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TORCEDOR DO TIME DO POVO, peço 10 minutos da sua atenção para este texto

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Gustavo 52 posts

Publicado no Fórum do Meu Timão em 03/11/2015 às 23:39
Por Gustavo Patrick Blum (@gustavo.patrick.blum)

Espero um debate limpo, e com argumentos reais e não 'criados' ou retirados através de nossa mídia suja, que é a pior do mundo, e muito menos por quem tem conhecimento algum sobre e vem criticar por achar bonito.

Hoje o futebol é, ideologicamente, dividido entre dois grandes grupos: os que apoiam o “Futebol Moderno” e os opostos, os com “Ódio Eterno ao Futebol Moderno”. Há quem diga pertencer a uma terceira via, ou seja, que se simpatizam com as festas das torcidas, mas apoiam a limitação da festa. No fim, esses acabam por defender a base ideológica do “Futebol Moderno”.
Ainda me lembro de em 2002 achar incrível os estádios da Copa do Mundo Japão/Coréia. Os tetos retráteis, os telões, as cadeiras… Tudo parecia de outro mundo. Sonhávamos que um dia o nosso time teria um estádio como aqueles. Parecia imponente. Parecia que o time ganhava um status de importância muito mais elevado do que o do outro.
Porém, tudo não passa de um jogo ilusório do que denominamos “Mercado”. Esse deus que deseja tudo e todos demorou para aparecer nos estádios tupiniquins. Mas, após aparecer, não quer mais sair.

De onde vem o “Futebol Moderno”?
O “Futebol Moderno” surgiu na Inglaterra do século XX. Mais precisamente, na administração de Margareth Thatcher. Em 1979, quando assumiu o governo, as arquibancadas do futebol inglês eram habitadas pela classe operária do país.
Acontece que o governo da Dama de Ferro ficou marcado por uma série de ataques à classe trabalhadora. Direitos trabalhistas foram perdidos, sindicatos fechados e outras atrocidades. A cada ano que se passava, mais pesada ficava as mãos do Estado sobre os trabalhadores.
Para Thatcher, a mobilidade social causava o aumento da violência, do consumo de drogas e do terrorismo. Assim, ela passaria a tratar os problemas das torcidas da mesma forma como tratava o IRA.
A classe operária jamais se calou nos anos de seu governo. As manifestações e greves ficavam cada vez maiores, igual o apoio popular. Foi assim que as arquibancadas do futebol inglês, por iniciativa dos torcedores, se transformaram em espaços para amplificar a causa operária. Margareth Thatcher percebeu que as bancadas podiam ser o foco de uma rebelião e decidiu agir com pressa.
“Thatcher pregou a criminalização da torcida do futebol, enxergando-a apenas pelo prisma da ordem social, no mesmo momento em que declarou guerra aos sindicatos. Ela via os sindicatos como o inimigo interno. E os torcedores também se sentiam assim” Tim Vickery, jornalista da BBC
Então, para combater os torcedores operários, Thatcher passou a usar o “combate a violência nos estádios” como motivo para fechar o cerco contra a rebelião popular.
A Dama de Ferro elaborou uma “Identidade do Torcedor”. De acordo com a lei, somente a pessoa que estivesse de porte do documento teria acesso às partidas. O projeto não evoluiu, porque a tragédia de Hillsborough modificou seus planos para algo mais extremo.
A tragedia, que matou 96 pessoas, marcou uma nova ofensiva de Thatcher contra os torcedores. A polícia local definiu de imediato que a tragédia se deu por conta do comportamento dos hooligans — equivalentes a nossa torcida organizada. Margareth Thatcher defendia a investigação do caso mas, ao mesmo tempo, se apoiava na versão policial para justificar suas novas leis.
Surgia ali, no mesmo país que inventou o futebol, o Relatório Taylor. Para a galera do “Ódio Eterno ao Futebol Moderno” esse documento é como se fosse a certidão de óbito do futebol inglês. Ele definia que:
Todos os lugares seriam numerados;
Todos os setores teriam cadeiras — o que acabou com a tradição de assistir o jogo em pé;
O veto de estádios com uso de alambrados e fossos;
“Ficar em pé fazia parte do jogo desde que ele era um jogo. Acabar com isso, sem Hillsborough, era impensável. Para se ter uma ideia, a capacidade do estádio do Tottenham é de 35 mil, mas eu me lembro de 50 mil pessoas ali. O estádio está maior com capacidade menor. Em compensação, o preço do ingresso aumentou.” Tim Vickery
As consequências do Relatório Taylor é óbvia. Os ingressos aumentaram de preço, os hooligans foram sumindo dos estádios e a classe operária foi substituída pela burguesia. O futebol inglês foi o primeiro a ser capturado pelo “Mercado”.
Mesmo após a divulgação do relatório sobre o Desastre de Hillsborough, que comprovou que a culpa não foi dos torcedores e sim de falha do esquema de segurança da polícia, Thatcher não se redimiu. Hoje, ninguém se lembra mais desse relatório. Para o povo, a culpa de mortes no futebol continua sendo dos hooligans.
Margareth Thatcher faleceu em 2013. O futebol inglês continua rico e moderno. Porém, não por desejo dos seus torcedores. O Manchester United não realizou o minuto de silêncio em sua homenagem, o medo era de que os torcedores transformassem aquilo em um minuto de vaias.

