Após drama no Corinthians, Lulinha se encontra no Ceará e sonha com seleção

Após drama no Corinthians, Lulinha se encontra no Ceará e sonha com seleção

Após drama no Corinthians, Lulinha se encontra no Ceará e sonha com seleção

Após drama no Corinthians, Lulinha se encontra no Ceará e sonha com seleção

Por Luis Augusto Simon
Do UOL, em São Paulo


Se alguém especializado em relações humanas quiser defender a tese de que o sofrimento leva à maturidade e, em seguida, à felicidade, pode ligar para Lulinha, lá em Fortaleza. Aos 23 anos, o garoto que foi lançado no time principal do Corinthians com 17 anos, no fatídico ano da queda de 2007, está de bem com a vida. E sonha alto.

'Olha, a camisa amarelinha cai muito bem em mim. Não pesa nada, sempre fui destaque nas seleções de base e sonho em jogar novamente, agora na principal. Se eu continuar jogando bem e voltar para um time grande de São Paulo, posso chegar lá', diz o atacante, que marcou 7 gols em 14 jogos pelo Ceará.

Quando fala em um time grande de São Paulo, Lulinha não pensa, necessariamente, no Corinthians. 'Não tenho essa obsessão de voltar para lá. Adoro o Corinthians, cheguei nesse clube aos 8 anos e tive contrato com eles até o final do ano passado. Não acho que eu precise voltar para conseguir fazer o que não deu certo da primeira vez. A vida seguiu e estou muito bem'.

 A primeira vez foi em 2007. Lulinha era o grande nome da base, o destaque de um trio que ainda tinha Dentinho e Everton Ribeiro. Sua participação no grupo de profissionais era aguardada pelos torcedores e pedida por Wagner Ribeiro, seu empresário. Quando chegou ao pico, não jogou bem. Não se manteve. E foi muito cobrado.

'Eu sofri muito. Tenho 23 anos e tem gente com 30 que não passou o que eu passei. Cheguei no time de cima e teve muita pressão em cima de um menino. Esperavam muito de mim e o time não estava bem. Então, houve a queda e eu fiquei como se fosse um dos culpados, eu é que tinha de resolver a situação do Corinthians. Saía de casa e era criticado, isso me deixava muito triste. Era uma situação dura, eu dava minha cara para bater, tentava argumentar, mas não adiantava. E eu só participei da fase final, antes eu estava na seleção sub-17, mas parecia que eu era o maior culpado', lembra.

Lulinha, mesmo assim, não acredita que seu lançamento tenha sido precipitado. 'Eu era destaque na seleção, tinha sido artilheiro no Sul-americano, joguei o Pan do Rio como grande destaque do time e também o Mundial. Tinha de ser lançado mesmo, não vou agora culpar ninguém por isso. Não deu certo, mas foi por outras coisas que já falei. A hora era certa, a situação do time é que não era boa e a cobrança veio para cima de mim. Atrapalhou o meu futuro, fiquei marcado. O que ninguém fala é que em 2008 eu ajudei o time a subir, tive superação. Só falam da queda em 2007, não falam do acesso.'

Na verdade, Lulinha não foi destaque do time de 2008, ao contrário do que muitos esperavam, principalmente pelo bom salário que recebia. Salário de estrela, que foi mantido nos cinco anos de contrato, apesar de ele haver deixado o clube em 2009, perambulando por Portugal e Bahia.

Contrato que não existe mais e que, Lulinha jura, não faz falta. 'Eu sempre soube que aquele contrato venceria e que eu não ganharia tanto assim até o fim da vida. Por isso, economizei, investi bem meu dinheiro e me preparei. Sou um rapaz tranqüilo, não sou de bagunça, me casei com uma mulher que me ajuda muito e não tenho problemas. Estou muito amadurecido e muito feliz em Fortaleza', lembra.

Ele chegou ao Ceará no ano passado, atendendo um pedido de Ricardinho, que dirigia o time. 'Eu conhecia ele do tempo do Corinthians e sabia que a gente ia se dar bem, que eu poderia aprender com ele. Foi legal mesmo, mas ele saiu. Eu continuei e agora estou como titular no time, pronto para lutar pelo acesso para a Série A', afirmou.

Lulinha coloca o Palmeiras como grande favorito, mas é confiante ao analisar o Ceará. 'O Palmeiras é um grande time, tem uma verba muito maior que a dos outros e tem obrigação de subir. Foi assim com o Corinthians em 2008, mas a Série B é diferente, mais corrida, precisa se adaptar logo. O Corinthians teve até uns probleminhas no começo, mas depois deslanchou. Se eles não se adaptarem logo, pode complicar um pouco. Nós estamos bem e vamos brigar muito por uma das quatro vagas. Temos boas chances. Nossa torcida é de massa, levou 50 mil no jogo contra o Icasa pela Copa do Brasil', disse.

Em Fortaleza, ao lado de Adriana, Lulinha tem uma vida tranquila. 'A gente vai muito a restaurante, conhece as praias da cidade, recebe visita dos parentes, é muito bom, não tem aquele trânsito de São Paulo. É uma boa vida, mas, como já disse, se precisar sair daqui para um centro maior, eu vou. É para isso que eu estou me esforçando, melhorei minha finalização, não sou mais afobado. Tenho sonhos para mim'.

Para concretizá-los, Lulinha tem uma tática definida. 'Quando os jogadores conversam antes de entrar em campo, falam que é preciso ter vontade, ter raça essas coisas. Eu falo que é preciso ter alegria para jogar. Falo para todo mundo lembrar quando era criança e sonhava em jogar futebol. Nós conseguimos esse sonho, não interessa se é no Corinthians ou no Ceará. Tem de desfrutar, tem de ser alegre'.

Alegria é a aposta de Lulinha, o garoto que sofreu como gente grande.

Foto: UOL

Fonte: Terceiro Tempo

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