Rafael
Rafael

42 anos , de São Paulo

Rafael Gil Gil Filho

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Corinthiano, economista e sociólogo que tem 5 filhos cachorros corinthianos.

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Última interação no site em 29/04/2015 às 10h45

  • Rafael

    Rafael postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Um Grande Desastre"

    há 4 anos

    Prezado Mano Fiel! Faço de suas palavras as minhas. Infelizmente vivemos uma triste e degradante realidade. Vale lembrar que gosto das Torcidas, sou favorável a sua presença e até um certo protagonismo, somente não concordo com os rumos que estão sendo tomados. Se houver uma correção de curso acredito que isso seria muito de benéfico a elas e a todos os demais Torcedores da Nação Fiel. Saudações Alvinegras e Saravá São Jorge! #VaiCorinthians

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  • Rafael

    Rafael postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Um Grande Desastre"

    há 4 anos

    Exatamente Nobre amigo Fiel. Escrevi para que todos pensassem sobre assunto. Abração!

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  • Rafael

    Rafael postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Um Grande Desastre"

    há 4 anos

    Valeu prezado amigo Fiel!

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  • Rafael

    Rafael postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Um Grande Desastre"

    há 4 anos

    Obrigado prezado amigo Fiel! Gostaria que todos lessem. Não pretendo convencer ninguém de nada, queria só que cada um meditasse a que ponto chegamos. Se esse é o mundo que queremos viver. Se trabalhamos tanto para construir isso. Um grande desastre.

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  • Rafael

    Rafael postou em Bate-Papo da Torcida, no tópico "Um Grande Desastre"

    há 4 anos

    Amanhece o Domingo. Dia Mágico do Futebol. Tão ansioso, nem dormi direito. Era Dia de Corinthians e Palmeiras, o maior Clássico, o Derby. O jogo valia uma vaga na Final do Campeonato Paulista, embora este não tivesse mais o mesmo charme de outrora, a rivalidade e a História do confronto despertavam um sentimento fantástico!

    Marcamos com amigos que fiz nos jogos para tomar umas cervejas e começar a resenha, o esquenta, que modo fabuloso de se confraternizar! É um clima sensacional! Um espaço livre para brincadeiras e pontos de vista, sem obrigações nem necessidades de cumprir com a lógica, só as leis do Futebol.

    Cumprindo o Ritual, busco meu cunhado e vamos de carro até o Shopping Tatuapé. De lá vamos de Metrô até o nosso destino. A Arena Corinthians, o Templo Moderno do Futebol no Solo Sagrado de Itaquera! A Terra Prometida, o Maior Hospício do Mundo, a Casa da Nação Fiel! Deus sabe quantas vezes meus amigos rivais desdenharam de mim, ainda criança, por meu Time não ter um Estádio. Adjetivos jocosos e rotulações que iam desde “favelados” até “moram de favor”.

    Deve ser por isso que não aceitamos passivos o apelido dado pelos rivais à nossa Arena. Este materializa todo um sentimento AntiCorinthiano. Não aceitam nosso merecido Sucesso. Querem desfazer dos nossos feitos, de nossas conquistas. Um sufixo nominal aumentativo, para se referirem com desdém, um lugar longínquo, onde ficam aqueles pobres lá. A Torcida Fiel tem o direito de escolher como quer que se chame sua casa.

    Porém no Metrô é que se inicia o grande desastre. Sempre fico de pé, para dar lugar a mulheres e pessoas de mais idade. Depois disso entram no vagão alguns integrantes de uma Torcida Uniformizada do Corinthians. Faziam gritaria e algazarra. Sinceramente não vi nenhum problema. Todos sem exceção sorriram, era clima de festa. Um Carnaval fora de época, uma externalização desmedida de alegria. Deu até vontade de gritar junto.

    Nesse instante os Torcedores enfileirados, saem e vão para outro vagão. Por outra porta entra um rapaz de meia idade vestindo uma camisa regata da Torcida Independente do São Paulo. Um desavisado. Fiquei gelado. Impossível o mesmo não saber o perigo que corria. As portas do Metrô se fecharam. Mas mesmo antes de relaxar um outro rapaz, que não pertencia à Torcida, vestindo uma camisa do Borússia Dortmund, colou nele e começou a fazer ameaças. Assustado ele se senta. Não adianta, o violento não desiste. O obriga a tirar a camisa e depois a rouba.

    Aquilo tudo me deixou muito incomodado. O que vimos nada tinha a ver com paixão ou clubismo. Mas não pude falar nada e me lembrei de Bertold Brecht. Embora quisesse dizer muitas coisas, estava em imensa minoria e não ando armado. Fiquei calado por puro instinto de preservação. Acabara de presenciar uma enorme injustiça. No nosso País, a pessoa não tem o direito de ir vestida como quer. Uma violação clara aos seus direitos individuais.

    Meu cunhado me questionou dizendo que o São Paulino estava no lugar errado. Realmente não tinha noção do perigo. Ao ouvir o argumento apontei para uma linda garota que estava ao nosso lado. Trajava vestes bastante ousadas. Me lembrei daquela moça que havia sido estuprada e que muitos nas redes sociais haviam apontado isso como ato de provocação e justificativa. É um fato da mesma natureza, nada justifica. Estamos vivendo tempos que a culpa é atribuida à vitima. Rapidamente me deu a razão.