O “Futebol Moderno” em solo brasileiro
Assim como na Inglaterra, o movimento do “Futebol Moderno” usou um desastre da arquibancada como alavanca inicial para os seus planos. Na Final da Copa João Havelange, cerca de 150 pessoas ficaram feridas após serem derrubadas — uma pela outra — das arquibancadas. Os relatos dos torcedores na época era que tudo começou com uma briga no meio da torcida.
A partir de então a imprensa brasileira passou a condenar organizadas e a enaltecer a forma como o esporte era dirigido pelos europeus — nessa época o “Futebol Moderno” já era praticado em diversos países de lá. A Copa do Mundo de 2002 também contou com um esforço para demonstrar a beleza e grandiosidade dos estádios que só um futebol moderno poderia proporcionar.
Porém, ao contrário da Inglaterra, o “Futebol Moderno” não se instalou de vez no país. Ainda hoje, 15 anos após a Final da João Havelange, ele ainda encontra resistências e dificuldades para se solidificar. O principal avanço veio após o anúncio de que o Brasil sediaria a Copa de 2014.
A Copa foi um salto — para baixo — para o Brasil. Os principais estádios foram transformados em “Arenas”. As Gerais foram destruídas e em seu lugar, foram colocadas cadeiras. Os lugares foram todos numerados, as faixas de torcidas limitadas a certos setores, as bandeiras, sinalizadores e papéis, proibidos. E, lógico, isso veio acompanhado do aumento dos ingressos.
Após a Copa de 2014, as torcidas enfrentam diariamente uma série de dificuldades para realizar a festa nas arquibancadas. Um sinalizador, por exemplo, pode gerar perda de mando para o clube.

Quem se beneficia com a modernidade?
“Ok. Você já falou desse tal de “Futebol Moderno. Mas onde você quer chegar com esse papo? ”
Já te explico.
É interessante para os cartolas brasileiros fazer com que o futebol dê lucro. Foram vários anos mamando na teta do governo, gerando dívidas milionárias sem a necessidade de pagar. Mas uma hora a conta chega. E chegou.
Por conta do “Futebol Moderno”, os clubes europeus passaram a montar times galácticos com salários nunca antes imaginados. Ganhou os cartolas europeus, mas quem perde? O futebol brasileiro.
Os clubes brasileiros passaram a não conseguir manter as grandes estrelas. Todo ano os clubes são obrigados a passar por um inferno chamado “Janela de Transferência Europeia”. As dívidas, inclusive, fazem com que jovens jogadores deixem o país a preços bizarramente baixos.
A única saída para os cartolas foi se juntar ao futebol moderno. Do governo, veio a colaboração nas reformas dos estádios. Do Poder Judiciário, as ações contra as Torcidas Organizadas. Do Legislativo, um Estatuto do Torcedor que não garante nada.
Acontece que o “Mercado” ainda não venceu um oponente, as torcidas organizadas. Sempre digo que “torcida organizada é resistência”, e é. Se pegarmos os preços dos ingressos de acordo com os setores, veremos que os setores das organizadas ainda são os mais baratos. Se formos em algum jogo, veremos que encontraremos, provavelmente, mais negros e pobres nos setores das organizadas.
Assim, não é difícil de entender o motivo dos ataques às Torcidas Organizadas. Assim como os Hooligans, as Torcidas Organizadas brasileiras representam a camada popular da sociedade. A implantação do futebol moderno no Brasil passa por sua extinção, uma vez que esses não são “torcedores-consumidores”.

Torcida Organizada: O Bode
As grandes torcidas organizadas como Galoucura, Máfia Azul, Gaviões da Fiel, etc. Surgem no futebol com uma grande...

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Matheus 12 posts

@matheus.vidal4 em 04/11/2015 às 00:32

Cara li seu texto e é muito interessante seu ponto de vista, e concordo em muitas partes. E acho que tópicos assim no fórum são muito necessários, deixando isso bem claro o único ponto que eu encontrei que não concordo, é em relação aos hooligans, se você pesquisar um pouco mais em diversas fontes, eles não eram simples torcedores, eram gangues e que usavam o futebol para o seu negócio, e não como prazer e diversão, e sim para fazer dinheiro e brigar, portanto não acho que eles possam ser exemplo pra nada. Mas novamente parabéns pelo tópico.

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Léo 2.152 posts

@leo.cardoso1 em 03/11/2015 às 23:59

Entendo que o 'futebol moderno' trouxe uma série de mudanças ao panorama dos estádios, principalmente no Brasil, mas o que eu observo na Arena é que novas práticas estão sendo criadas.

Espero que ninguém me obrigue a sentar durante o jogo, como acontece na première league, e também continuarei a xingar o cara que grita gol antes da hora.

Mas ao mesmo tempo eu fico feliz de poder ir com a minha mãe no estado, por exemplo, fico feliz de ir e voltar sem ver uma briga, e fico feliz por ver que a partir do plano de deixar o Corinthians mais 'europeu' nosso time ganhou o mundo.

As organizaras estão sendo respeitadas pela diretoria do Timão, querendo ou não a Sul é uma geral tal qual o tobogã era no Paca, nosso time está sabendo bem como administrar essas questões.

Em muitos pontos o futebol moderno pode até prejudicar outros clubes, mas no caso do Corinthians os benefícios são imensos.

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