O homem da virada

Fórum do Corinthians
Tópico Lendário Entenda as regras

Igor #1.663 @igor.rykovski em 16/02/2018 às 19:54

Em uma São Paulo ainda arrasada pela Revolução Constitucionalista, um rapaz esguio de 19 anos, 1,76 m de altura e apenas 62 quilos vem a São Paulo com a Seleção Paranaense de futebol, perder para a temida Seleção Paulista por 7 x 4. Dos 4 gols paranaenses, 3 são dele.

Pouco tempo depois, de volta a Curitiba, recebe a visita de um empresário representando um grande clube de São Paulo: 'Rapaz, lá você pode ter a América!'

Reticente, consulta sua mãe que diz: 'O que vai ficar fazendo aqui? Ser apenas um sapateiro? Vá logo!'

Ele então embarca nessa aventura, hospedando-se numa pensão na Rua Guaianases, próximo a Praça Princesa Isabel, no centro. Ainda era uma época que o futebol começava a se profissionalizar. Era uma época em que o racismo começava a ser vencido no futebol, as equipes começavam a ter vários jogadores negros como ele em seus plantéis.

No seu primeiro jogo, o time perde de 4 x 0 para o Vasco da Gama. Ele então pensa: 'O que vim fazer aqui? Esse time é um abacaxi'.

Um diretor do clube então o acalma, dizendo que o time estava se reestruturando e que em pouco tempo a coisa iria melhorar. O rapaz decide ficar, para já no seu segundo jogo marcar o primeiro gol contra o Palestra Itália. No fim da partida, depois de inúmeras provocações e insultos, diz: 'Não gosto desse time de italianos'.

Ele ainda marcaria mais 14 gols contra esse time de italianos.

Uriel Fernandes, o Teleco jogou no Corinthians de 1934 a 1944. É o terceiro maior artilheiro do clube com 251 gols em 246 jogos, com uma média de 1,02 gols por jogo. Maior até do que a média do Pelé.

Artilheiro dos campeonatos paulistas de 35,36,37,39 e 41. Um centroavante clássico, que jogava entre os zagueiros. Muito técnico, tocava e chutava de primeira quase todas as bolas. Seu companheiro Tim, no ataque que contava ainda com Mendes, Luizinho e Imparato dizia:'Ele pegava a bola como viesse e mandava para as redes sem escolher o pé. Na corrida, de sem-pulo, parado. Era tudo a mesma coisa'.

Tal característica lhe rendeu a alcunha de 'O homem da virada'.

Não conseguia vaga na seleção brasileira, pois um tal de Leônidas da Silva era o centroavante titular e o nosso Teleco não tinha passaporte.

Foram 10 anos de muitas glórias e uma assustadora quantidade de gols pelo Corinthians.

Em 1944, depois de muitas contusões, resolveu encerrar a carreira. Com a fama, montou junto com Brandão, um certo centro-médio (equivalente hoje a um segundo volante), seu companheiro no Corinthians um bar na Vila Mariana chamado Bar e Restaurante do Esportista.

Infelizmente com a pouca experiência, endividou-se e perdeu todos os seus imóveis e todo o dinheiro de tantos anos de futebol para saudá-las, honrado que sempre foi.

Já seu amigo Brandão, abandonou essa coisa de bar e decidiu ser treinador de futebol. Ganhou alguns títulos, é verdade. Um deles, um campeonato paulista em 1977. Ficou mais conhecido como Oswaldo Brandão, o homem que acabou com a fila de 23 anos do Corinthians.

O Teleco, ainda tentou retomar a carreira pelo Santos, Juventus e Rio Claro sem muito sucesso. Posteriormente, foi contratado pelo próprio Corinthians para ser o diretor da sala de troféus do clube.

Em 22 de julho de 2000, aos 86 anos, Teleco deixou a diretoria da sala de troféus e a vida para ser história.

Enquanto entre nós, foi um troféu vivo desfilando entre as centenas de troféus de metal do Corinthians, o grande amor da sua vida.

Texto: Igor Rykovski

Fontes: Revista Placar, Almanaque do Corinthians e Wikipedia.



Teleco, o terceiro agachado da esquerda para a direita.



Teleco e sua famosa virada contra a Portuguesa de Desportos em 1941.



Teleco, o troféu entre troféus.

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Carlonez Calca #1.461 @carlonez em 16/02/2018 às 22:29

Pena que tanto tempo se passou e verdadeiros ídolos como ele, hoje são apenas páginas da nossa história. Os 'ídolos' de hoje em dia não têm metade da dignidade e respeito que os antigos tinham pela nossa camisa

Fabiano Lima #966 @fabiano.lima7 em 17/02/2018 às 01:04

Certa semelhança com marcelinho não foi pra seleção por birra de treinador, mas legal saber que o Corinthians o manteve no seu quadro de funcionários e parabéns Igor por trazer mais da nossa belissima história, espero que traga mais se você quiser é obvio, mas sáo tópicos como esse que o Meu Timão deveria fazer, alias você deveria ter uma vaga ali, fica a dica...

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Ramon Felipe #5.547 @ramon.felipe1 em 20/02/2018 às 11:10

Lendaaaa

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João Oliveira #730 @joao.oliveira43 em 18/02/2018 às 16:07

Excelente post, Igor! Continue assim! Por favor hahaha

Fabricio Tomaz #5.377 @alemaoocz em 18/02/2018 às 08:36

Grande Teleco.
Ótimo tópico

Emircio Silva #5.786 @emircio em 17/02/2018 às 20:39

Valeu

Igor #1663 @igor.rykovski em 17/02/2018 às 19:17

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Sim, eu já pedi pra moderação corrigir.

Igor Rykovski #1.663 @igor.rykovski em 17/02/2018 às 19:17

Sim, eu já pedi pra moderação corrigir.

Emircio #5786 @emircio em 17/02/2018 às 17:35

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Um ótimo post, mas precisa de uma correção: o jogador Brandão não é o Oswaldo Brandão que foi técnico do Corinthians diversas vezes, inclusive na conquista de título de 1977.

Armando Pantoja @armando.pantoja em 17/02/2018 às 18:54

Post fantástico. Parabéns pela pesquisa.

Talvez pudesse citar as fontes etc.

De toda forma, somos agradecidos, Igor.

Vamos, Corinthians!

Antonio Laecio Souza Silva #3.113 @antonio.laecio.souza em 17/02/2018 às 18:49

Ele jogava muito!

Antonio Laecio Souza Silva #3.113 @antonio.laecio.souza em 17/02/2018 às 18:48

Ele era monstro!

Antonio Laecio Souza Silva #3.113 @antonio.laecio.souza em 17/02/2018 às 18:48

Ele fez muitos gols!

Emircio Silva #5.786 @emircio em 17/02/2018 às 17:35

Um ótimo post, mas precisa de uma correção: o jogador Brandão não é o Oswaldo Brandão que foi técnico do Corinthians diversas vezes, inclusive na conquista de título de 1977.