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Felicidade

Torcida do Corinthians fazendo festa durante final do Paulistão

Danilo Fernandes / Meu Timão

Corinthianada Feliz!

Opinião de Rafael Castilho

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Corinthianada feliz por todos os cantos. A balconista da loja arrumando as roupas e falando alto sobre a emoção de ser corinthiana. O porteiro do prédio vem correndo em sua direção, você abre o vidro do carro preocupado e ele te pede um abraço. O menino quase adolescente se abraça na bandeira do Corinthians e chora na janela de casa, dizendo juras de amor para o Time do Povo, para que o mundo inteiro possa escutar.

O lixeiro pendurado no caminhão gritando e pulando de felicidade. Na hora do almoço, a televisão do restaurante no ultimo volume porque todo mundo queria ouvir o Neto.

Nos elevadores da Faria Lima os CEOs, Heads, Chairmans, CFOs e demais colaboradores dizem, uns para os outros, que a final foi muito Top. Topzera total.

Na feira livre a moça japonesa gritou bem alto um “Vai Corinthians” depois que eu paguei o pastel.

As mães estão felizes. Não sabem muito bem o quanto estão felizes por si mesmas e o quanto estão felizes também por verem seus filhos com a alegria estampada no rosto. Eles andavam tão tristinhos.

Os pais aliviados. Tiveram uma vida repleta de alegria como corinthianos, mas já andavam bem preocupados com seus filhos. Uma molecadinha que redescobriu o Corinthians sofredor de outros tempos.

Uma molecada que aprendeu a amar o Corinthians nesses tempos de vacas magras. Eles precisavam mesmo de um caneco.

Essa nova geração de corinthianos se forjou de uma maneira que comprova que certas coisas no Corinthians nunca mudam.

No fundo continua tudo a mesma coisa. O time da moda é o time dos outros. Quem escolhe o Corinthians o faz porque sabe: mesmo sendo maioria, ao mesmo tempo também somos a minoria.

Sabe que é geral, mas não é todo mundo.

Sabe que possui uma visão particular da vida. Que não nos interessam as coisas óbvias.

Aprendeu que tem sempre uma voz dentro da gente, nos apontando uma direção, por vezes oblíqua.

De uma maneira muito intuitiva, compreende que nossa existência é repleta de contradições. E que sem essas contradições a vida perderia todo o sabor.

E o Corinthians ganhou do Palmeiras.

Nossa torcida sabia o que estava em jogo nessa noite em Itaquera. Não se tratava de Paulistinha ou Paulistão. De nacional ou regional, local ou internacional. O Corinthians tinha que ganhar e ponto.

E a Fiel se fechou em torno desse entendimento. No Corinthians não é preciso discurso. Não temos um governo central, um Estado, uma liderança única. Somos mais do que os mármores da Arena, maiores do que os números do nosso CNPJ. O Corinthians é uma ideia. E temos o nosso inconsciente coletivo.

Muito mais do que isso, possuímos o nosso consciente coletivo que funciona muito bem, na maioria das vezes silenciosamente, sem que ninguém precise dizer nada. E a Fiel ganhou esse campeonato na garra, na marra e na farra.

A gente sabe o que cada um de nós precisa. E que somos nós que fazemos o Corinthians.

Somos irmãos em Corinthians. E somos muito felizes por sermos corinthianos. Assim edificamos nossas vidas. Não podemos ser diferentes.

O Corinthians paira no ar. Somos compostos de moléculas de Corinthians. E o Corinthians é composto por fragmentos espiritualmente misteriosos de cada um de nós.

Aqui é Corinthians!

Veja mais em: Torcida do Corinthians e Campeonato Paulista .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians. Ele está no Twitter como @Rafael_Castilho.

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