.meutimao.com.br/forum-do-corinthians/bate-papo-da-torcida/786753/analise-tatica-do-jogo-ceara-x-corinthians-um-jogo-sem-estrategia-nem-tatica Análise tática do jogo Ceará x Corinthians - um jogo sem estratégia nem tática Se tinha alguma dúvida sobre a ruindade do Coelho, esse jogo tirou todas as dúvidas. Sabendo que iria ser mandado embora, ele fez o supra-sumo da imoralidade... meutimao.com.br meutimao.com.br

https://www.meutimao.com.br/forum-do-corinthians/bate-papo-da-torcida/789527/analise-do-jogo-athletico-pr-x-corinthians-isso-sim-e-estrategia-e-tatica Análise do jogo Athlético-PR x Corinthians: isso sim é estratégia e tática! Análise do jogo Athlético-PR x Corinthians: isso sim é estratégia e tática! Aconselho que deem uma olhada no meu último artigo... meutimao.com.br meutimao.com.br

Esses dois artigos que fiz servem para provar o que digo: raramente um esquema com 3 volantes que se propõe a ser defensivo dá certo, e vimos esse erro justamente no último jogo do Coelho como técnico do time principal. Naquele jogo, ele colocou Gabriel (na época muito constestado), Éderson e Ramiro para marcar apenas, e abrimos muito espaço para o adversário na época, fazendo com que fosse um verdadeiro vexame. Por outro lado, Vágner Mancini, na sua estreia, também jogou com 3 volantes – com a diferença de que ele colocaria Xavier no lugar de Gabriel e Mateus Vital, e Mancini lhes devolveu a caraterística de serem móveis em campo e de valorizarem a posse de bola, e nessa partida ganhamos do na época perigoso Athético-PR. Se tivesse dado maior liberdade ao Hudson e os pontas com o Fred jogassem perto dele, aí eles teriam maior posse de bola e criariam perigos.

CONCLUSÃO

Atacar nos erros do Fluminense foi muito mais mérito do Wágner que demérito do Aílton. O time inteiro foi impecável. Todos jogaram o fino da bola. Gabriel me surpreendeu muito, Gustavo Silva e Mateus Vital não decepcionaram. Jô foi outro que me surpreendeu jogando às vezes como ponta para dar espaço ao Gustavo, Cazares e até mesmo o Gabriel. A única crítica fica por conta dos cruzamentos – que erraram demais. Gabriel e Cantillo foram muito pros lados do campo trocando posições com os pontas com o objetivo de manter a bola em ataque, e isso foi uma coisa que certamente eles não esperavam. Fábio Santos a cada jogo me surpreende demais: se continuar assim ele será o próximo Branco na Copa de 2022.

Segunda-feira a coisa muda: enfrentaremos uma equipe que tem fortes possibilidades de ganhar a Libertadores, e ainda que venha de uma derrota que quase custou a classificação, eles mostraram durante o decorrer do campeonato que sabem adaptar as peças. Eles têm um técnico que sabe o que faz e vem nos surpreendendo muito. Pra ganharmos deles, a matriz não deve ser esse jogo do Fluminense, mas sim o jogo contra o São Paulo e Grêmio, além de outros que possem as mesmas características do Palestra Itália.

VAI CORINTHIANS!

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