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O Corinthians e a eliminação que começou em fevereiro

Opinião de Felipe Sales

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A eliminação do Corinthians para a Ferroviária, na Copa do Brasil Feminina, não aconteceu na Arena Fonte Luminosa, na última segunda-feira. Ela começou em fevereiro.

A derrota por 1 a 0 apenas escancarou um problema que já vinha sendo construído há meses: um time sem identidade, sem padrão de jogo, sem organização e cada vez mais dependente de jogadas individuais para competir.

No dia 21 de fevereiro, a diretoria alvinegra decidiu demitir Lucas Piccinato. Motivos para a troca existiam, afinal, o desempenho já não era o mesmo de temporadas anteriores. O problema nunca foi a saída do treinador. Foi a escolha de quem assumiria seu lugar.

Trazer Emily Lima era uma aposta. Uma treinadora de currículo respeitável, com enorme importância para o desenvolvimento do futebol feminino, mas que estava há anos distante do cenário brasileiro e sem resultados recentes que justificassem assumir um dos projetos mais vencedores da modalidade.

Como sempre, preferi esperar. Dar tempo para o trabalho acontecer antes de qualquer julgamento precipitado. Quase cinco meses depois, porém, ainda é difícil identificar qualquer evolução.

O Corinthians continua vivendo de improvisações. As duas laterais são ocupadas por atacantes, jogadoras rendem longe de suas melhores características e um meio-campo formado por atletas de nível de Seleção Brasileira se resume, muitas vezes, a cruzamentos e bolas longas. Falta repertório, criatividade e, principalmente, um plano de jogo. Além disso, as atletas seguem tomando decisões erradas no ataque, desperdiçando chances e cometendo diversas falhas.

As escolhas da comissão técnica também chamam atenção. Belén Aquino, Letícia Monteiro e Gisela Robledo, entre os principais destaques da temporada, frequentemente ficam no banco, enquanto a equipe insiste em soluções que entregam pouco resultado. Outra escolha difícil de entender é a de Gi Fernandes ser preterida depois de uma temporada que a levou para a Amarelinha.

Mas reduzir a crise apenas ao trabalho da comissão técnica seria simplificar um problema muito maior.

O reflexo visto dentro de campo começa fora dele. A contratação de uma jogadora lesionada, que sequer entrou em campo na temporada, os atrasos recorrentes de salários, premiações e direitos de imagem, a falta de reforços, um patrocínio cercado de polêmicas e, por fim, a decisão de liberar a lateral-esquerda titular para participar de um programa de televisão justamente na semana de dois clássicos, sendo um deles eliminatório.

Nada disso, isoladamente, explica a eliminação. Juntos, mostram um clube que deixou de agir com a excelência que fez das Brabas uma referência no futebol mundial.

Queria acreditar que esse cenário ainda pode mudar. Mas, se nem os 23 dias de intertemporada foram suficientes para apresentar um time mais organizado, mais competitivo ou com novas ideias, é difícil enxergar uma mudança de rumo no curto prazo.

O ano de 2026 tem tudo para ser um dos mais decepcionantes das Brabas desde a reativação da modalidade. Ainda assim, como todo corinthiano, eu continuo acreditando em dias melhores. O talento, a capacidade de decisão e a vontade de título existem. Falta apenas um caminho para potencializar tudo isso.

Veja mais em: Corinthians Feminino , Corinthians x Ferroviária e Copa do Brasil .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Felipe Sales

Jornalista formado pela Universidade Paulista e pós-graduado em jornalismo esportivo na Cásper Líbero. A vida me fez Corinthians e fiz do Corinthians a minha vida.

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  • Comentários mais curtidos

    Marcelo Ferreira #2.232

    Infelizmente estou a cada dia me afastando mais de tudo que envolve o nome Corinthians pelo bem da mh saúde.
    Obrigado aos envolvidos que estão fazendo com que o torcedor por mais fiel que seja está perdendo o amor pelo clube

  • João Oliveira

    Com essa técnica no comando as brabas viraram gatinhas.

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  • Todos os comentários (39)

    Robson Silva

    Já temos em Julho, seis derrotas. O número de derrotas do ano de 2022, que foi o ano que o time perdeu mais vezes, desde a reativação do time em 2016.

  • Reinaldo Bueno #427

    O problema também é falta de boas atletas em todas as posições, Vic, parece que perdeu o tesão de joga bola, ela entra numa má vontade, lateral esquerda, a titular não joga mais nada por esta muito velha, a reserva é horrível, na direita a titular é horrível e não tem reserva, meio campista é boa mas não tem reserva pra assombrar a sua posição de titular, volante só tem uma, o resto é no improviso, aí zagueira perdemos as melhores, amo a Erika mas a idade também chegou pra ela, precisa de mais duas boas zagueiras, Zanotti sou apaixonado por ela, mas também tá velha, só é difícil cobrar tanto qualquer treinador, também estou muito insatisfeito com os resultados do time, mas pra pode ter direito de ser enérgico na cobrança a treinadores tem que dá boas atletas, e paga salários e premiações em dia.

  • Luiz Balestrero #5

    As Barbies já eram, fim de linha!

  • Tiago Ressurreição #4.170

    Jogadoras com premiações atrasadas, salário atrasado,

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