Sem médicos, vizinhos da Arena Corinthians são atendidos por guardas

Sem médicos, vizinhos da Arena Corinthians são atendidos por guardas

Sem médicos, vizinhos da Arena Corinthians são atendidos por guardas

Sem médicos, vizinhos da Arena Corinthians são atendidos por guardas

Quando Washington Gleydson, vizinho da Arena Corinthians, precisou levar ao hospital o filho Igor, de 11 anos, ele passou por uma situação constrangedora. Não havia recepcionistas disponíveis no hospital para atendê-lo. A 'consulta' foi feita por um guarda na porta do prédio, que perguntou o que o garoto estava sentindo e concluiu que o caso não devia ser tratado ali.

Washington levou o filho para casa e lhe deu remédio para baixar a febre. Semanas depois, quando conseguiu uma consulta em outro bairro, descobriu que Igor tinha desenvolvido uma infecção no sangue e precisava tomar antibiótico.

Outros moradores relatam histórias semelhantes de diagnósticos médicos feitos por profissionais que nunca vestiram um jaleco.

Diana, que tem 17 anos e um filho de 15 meses, precisou levá-lo ao posto de saúde da região. Mas ele também não foi consultado. Motivo: Não havia energia elétrica na AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Carmosina.

É assim que se vive na Vila da Paz, comunidade de 377 famílias a 500 metros da sede da Copa em São Paulo. Enquanto operários trabalham dia e noite para entregar a Arena Corinthians a tempo do jogo de abertura, no dia 12 de junho, os vizinhos do estádio lutam para suprir necessidades mais básicas.

NO ESCURO

Um dia ao chegar do trabalho, Valdinei da Silva encontrou a mulher e o filho recém-nascido no escuro. Não era novidade; a vizinhança já tinha se acostumado com os frequentes apagões causados pelas ligações clandestinas, os gatos que passavam por cima dos telhados de todas as casas.

Valdinei viu que um vizinho estava em uma escada no poste da rua em frente tentando consertar o gato. Ele foi ajudar a segurar a escada. Um carro da polícia passou. Valdinei foi preso. Foi chamado de vagabundo e animal pelo delegado. Foi levado para a cadeia, onde ficou três dias.

Os outros presos não acreditavam que ele estava ali por segurar uma escada. Seus amigos arranjaram R$ 2 mil para pagar um advogado que relaxou a prisão. Mas ele respondeu no tribunal pelo artigo 155, 'subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel', no caso, energia elétrica da Eletropaulo.

Ele foi condenado. Até hoje, quase cinco anos depois, é assalariado de segunda a sábado, e domingo presta serviço comunitário em escolas da Zona Leste de São Paulo. Ainda tem mais de 400 horas para cumprir.

Seus vizinhos há anos tentam com a Eletropaulo a regularização do fornecimento de energia. A empresa diz que só quem pode ajudar é a Prefeitura. Enquanto nada é resolvido, eles decidiram pagar um técnico para fazer uns 'gatos mais profissionais'.

Mesmo assim, há ao menos um apagão por semana, o que deixa as ruas no escuro e faz as famílias decidirem o que vão comer baseadas no que está prestes a estragar: as geladeiras não são mais confiáveis.

Também falta água nas torneiras, embora ela abunde nas ruas de terra e no córrego Rio Verde que passa ao lado e ameaça invadir as casas quando chove forte.

REMOÇÃO

A Vila da Paz entrou nos holofotes do poder público desde que foram anunciadas as obras do complexo Radial Leste, um conjunto de vias que levarão torcedores ao estádio do Corinthians. Já existe um processo para a desocupação da área desde a década de 1990, mas ele foi apressado quando a Arena Corinthians foi oficializado como sede da Copa.

A Prefeitura diz que 101 das famílias que vivem lá (as que estão mais perto do asfalto ou do córrego, portanto em 'situação de risco') serão removidas em junho, mas ninguém tem certeza se isso irá mesmo acontecer.

A associação dos moradores reclama que, nas inúmeras reuniões que tiveram com o poder público, nenhum contrato foi assinado e todas as promessas que são feitas soam apenas como isso, promessas.

'Maldito o homem que confia em outro homem', recita Washington, evangélico, se referindo ao livro de Jeremias e aos funcionários da Prefeitura que garantem a mudança das famílias para antes do Mundial.

Washington fez parte de uma comissão de moradores que recentemente foi à área onde será o conjunto São Sebastião, a três quilômetros da Vila da Paz, verificar em que pé andam as obras. De acordo com essa comissão, há poucos operários trabalhando, e os prédios ainda estão muito 'crus'.

Nesse ritmo, dizem, os apartamentos não estarão prontos na data prevista.

Eles tentaram evitar a remoção apresentando à Prefeitura um projeto de urbanização da área, que foi considerado caro e descartado. Alguns moradores se questionam se conseguirão se adaptar à nova realidade, se haverá escolas suficientes para seus filhos, se haverá postos de saúde, trabalho, transporte fácil.

Apesar das incertezas, nenhum se disse contra a saída. Alguns até sonham com uma rota de fuga da favela. A maioria, porém, aqueles que não estão em áreas de risco, devem ficar ali até 2016.

'Morar em favela é terrível', afirma a dona de casa Luana Siqueira que diz ter ficado três meses sem água no ano passado.

Foi também no ano passado que ela encontrou no lixo um exemplar seminovo do Código Civil, conjunto de leis que ela diz estudar sempre que precisa lidar com representantes do Estado.

Fonte: Terceiro Tempo

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