Com medo do Palmeiras virar uma Portuguesa, vereador tenta tombar clássico com Corinthians

Com medo do Palmeiras virar uma Portuguesa, vereador tenta tombar clássico com Corinthians

Por Meu Timão

Um vereador de São Paulo quer eternizar o jogo. Para tanto, porém, ele exagera no fanatismo e tenta algo que é impossível: tombar um bem imaterial.

Corintiano assumido, que já defendeu seu clube na Câmara dos Vereadores em questões sobre o futuro estádio de Itaquera e outros assuntos relacionados ao clube, Juscelino Gadelha (ex-PSDB, agora sem partido) causou polêmica por querer tombar a história do dérbi e alegar para isso uma possível decadência técnica do Palmeiras.

“Este foi o clássico mais importante das décadas de 1940 e 1950, e quero que seja tombado por causa do enfraquecimento do Palmeiras, já que hoje a melhor disputa do Corinthians é com o São Paulo”, afirmou o político ao UOL Esporte. “E o São Paulo é recente, tem tradição agora”.

Apesar de o próprio Gadelha tentar amenizar a brincadeira – “isso é uma questão de gozação” –, o texto escrito por seu estafe para explicar o pedido de tombamento faz uma clara menção à situação do Palmeiras.

“Desde 1999 a Sociedade Esportiva Palmeiras não ganha um título importante e, a cada dia que passa, dá mostras de que está em plena crise técnica e política”, diz o informativo.

Ainda assim, Gadelha jura que já ouviu respostas positivas dos palmeirenses em relação ao pedido. “Se você fala com os mais antigos, eles brilham os olhos quando falam no dérbi. É uma tradição que a gente quer preservar, não é fanatismo. Até porque no levantamento que nós fizemos, o Palmeiras tem mais vitórias do que o Corinthians”, declarou o vereador.

O PEDIDO DE TOMBAMENTO DO CLÁSSICO

"Considerando o tradicional clássico do Futebol Paulista entre Corinthians e Palmeiras, mais conhecido como dérbi;

Considerando a rivalidade entre os torcedores de ambos os clubes;

Considerando a fundação da Sociedade Esportiva Palmeiras como resultado de uma dissidência do Sport Club Corinthians;

Considerando que a primeira partida de futebol entre os dois clubes é datada de 1914;

Requeiro, a este conceituado Conpresp, abertura de Processo de Tombamento de Bem Imaterial do clássico entre Corinthians e Palmeiras, mais conhecido como dérbi". - Juscelino Gadelha

A importância do clássico para a cidade de São Paulo parece ser indiscutível, mas isso não é suficiente para que ele seja tombado. Isso porque para passar por um processo de tombamento, um bem precisa ser material, o que não é o caso.

“O Tombamento pode ser aplicado aos bens móveis e imóveis, de interesse cultural ou ambiental, quais sejam: fotografias, livros, mobiliários, utensílios, obras de arte, edifícios, ruas, praças, cidades, regiões, florestas, cascatas etc”, explica texto do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), tese reiterada pela superintendente de São Paulo do órgão.

“Não existe tombamento de imaterial. O que é imaterial a gente faz o registro”, afirmou Anna Beatriz Ayroza Galvão, ressaltando que mesmo o registro exige um longo processo. “Isso requer um estudo do grau de excepcionalidade do bem. Tem que ver, por exemplo, por que o Corinthians x Palmeiras é mais excepcional do que um Fla x Flu. O importante é preservar e saber o que preservar”.

Um bem imaterial pode, portanto, ser registrado como patrimônio cultural de uma cidade ou país. É o caso, por exemplo, do Ofício das Baianas de Acarajé, da Feira de Caruaru e da Roda de Capoeira, considerados patrimônios culturais nacionais.

“O bem imaterial é aquilo que não pode ser esquecido. A voz do Jamelão, a receita do Acarajé, a capoeira são tombados como bens imateriais”, equivocou-se Juscelino Gadelha, que quer a valorização municipal do dérbi.

O pedido de tombamento do clássico foi enviado ao Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Ambiental da Cidade de São Paulo) no último dia 2 de junho e agora será analisado pelo órgão, que decidirá se inicia ou não o processo de tombamento.

Fonte: UOL

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