    Era um dia importante, não queria que nada o estragasse. Achei melhor esquecer. Chegamos a nosso destino para encontrar os amigos. Depois dos efusivos cumprimentos nos chega a notícia de que 8 corinthianos pertencentes a torcida Pavilhão Nove haviam sido sumariamente executados. Que tristeza. Os indícios apontavam para uma briga do tráfico de drogas, mas despertava questionamentos sobre a violência entre as Torcidas rivais. Definitivamente o clima estava muito pesado. Uma lástima.

    Ao chegar a Arena só se comentava isso. Não quisemos mais ficar na porta. Preferimos entrar rápido, sem se deliciar com a batucada e os Cânticos entoados antes dos jogos. Daí novo dissabor. É inacreditável a falta de preparo e educação dos agentes da lei que fazem a revista para adentrar a Arena. Nos tratam como gado. São ríspidos sem nenhuma necessidade. Fiquei me questionando se havia feito algo de errado, tamanha a insensatez. Um senhor ao meu lado disse que pagam justos por pecadores. Afinal, aqui no Brasil é assim, não existe presunção de inocência.

    Fui logo para meu lugar. Não sou supersticioso, mas o Corinthians nunca perdeu um jogo comigo naquela cadeira. Não custa absolutamente nada seguir a escrita. Mas fomos interrompidos por um bate-boca. Um senhor de avançada idade e de atrasada educação gritava com o orientador de lugares que havia deixado Dona Walkíria, a Torcedora símbolo do Timão, a mosqueteira sentou nos lugares especiais da frente. Isso sendo um direito dela e uma recomendação de quem organiza o evento. Mas nada adiantou. A razão está se perdendo nos Trópicos.

    Antes de começar o jogo, um silêncio sepulcral. Em homenagem aos mortos na chacina, as Torcidas uniformizadas se sentam e nada proferem por intermináveis 8 minutos. Era um minuto de silêncio para cada vítima. Paira no ar uma profunda tristeza. O clima de festa se foi e deu lugar a um ambiente pesado e desanimador. Os jogadores em campo sentiram isso. Os demais torcedores também sentiram. Apenas não se sentia isso do lado da Torcida adversária, que não só não respeitou a homenagem, como gritava com aparente alegria e realização.

    O Corinthians não perdeu o jogo. Porém foi eliminado nas cobranças de pênaltis. Um regulamento esdrúxulo feito por uma Federação à deriva, que mais está preocupada com negociatas e com a manutenção do poder, que com o Futebol. Mas todos os clubes aceitaram. Falar depois pode denotar o desrespeito ao resultado do Campo. Isso jamais. Sinceramente não causou um só arranhão à minha estima. Houve luta e garra, não houve vitória. Fico satisfeito.

    Quem não fica satisfeita é a Torcida do Palmeiras. Como prova máxima de desprezo e afronta inicia uma quebradeira nos assentos da Arena ainda cheirando a nova. Voam pedaços de cadeiras para todos os lados. Sempre na direção dos lugares da torcida de seu adversário, esperando acertar e machucar alguém. A polícia nada faz, apenas assiste como se isso fosse uma conduta comum e aceitável. Realmente não sei mais em que mundo vivemos.

    Enquanto todos esvaziam a Arena, um pequeno grupo da Torcida do Corinthians entoa escalofriantes versos. Gritam: “ É Inajar, é Inajar…”. Se referiam a uma briga de Torcidas rivais ocorrida na Avenida Inajar de Souza, zona Norte de São Paulo. Neste nefasto episódio, um Torcedor do Palmeiras acabou morrendo. Foram da Homenagem aos chacinados à comemoração pela morte de um adversário. Para estes a Vida não é um bem em si a ser preservado, dependendo da cor da camisa que vestem, pode ser tirada sem escrúpulos.

    A verdade é que gosto das Torcidas Uniformizadas. Gosto da Festa que realizam. Gosto da Alma colocada em cada jogada, da Atmosfera que transforma o campo em um Caldeirão de emoções e de arrepiantes sentimentos. As suas coreografias são sensacionais e suas músicas são cantadas com afinco por todos. Seus desenhos são um misto de Arte Pop e de Cultura Underground. Seriam os Artífices intelectuais do Espetáculo se não fosse pela conivência com uma minoria, que realmente não entende. Não captou o que realmente significa. Não sabe viver.

    A violência não é fruto do fanatismo. Sou um Corinthiano doente. Respiro e vivo intensamente minha paixão. É parte do que sou e como me construí. Mesmo assim nunca fiz uma só briga por causa de Futebol. Esse esporte só me fez fazer grandes amigos. Os debates com os rivais são espetaculares. Hoje perdemos, amanhã será nossa vez. Tudo termina em fortes abraços e sempre há assuntos para a próxima. Não há nada mais gostoso no Mundo.

    Meu cunhado me alerta que estas mesmas pessoas que em grupo fazem brigas vão para suas casas e se relacionam cotidianamente com torcedores de outras agremiações. Tem amigos de outros times, mas nos momentos que se juntam agem como uma horda, destilam todo seu ódio contra um inimigo comum. Sem que isso possa ter nenhum efeito positivo em ninguém.

    Vamos embora, por hoje já deu. Mas este Festival de Descalabros não termina. Na saída um carro repleto de Palmeirenses passa desferindo insultos...

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