Certamente um dos mais irreverentes elencos do Corinthians no século 21, a turma comandada por Ronaldo Fenômeno nos anos de 2009 e 2010 deu o que falar para os cem anos seguintes do clube. Uma das histórias de bastidores foi revelada nesta semana pelo ex-lateral André Santos, amigo pessoal do ex-camisa 9, em entrevista concedida ao portal Uol.
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Tudo começou com um hábito malandro dos "moleques" Dentinho e Lulinha durante as concentrações do elenco corinthiano para treinos e jogos. Era rotina: a dupla dava um jeito de roubar chaves dos quartos dos colegas de delegação, aproveitava momentos em que estavam vazios e bagunçavam tudo. Ingrata surpresa para quem voltava ao dormitório...
"A gente descia pro café, eles (Dentinho e Lulinha) pegavam a chave do nosso quarto, bagunçavam, levantavam nossa cama. Quando a gente ia voltar, depois do lanche, você quer dar aquela deitada, aquela relaxada depois da janta, chegava no quarto e estava tudo bagunçado, lençol, cama virada. Quem foi? Foram os dois moleques", contou André Santos.
"A gente fala que o Ronaldo não sabe brincar", acrescentou, dando uma pista de como terminaria a história - de forma não muito agradável para Dentinho e Lulinha.
Cansado das estripulias da dupla, Ronaldo reuniu alguns dos principais (e brincalhões) jogadores daquele elenco de 2009: Elias, Douglas, Cristian e o próprio André Santos. O plano era dar um susto em Dentinho e Lulinha. Para isso, conseguiram algemas. A partir daí..
"Pegamos eles, levamos para o nosso quarto. Colocamos duas cadeiras, amarramos eles, prendemos com as algemas e batia, batia. Até na época daquele filme, Tropa de Elite, na época, o Ronaldo: 'Cala a boca'. E 'pá', batia na cara. 'Dentinho, cala a boca. Não chora'. A gente pegou aqueles pegadores de macarrão, ele sem camisa pegava o biquinho do peito dele, puxava assim. Isso era uma das diversas coisas que a gente fazia. Era uma bagunça", descreveu o ex-lateral, relatando a brincadeira (talvez exagerada) contra os garotos.
Ainda que muitas das histórias de bastidores ainda sigam guardadas a sete chaves, era de conhecimento dos jornalistas que cobriam o dia a dia daquele elenco: Ronaldo e depois Roberto Carlos, ainda que quase sempre evitando prejudicar o desempenho da equipe dentro de campo, comandavam "altas aventuras" entre os jogadores mais festeiros.
"Nas folgas, a gente ia pra casa do Ronaldo, virava madrugada, bebia pra caramba, curtia, fazia churrasco, fazia festa, saía para a balada. Até porque um atleta de futebol tem que ter o seu momento para tudo. Nunca deixei de fazer nada porque eu jogava futebol", lembrou André Santos.
Em tempo: dos jogadores mencionados no texto, apenas Ronaldo e o próprio André Santos anunciaram aposentadoria. Cristian está no São Caetano, Douglas, no Avaí, e Elias, no Atlético-MG. Não esqueçamos de Dentinho e Lulinha: bem longe das algemas do Fenômeno, eles fazem carreira no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e no Al Sharjah, dos Emirados Árabes.