FIFA: As memórias de Yokohama de Paulo André

FIFA: As memórias de Yokohama de Paulo André

FIFA: As memórias de Yokohama de Paulo André

FIFA: As memórias de Yokohama de Paulo André

São raros os momentos em que se consegue unir três esferas aparentemente tão distintas como futebol, arte e caridade. Mas também são raros os momentos em que Paulo André consegue ficar parado, oras. 'Não aguento.' Ele estava, então, mais do que pronto para a empreitada. Agitador, dividindo-se entre escritos regulares, telas e, claro, uma tarefa nada banal como ser zagueiro titular do Corinthians, esse paulista de Campinas idealizou lá atrás, em setembro de 2012, as 'Memórias de Yokohama'.

Primeiro, produziu um diário para relatar os bastidores durante a Copa do Mundo de Clubes da FIFA Japão 2012. Mas a grande jogada ainda estaria por vir: a realização de um leilão beneficente com obras que tivessem ligação com essa experiência única - e foi uma ligação direta. Com a ajuda da amiga artista plástica Bia Tambelli e de seus companheiros de time, produziu 34 obras com as chuteiras usadas na final, as luvas do Bola de Ouro adidas Cássio e até uma prancheta do técnico Tite.

Paulo André pode não ter balançado a rede nos duros embates contra o Al-Ahly ou o Chelsea no Japão, mas seu golaço acabou ficando para depois: em uma noite paulistana de fevereiro, seu evento arrecadou R$ 829 mil, quantia toda direcionada para seu instituto e outras duas entidades beneficentes. 'Foi uma emoção que parecia a da comemoração de um gol mesmo, ao ver os valores subindo, as pessoas participando. Ver que todo o trabalho e a dedicação para montar o evento valeu a pena', afirma ao FIFA.com. 'Fiquei muito surpreso e satisfeito.'

Incertezas
Como ele mesmo diz, esse campineiro não para, e isso vem desde cedo. Ficava o dia todo no clube, jogando bola, não importando a modalidade. Recentemente, indicou que daria um tenista melhor do que jogador de futebol. 'Lógico que falo isso brincando', afirma, para, depois, completar e confundir o repórter: 'Fui o número dois do estado de São Paulo'.

Acabou escolhendo o futebol mesmo, saindo de casa aos 14 anos. 'Mas nunca soube se conseguiria. Era uma incerteza que me corroía, e eu tinha de me preparar caso não desse certo. No Brasil, são muitos tentando ser jogador. Tinha de procurar, então, um estepe, uma segunda saída. Acabei me preparando melhor para outras oportunidades'.

A carreira vingou ?' passou pela base do São Paulo e do Guarani, virou capitão do Atlético Paranaense, em 2006 foi para Le Mans, da França, até chegar ao Corinthians em 2009. Ao mesmo tempo, estudou de tudo um pouco por conta própria. Uma coisa não exclui a outra. 'A gente acaba ficando muito tempo concentrado, um tempo completamente ocioso. Aprendi a utilizar isso de maneira benéfica?, afirma. 'A vida vai além do futebol. Gostaria que na formação dos atletas todos fossem preparados, apresentados a outros prazeres, atividades. Se você começa a pensar em outras coisas, acho que acaba melhorando também seu rendimento.?

Na França, quando enfrentou um duro período distante dos gramados, recuperando-se de uma cirurgia no joelho, acabou se entregando a pincéis e paletas, lembrando as visitas que fazia ao Museu do Louvre. Trouxe o hobby de volta ao Brasil. Em 2011, envolveu o Corinthians pela primeira vez na atividade paralela, pintando uma tela gigante para comemorar o título brasileiro.

No ano seguinte, pensou em repetir a experiência, com um adendo. 'Eu tinha uns quadros, e as pessoas perguntavam se eu queria vender. Aí pensei em fazer um leilão, mas imaginei que seria com as minhas telas', conta. O plano mudou quando viu uma obra de uma amiga, Bia Tambelli, usando um tênis em uma peça publicitária: 'Bati o olho, e foi isso'. Os dois replicariam esse processo, mas com o material recolhido no vestiário ­- Bia cuidou das colagens e, depois, juntos, pintaram as telas praticamente em uma tarde, adotando a técnica de action painting de Jackson Pollock. 'Foram cinco horas pintando e se divertindo. No final das contas é uma tremenda brincadeira, com esse estilo do Pollock, fazendo o que bem entende na hora.'

Operação Yokohama
Agora, antes de botar tudo isso em prática, eram necessárias duas tarefas um tanto importantes: a) convencer o restante do elenco a embarcar nessa; b) ganhar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

A primeira era mais fácil. 'Foi meio na malandragem. Primeiro pedi as chuteiras do Chicão, Alessandro e Fabio Santos, em novembro, para fazer um teste. Faltando dois dias para a viagem, as levei prontas para o vestiário. Cada um que chegava, gostava. Foram pedindo para terem o mesmo, um atrás do outro.'

Encaminhar um projeto antes mesmo de viajar para o Japão pode soar como soberba, mas, na verdade, era apenas mais um elemento que dizia muito sobre o espírito daquele grupo, sobre sua confiança conquistar o título. 'Acaba ajudando inconscientemente. Acredito muito em energia, de deixa fluir, acho que as coisas acabam dando certo. Claro que durante a preparação isso ficou em segundo plano, pela pressão e responsabilidades muito grandes que tínhamos.'

Por isso, todo o cuidado era pouco na hora de conversar com o chefe, não? 'Depois de falar com os jogadores, bati na sala do Tite, com uma tela na mão. Ele ficou olhando todo torto. Perguntei: ?Será que você podia me deixar uma lembrancinha para o caso de a gente ganhar, para fazer uma obra de arte?. Ele olhou e disse que tudo bem, se ganhar, mas que primeiros teríamos de ir ao trabalho', relembra. E, bem, não havia problema nenhum. Trabalho parece nunca ser demais para o zagueiro corintiano. 

Fonte: FIFA

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