Edu: 'O grupo de 2000 não era tão unido como o atual'

Edu: 'O grupo de 2000 não era tão unido como o atual'

Edu Gaspar estava no título mundial do Corinthians e na única semifinal que o clube disputou na Libertadores. Agora, como gerente de futebol, vive a expectativa de superar essa história. Em conversa com o MARCA BRASIL, o ex- jogador afirma que o grupo atual é mais unido que o de 2000, aposta na classificação contra o Santos e confessa que está difícil encontrar reforços.

MARCA BRASIL: Você fez parte do elenco campeão mundial e chegou à semifinal da Libertadores, ambos em 2000. Agora, convive com um grupo que pode superar isso diante do Santos, na Libertadores. Vê semelhanças?

Edu Gaspar: Vejo realmente uma semelhança. Os dois são grupos vencedores. Têm na cabeça o querer ganhar e o querer vencer. O grupo de 2000 não era tão unido como o atual. Este tem uma força, uma união. Alguns ficam fora, uns tem mais chances, mas todos respeitam. Nunca tem problema interno. Os dois times quando entravam em campo, independentemente de onde jogavam, entravam para vencer. Só pensam na vitória aqui, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte.

MB: Então a diferença é que existiam mais vaidades no grupo do Mundial?

EG: Vaidade é uma palavra um pouco forte. Tinham atletas com características diferentes dos jogadores atuais.

MB: Personalidade forte define melhor a questão?

EG: Sim, personalidade é uma palavra muito melhor, que se encaixa para explicar.

MB: Como se cria, constrói um grupo vencedor?

EG: Aprendi, quando jogava na Inglaterra, com o Arsène Wenger (técnico do Arsenal), que dizia: ‘temos um grupo que independentemente de onde jogar, vamos entrar para ganhar. Não vamos entrar para empatar, para ver como vai ser. O objetivo é ganhar’. Eu aprendi com isso e tentei colocar para o Tite,que passa para o grupo de atletas. O Corinthians é muito forte e grande demais para entrar em uma competição e ver no que dá. Temos que pensar em títulos e para conquistá-los precisa vencer. O Tite passou isso para os atletas. Aos poucos, vai criando uma identidade de ganhar, de sofrer, de mesmo em um jogo difícil, você lutar até o fim por uma vitória.

MB: Os jogadores te procuram para que você conte como era aquela época?

EG: Não, é mais em papo informal. Às vezes, batemos um papo na concentração ou aqui no CT. Não me pedem para contar. Tenho uma boa amizade com todos, tenho um bom relacionamento com eles. Então sentamos, conto histórias da minha época, eles contam histórias deles. Tem o Fábio Mahseredjian (preparador físico), que viveu aquela época de 2000 aqui, que também comenta algumas coisas.

MB: E você está confiante para o duelo com o Santos?

EG: O grupo já está se mostrando vencedor, temos uma boa possibilidade de ir à final, com todo respeito ao Santos. É um grupo que vem de um Brasileiro muito difícil, não teve quase nenhuma mudança. Fomos bem no Paulista e até agora na Libertadores. Nós (diretoria), jogadores e comissão estamos confiantes. Não estamos aqui por acaso. Mostramos a cada competição que estamos preparados.

MB: Se perder, o grupo está preparado para absorver a pressão e prosseguir?

EG: A gente não conta com tropeços, contamos com a confiança e o trabalho que estamos fazendo. Quanto ao tropeço, vamos ver como vão responder se isso vier a acontecer. Mas eles já mostraram no Brasileiro do ano passado quando teve uma queda de rendimento. Ali, eles treinaram mais, queriam vencer ainda mais, vestiram a camisa.

MB: No outro confronto entre Boca Juniors e Universidad do Chile, quem passa?

EG: Não dá para pensar quem vamos pegar, o que é melhor. Estamos com uma baita pedreira pela frente, vamos pensar no Santos. Depois vamos pensar na próxima, se Deus quiser.

MB: Você parou faz pouco tempo (março de 2011). Dá saudade de estar lá dentro?

EG: Não. Eu me desliguei realmente, virei a página. Fui grato a tudo que conquistei. Isso me dá segurança e tranquilidade para fazer o meu trabalho e deixar os atletas fazer o deles. Mas tento ajudar aqui fora. Não estou lá dentro, mas meu coração está com eles.

MB: Você sofre mais agora do que quando jogava?

EG: Quando você está jogando, treinando, você não tem a dimensão do que seria ganhar uma Libertadores pelo clube. Eu vejo agora, de fora, e tento passar para os jogadores o que significaria para história do clube e de cada um deles. Mas eu sofro muito mais agora.

MB: Em 1º de julho, abrirá a janela europeia de contratação. Acredita que os clubes vão vir fortes ao Brasil?

EG: Não vão vir pesado. Economicamente, nem os países nem os clubes vivem um bom momento. A não ser os clubes que têm donos poderosos, só esses podem vir com força. Mas isso não me preocupa, pois o grupo tem cabeça boa, ninguém fala em sair para a Europa. A ideia da diretoria é manter todos aqui. Às vezes, chegam propostas que não tem como segurar, aí tem que pensar. Mas queremos manter.

MB: Como convive com todas as especulações?

EG: Agora, estou aprendendo a lidar com elas. Começo a me preocupar ou ficar atento com as coisas que chegam oficialmente. O Corinthians é um time que todos acompanham. Recebemos empresários e representantes de grandes clubes do mundo inteiro, mas não podemos deixar isso influenciar no rendimento do grupo.

MB: O clube procura uma ‘pérola’ para contratar. É mais fácil no Brasil ou no mercado internacional?

EG: Tudo depende. Hoje não está tão fácil achar os atletas com as características que necessitamos. Nosso nível está bem alto tecnicamente. Para achar atleta do mesmo nível, tem que garimpar muito. Para trazer um atleta de peso, requer esforço do clube. Além disso, precisa ver se o cara quer jogar no Brasil, se ele for estrangeiro. Estamos trabalhando para quem sabe trazer uma estrela, mas isso não nos preocupa. Nosso grupo não tem Ronaldo, Adriano, Roberto Carlos... mas ganhou o Brasileiro e está bem na Libertadores. Esse é o foco.

MB: Quem você aposta como campeã da Eurocopa? Quem vai ser o craque?

EG: Não vou sair do normal. Espanha e Alemanha são as duas favoritas. Tem um pessoal novo surgindo, como o atacante da Polônia (Lewandowski), mas o craque, craque, deve ser Cristiano Ronaldo ou Xavi.

Fonte: Marca Brasil

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