Corinthians registra boletim de ocorrência após sumiço de faturas em investigação interna
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Por Meu Timão
Corinthians registrou B.O após não encontrar documentos sigilosos nos arquivos do clube
Vitor Chicarolli / Meu Timão
O Corinthians registrou, no último sábado, um boletim de ocorrência pelo sumiço de faturas e documentos sigilosos do clube. A suspeita do clube é a de subtração criminosa.
A informação foi divulgada pela Gazeta Esportiva. A identificação do desaparecimento dos arquivos surgiu após Osmar Stabile, presidente interino, determinar que o departamento financeiro do Timão apuração sobre faturas e gastos expostos recentemente nas redes sociais, caso do ex-presidente Andrés Sanchez. Os documentos já passam ser investigados pelos órgãos internos do Corinthians.
"(...)faturas de cartão de crédito corporativo vinculadas à Presidência do clube, referentes à gestões anteriores, deixaram de constar nos arquivos físicos e digitais oficiais da instituição, sem que houvesse qualquer autorização ou justificativa formal para sua retirada ou eliminação. Ressalta-se que tais faturas passaram a circular de forma fragmentada e seletiva na imprensa, o que reforça a hipótese de acesso indevido com propósito ilícito", diz parte do relatório feito à Polícia Civil.
O clube alvinegro indiciou violação à Lei Geral de Proteção de Dados (n.º 13.709/2018), suspeitando de subtração ou destruição de documentos administrativos, previstos no artigo 305 do Código Penal. Além disso, o Corinthians indicou que outros documentos também podem ter sido subtraídos. A apuração partiu de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians.
"O Sport Club Corinthians Paulista informa que durante o processo de apuração a respeito de faturas de cartões de crédito corporativos, determinado pelo presidente, a fim de responder solicitação do Presidente do Conselho Deliberativo foi identificada a subtração de inúmeros documentos relacionados a controles de despesas, entre outros registros administrativos", enviou o clube à Gazeta Esportiva - veja completa abaixo.
Tuma afirmou que requereu à presidência do clube que encaminhe as informações para análise nas comissões competentes. Ele também indicou que os furtos podem ter ocorrido durante o dia 31 de maio, quando Augusto Melo e apoiadores tentaram recuperar a presidência em invasão ao Parque São Jorge.
"Fui informado de que durante a inconcebível invasão na sede do Parque São Jorge no dia 31 de maio, houve furto em que foram levados documentos relativos ao controle de despesas de gestões anteriores, dentre os quais provavelmente estariam incluídos estes documentos", explicou em nota - veja completa abaixo.
Desdobramentos internos
Na última semana, o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians recomendou a abertura de apuração disciplinar contra Andrés Sanchez devido ao uso indevido do cartão de crédito das faturas. Segundo a Gazeta Esportiva, no entanto, o órgão encaminhou à Comissão de Ética e Disciplina um pedido sobre a ação de ex-dirigentes e funcionários do clube na divulgação das faturas.
Dessa forma, Augusto Melo, mandatário afastado do Corinthians, Pedro Silveira, ex-diretor financeiro, Luiz Ricardo Alves, o Seedorf, ex-gerente financeiro, Josué Lopes de Souza, ex-auditor financeiro, e Dayna Barossi, assessora de Augusto Melo, serão investigados em um processo disciplinar interno. O vazamento, vale destacar, não poderia ser definido como subtração criminosa.
O clube alvinegro, vale destacar, chegou a peticionar nos autos do inquérito policial do caso VaideBet a respeito do tema, em que Augusto Melo foi indiciado por supostas irregularidades na intermediação do acordo.
Divulgação das faturas
Os eventuais documentos subtraídos e divulgados, a princípio, nas redes sociais estão sob investigação da Polícia Civil. Isso porque há um inquérito em aberto, desde o fim de 2024, após pedido de Romeu Tuma Jr., a respeito de um possível ataque coordenado contra ele e conselheiros do clube. O caso está no Drade (Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva) e está em investigação sob segredo de Justiça, em meio às chances de uma "milícia digital".
O perfil "@Prmalaoficial", conta satírica em referência ao pastor evangélico Silas Malafaia, foi o responsável por divulgar faturas de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, antecessor de Augusto Melo na presidência do Corinthians.
De acordo com a Gazeta Esportiva, as investigações indicam que o dono do perfil é Luiz Carlos Martucci Junior, de 41 anos, membro do programa Fiel Torcedor, já acusado pelo crime de receptação culposa, em 2014, e suspeito de liderar diversos perfis de alta mobilização nas redes. Ele deve ser convocado em breve pela Polícia Civil para esclarecimento da suposta milícia digital e da divulgação dos arquivos sigilosos.
As faturas, vale lembrar, já viraram alvo de investigação interna do clube. Andrés Sanchez, que corre risco de expulsão do clube, reconheceu que R$ 15 mil da fatura correspondia a gastos pessoais feitos por meio do cartão corporativo da presidência durante sua gestão, em 2020. Dias depois, o ex-cartola reembolsou o clube.
Duilio, que também se justificou pelo uso indevido, chegou a pedir, na última quinta-feira, a Leonardo Pantaleão, atual superintendente jurídico do clube, todas as faturas da sua gestão (2021 a 2023). No entanto, o dirigente negou segundo normas do Estatuto. No sábado, Pantaleão soube que os documentos não estavam onde deveriam estar, motivando o registro do B.O.
Confira a nota do Corinthians
"O Sport Club Corinthians Paulista informa que durante o processo de apuração a respeito de faturas de cartões de crédito corporativos, determinado pelo presidente, a fim de responder solicitação do Presidente do Conselho Deliberativo foi identificada a subtração de inúmeros documentos relacionados a controles de despesas, entre outros registros administrativos.
A extensão da conduta relativa a subtração dos documentos ainda está sendo apurada. A ocorrência foi devidamente registrada junto à Polícia Civil, que conduz as investigações em andamento.
Apesar das dificuldades impostas, a atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência, a boa governança e o pleno esclarecimento de quaisquer irregularidades, inclusive solicitando ao banco competente as segundas vias das faturas subtraídas. A apuração seguirá com o rigor e a responsabilidade que o tema exige, tanto junto aos órgãos internos e ao Poder Público, quanto perante a opinião pública.
Por fim, o Sport Club Corinthians Paulista repudia com veemência qualquer ação que viole a integridade institucional do clube e lamenta profundamente que disputas políticas tenham ultrapassado os limites do respeito à história, ao patrimônio e ao ambiente associativo do Corinthians".
Confira a nota de Romeu Tuma Júnior
"Sobre recentes denúncias de mau uso do cartão corporativo, requeri à atual Presidência informações e preservação dos documentos, a fim de que as comissões do Conselho Deliberativo e os órgãos de controle do clube tivessem acesso durante apuração que irei determinar, nos termos do Estatuto.
Fui informado de que durante a inconcebível invasão na sede do Parque São Jorge no dia 31 de maio, houve furto em que foram levados documentos relativos ao controle de despesas de gestões anteriores, dentre os quais provavelmente estariam incluídos estes documentos.
Imediatamente, apoiei que o clube lavrasse boletim de ocorrência, de modo a assegurar o aditamento, a complementação e a continuidade do registro feito naquela data que gerou a instauração de Inquérito Policial que tramita junto à 6ª Delegacia de Polícia do DRADE da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Crimes como esse não ficarão impunes, e o Corinthians vai provar que, mesmo com todas as tribulações de sua vida política, ainda é uma instituição robusta e capaz de sobreviver ao caos em que se encontra".
